FIJ critica impedimento de entrada de jornalistas em Macau

A decisão, tomada pelas autoridades do território, de não permitir a entrada de jornalistas de Hong Kong  mereceu fortes críticas da parte da Federação Internacional de Jornalistas. A Associação de Jornalistas de Hong Kong tornou público, no último fim-de-semana, que não foi permitida a entrada a mais de uma dezena de profissionais da comunicação social da antiga colónia britânica desde o dia 26 de Agosto.1.Wong

Joana Figueira

A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) “critica fortemente” a decisão das autoridades do território de impedir a entrada  em Macau de mais de uma dezena de jornalistas de Hong Kong. Num comunicado divulgado na Terça-feira, o organismo fez questão de  se juntar à “Hong Kong Journalists Association” (Associação de Jornalistas de Hong Kong) no repto que este organismo lançou e exige uma explicação aos Executivos de ambas as Regiões Administrativas Especiais. A Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM), por sua vez, “lamenta profundamente esta posição das autoridades da RAEM”.

“Juntamo-nos à Associação de Jornalistas de Hong Kong no apelo a que todos os jornalistas peçam uma explicação aos governos de Macau e de Hong Kong sobre o porquê de as suas deslocações e movimentos serem restringidos”, escreveu o gabinete para a Ásia-Pacífico da Federação Internacional de Jornalistas. “Restringir a movimentação de jornalistas e funcionários dos meios de comunicação dificulta a capacidade de estes organismos reportarem livremente e, em última instância, impede a liberdade de imprensa. A situação dos jornalistas de Hong Kong que se deslocam a Macau continua a não ser clara e levanta questões relacionadas com a liberdade de imprensa na região”, acrescentou o organismo.

Num comunicado publicado no início da semana, a Associação de Jornalistas de Hong Kong (HKJA) expressou “grande preocupação” e lamentou  que o Executivo liderado por Chui Sai On tenha negada a entrada a mais de dez jornalistas de Hong Kong. As ocorrências remontam à semana passada , aos dias que antecederam as eleições para a Assembleia Legislativa, que decorreram no domingo.

A associação afirma que, naquele período, tentaram entrar em Macau jornalistas do “Apple Daily” e acredita que “as rejeições estão relacionadas com as eleições para a Assembleia Legislativa”. A HKJA recorda ainda que, no dia 26 de Agosto, dois jornalistas do “Apple Daily”, um jornalista do semanário “HK01” e outro do “South China Morning Post” viram negada a entrada em Macau, quando pretendiam fazer a cobertura dos trabalhos de limpeza da cidade depois da passagem do tufão Hato pelo território.

A Hong Kong Journalists Association disse ainda que vai enviar cartas ao Governo de Macau e ao gabinete do secretário para  a Segurança de Hong Kong “exigindo uma explicação”.

Já a Associação de Imprensa em Português e em Inglês de Macau ainda não contactou directamente o Executivo mas afirmou estar “a analisar a informação”, lamentando “profundamente esta situação” e alertando “para o que isto [negar entrada aos jornalistas] significa e para o impacto que isto tem”.

Ao PONTO FINAL, o presidente da AIPIM, José Carlos Matias, reiterou a posição manifestada pelo organismo no final do mês passado: “A nossa posição é exactamente aquela que manifestámos já no final de Agosto aquando da decisão das autoridades da RAEM de negar a entrada a jornalistas que vinham fazer a cobertura após o tufão Hato e, portanto, tal como dissemos na altura, consideramos que esta situação – e, infelizmente, outras situações semelhantes –, é muito difícil de compreender, [bem como] as justificações dadas pelas autoridades locais. Mais uma vez estamos perante decisões que não são abonatórias. Muito pelo contrário, prejudicam a imagem internacional da RAEM.”

O dirigente associativo salientou que “as restrições deste género ao movimento de jornalistas (…) constitui efectivamente um obstáculo ao livre exercício da profissão por parte daqueles que são bloqueados” e que o facto de ser sempre citada a lei de segurança interna como justificação “deixa, de facto, imensas dúvidas sobre estas decisões”: “Se eles estando aqui [Macau] fizerem algo que potencialmente possa ir contra as leis da região é uma coisa, mas não é isso que nos é dito [pelos colegas jornalistas de Hong Kong]. Ao serem bloqueados, ficamos de facto numa situação que consideramos incompreensível”, apontou o presidente da Associação de Imprensa em Português e em Inglês de Macau.

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