Trump regista marca em Macau em sectores ligados ao jogo

A notícia foi recebida como um indicador de que o presidente norte-americano pode estar de olhos postos na indústria dos casinos em Macau. Esta não é a primeira vez que Donald Trump regista a sua marca no território, mas só agora o conseguiu fazer no sector do jogo.

 EPA/Chris Kleponis / POOL

Uma empresa com a morada da “Trump Tower”, em Nova Iorque, e com ligações ao presidente norte-americano recebeu autorização por parte do Governo da RAEM para registar a marca “Trump” no território. Os pedidos apresentados em nome de Donald Trump pela DTTM Operations LLC, a companhia que geralmente lida com os direitos das marcas do presidente dos Estados Unidos da América (EUA), estão relacionados com serviços e instalações de casinos, mas também com os sectores do imobiliário, construção, conferências e alimentação e bebidas.

Segundo escreve a Newsweek, os pedidos de registo de marca “levantam a questão sobre se Trump está a tentar adquirir licenças de jogo enquanto ainda é presidente”. Os primeiros contratos das concessionárias em Macau a expirar são os da SJM Holdings e da MGM China, em Março de 2020 e, posteriormente, os da Melco Crown, Galaxy e Wynn em Junho de 2022. O Governo da RAEM ainda não deu garantias quanto à renovação das licenças e segundo uma notícia recentemente divulgada pela Reuters, alguns representantes da indústria do jogo no território mostram-se apreensivos quanto ao momento das negociações.

Um analista consultado pelo South China Morning Post levantou a possibilidade “embora remota” de Trump ter os olhos postos no sector do jogo em Macau. “Considerando que os pedidos de registo da sua marca chegam poucos anos antes da renovação das concessões entre 2020 e 2022, é de considerar a possibilidade de que ele pode ter em vista o pedido de uma nova concessão” disse Ben Lee, da IGamiX Management and Consulting, citado pelo diário de Hong Kong.

Esta não é a primeira vez que Donald Trump consegue registar a sua marca no território. Em 2012, a Direcção dos Serviços de Economia aprovou o registo das marcas “Donald Trump”, “Trump Tower” e “Trump International Hotel and Tower”. A par disso foi travada uma batalha legal com a “Trump Companhia Limitada”, uma empresa desvinculada ao actual presidente norte-americano, que em 2006 tinha registado a marca “Trump” em Macau e que acabaria por perder o processo em Maio do ano passado.

Caso o presidente norte-americano tenha, de facto, no seu horizonte, o objectivo de alargar o seu império ao sector do jogo em Macau, tal facto marcaria o seu regresso a esta indústria. No início da década de 1990, os casinos de Trump em Atlantic City, uma das mecas do apostadores nos EUA, perfaziam um terço das receitas totais do jogo naquela cidade, segundo o South China Morning Post. No entanto, em Fevereiro do ano passado, a “Trump Organization” vendeu as suas acções na “Trump Entertainment Resorts”, empresa responsável por operar os casinos em Atlantic City.

Em 2001, Donald Trump apresentou uma proposta para adquirir uma das três licenças de jogo em Macau. Na altura, um dos investidores que se juntou ao actual presidente norte-americano, embora de forma indirecta, foi Ng Lap Seng, o magnata de Macau recentemente condenado nos EUA por subornar altos funcionários da Organização das Nações Unidas.

 

Trump está apenas a usar o cargo de Presidente para acelerar registo de marcas

 

Em declarações à agência Lusa, o mesmo analista de jogo da consultora IGamix desvalorizou estas notícias, já que o registo de marcas é muito comum em Macau e não deve ser lido como sinal de que a empresa irá definitivamente operar.

“Não acho que seja muito significativa esta decisão de registar o nome da marca em Macau. Acredito que está a olhar para todo o mundo e está a usar o facto de estar neste cargo para acelerar o patenteamento dos direitos de autor da sua marca em todo o mundo, em diferentes jurisdições”, disse.

Ben Lee destaca que esta utilização do cargo tem-se revelado particularmente útil na China que “tem sido sempre muito lenta a aprovar registos de marca”.

“Vimos que assim que Trump tomou posse, a China imediatamente aprovou 30 e tal candidaturas que estavam pendentes há muito, muito tempo”, salientou.

Assim, para o analista, o registo em Macau é uma continuação dessa estratégia e não concretamente uma tentativa de entrar no mercado de jogo de Macau após expirarem as atuais licenças de concessão, entre 2020 e 2022.

Porém, tal não significa que o magnata não possa vir a fazê-lo e as probabilidades de ser bem-sucedido podem depender do cargo que ocupar na altura: “Coisas mais estranhas já aconteceram (…) Há a probabilidade de novas concessões em Macau. Se ele ficar no poder a probabilidade [de obter uma concessão] é muito maior do que se não estiver. O facto de a China ter aprovado candidaturas [de registo de marcas] que estavam pendentes há muito tempo indica que a China sabe o que está a fazer”.

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