Um “mea culpa” com críticas à mistura

 

O casal que na terça-feira esteve envolvido num incidente com um médico do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do hospital público, convocou ontem uma conferência de imprensa em que pediu desculpa pelo sucedido. Apesar do “mea culpa”, Xu Yin a mãe da criança de 20 meses que esteve na origem da troca de argumentos, voltou a acusar o clínico de falta de ética.

mmexport1505318755275.jpg

 

Elisa Gao

Arrancou com um pedido de desculpas, mas cedo se tornou um palco de arremesso de acusações. A Associação de Promoção dos Direitos dos Pacientes de Macau convocou uma conferência de imprensa para o meio da tarde desta quarta-feira, na sequência do incidente que no dia anterior opôs um casal a um dos médicos do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Centro Hospitalar Conde de São Januário.
Ao início do dia de ontem a direcção do hospital público (ver texto nesta página) emitiu um comunicado em que condenada “fortemente” a reacção desproporcionada de um casal ao diagnóstico traçado por um médico, no âmbito de uma consulta de especialidade em que a paciente era a filha do casal, de um ano e oito meses.
Ontem, a mãe da criança, Xu Yin fez questão de pedir desculpa ao clínico envolvido no incidente “pelo comportamento pouco digno exibido no Centro Hospitalar Conde de São Januário”, mas não deixou , ainda assim, de enunciar a sua versão dos acontecimentos.
Transtornada, a mulher explicou que se dirigiu na terça-feira com o marido ao hospital público para uma segunda consulta de especialidade da filha de ambos, uma bebé de vinte meses com necessidades especiais.
Depois de observar a criança, o médico aconselhou que a menina passasse por uma segunda ronda de terapia ocupacional, mas a recomendação não agradou aos pais, que durante a consulta teriam feito chegar ao clínico a sua preocupação com o facto da bebé, com quase dois anos, manifestar alegadas dificuldades ao nível da fala. O casal pediu ao médico que em vez de terapia ocupacional, receitasse uma sessão de terapia da fala, mas a resposta do clínico não agradou a Xu Yin e ao marido, colocando médico e pacientes em rota de colisão: “O médico, de apelido Kou, disse-nos que se a nossa filha ainda não consegue falar também não vai reagir à terapia da fala, pelo que a sessão de terapia da fala seria inútil”, explicou Xu Yin, antes de dar conta das supostas declarações que fizeram azedar a consulta.
“Ele disse inclusive que a minha filha nunca falará e que o tratamento é inútil. Ele repetiu este ponto por diversas vezes”, adiantou, desgostosa. “Ele não chegou sequer a examinar a minha filha e avançou logo para aquele veredicto, de que o tratamento não seria eficaz. É natural que eu tivesse ficado irritada. Como é que ele pode dizer isso?”, prosseguiu Xu Yin.
“Como pais, quando ouvimos o médico dizer que a minha filha não falaria no futuro, não conseguimos manter as emoções. Exigimos que o médico produzisse um relatório em que provasse o que dizia”, explicou a mãe da bebé, antes de reconhecer que tanto ela, como o marido colocaram em causa a postura ética do clínico. O homem, reconheceu Xu Yin, ameaçou ainda contactar o jornal Apple Daily, da vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong, e tornar pública a história.
A jovem mãe negou, no entanto, que tanto ela, como o marido tenham ameaçado fisicamente o clínico e lembrou que o médico já tinha apresentado queixa contra ambos junto da polícia antes mesmo de o casal abandonar o hospital.
Choi Chi Wai, presidente da Associação de Promoção dos Direitos dos Pacientes de Macau, assumiu a defesa de Xu Yin e do marido, ao reiterar que os pacientes têm direito a serem bem tratados e defendeu que os médicos devem ter a capacidade de criar empatia com os familiares de quem recebe tratamento: “O hospital deve olhar com seriedade para esta situação e procurar perceber como pode resolver o problema, em vez de estar a dar azo a uma situação ainda mais desagradável. O caso não foi investigado com a profundidade desejada. Só os seguranças testemunharam o que se passou e o Conde de São Januário emitiu um comunicado da noite para o dia em que condena o comportamento dos pacientes. A resposta surgiu de forma demasiado célere”, criticou o dirigente.

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s