CSI: Macau

As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

 

Dinheiro não compra felicidade nem polícia

Com a data limite de permanência em Macau expirada e bem visível no carimbo que os Serviços de Migração deixaram no seu passaporte do Vietname, R. não teve outra alternativa: abriu às escondidas a mala da irmã mais nova e sacou-lhe o bilhete de identidade de trabalhador não-residente (bluecard). De outra forma não conseguiria que lhe emprestassem dinheiro para poder apostar nas mesas de jogo dos casinos do Cotai, no sábado.

Saiu de fininho, por volta das 21h, e foi a correr para o Terminal Marítimo do Porto Exterior com a ideia de ali apanhar um autocarro dos serviços gratuitos que levam os passageiros directamente para os casinos. Só que, ao chegar ao terminal, deu de caras com a farda de um agente da PSP e assustou-se. Disfarçou como pôde e tentou não fazer caso mas o seu ar amedrontado não passou despercebido ao polícia, que lhe pediu imediatamente a identificação. R. não teve alternativa senão facultar-lhe o bluecard da irmã.

Logo à primeira vista, era evidente que a mulher na foto do documento era consideravelmente mais jovem do que a cinquentona R., pelo que o agente não teve dificuldade em fazer a mulher admitir ter “pegado emprestado” o cartão da irmã sem ela saber.

Teimosa, R. não se deu por vencida: “Dou-te 10 mil patacas se me deixares ir embora!”, terá oferecido reiteradamente ao agente, enquanto era encaminhada para a esquadra, o que só piorou a sua situação. Consultados os registos, a PSP confirmou ainda a permanência da mulher no território para além do prazo definido no seu visto. R. acabou por confessar tudo e o seu caso foi transferido para o Ministério Público. A desempregada, de 50 anos, teve de responder pelo furto e uso indevido de documento de identificação de outrem, e ainda pela tentativa de suborno a agente da autoridade.

 

A distracção da palpiteira

A vida de A. gira em torno dos casinos. Não aposta o seu próprio dinheiro, mas dedica-se a ajudar os jogadores, dando palpites em troca de gorjetas e emprestando-lhes fichas de jogo, para receber juros e comissões. Ganhe a casa ou ganhe o apostador, A. nunca fica a perder. Ou, quase nunca.

No dia 22 do mês passado, aproximou-se de um homem que olhava para as mesas de jogo e ofereceu-lhe os seus serviços: emprestou-lhe 30 mil dólares de Hong Kong em fichas de jogo, deu-lhe uns palpites de como é que havia de apostar, e deixou-o a divertir-se enquanto foi observar alguns clientes que jogavam noutras mesas. Mas, em vez de se sentar à mesa a apostar, o indivíduo aproveitou esse momento de distracção para fugir com as fichas.

Na quinta-feira, A. estava como habitualmente no mesmo casino, quando avistou o bandido, que havia regressado ao local do crime. Tratou de avisar a polícia, que deteve o suspeito, de 48 anos, juntamente com uma cúmplice, de 43, que ele havia incumbido de fazer a troca das fichas por dinheiro.

O caso foi encaminhado para o Ministério Público e os dois suspeitos, julgados pelo crime de furto qualificado.

 

WeChatices

De origem chinesa, M. reside no Canadá e foi naquele país que conheceu em Maio, através da aplicação de telemóveis WeChat, um sujeito que se afirmava gerente de um projecto de investimento num novo casino de Macau.

Basicamente, explicou ele, se estivesse interessada em investir dois milhões de patacas, podia obter um lucro de 1,25 por cento desse montante em apenas três meses. A mulher acreditou e tratou de transferir, em seis remessas, não dois, mas 4,03 milhões de patacas para a conta bancária indicada pelo indivíduo.

Só depois é que se lembrou de ir fazer uma pesquisa na Internet, para saber mais informações. Mas não encontrou nem uma linha sobre esse suposto projecto, o que a fez desconfiar da sua existência. Tentou voltar a contactar o tal gerente através do WeChat, mas não obteve resposta.

O tempo passou e perdeu a esperança de ainda vir a ser brindada com os lucros do seu investimento, pelo que resolveu anteontem apresentar queixa à PJ, que está a investigar este e outros três casos de burla cometidos através do WeChat este fim-de-semana.

 

Droga de hotel

Empregada de limpeza num hotel do Cotai, F. já viu de tudo entre os objectos deixados espalhados pelos hóspedes nos quartos que arruma todos os dias, uns atrás dos outros. Quando passava a esfregona por um quarto onde estavam hospedados três homens e uma mulher, no domingo, e avistou em cima da mesa uma espécie de cachimbo de vidro sujo por dentro, um isqueiro e uns saquinhos plásticos, viu logo o que se passava.

Deixou tudo como estava e alertou o chefe. Quando os agentes da PJ chegaram ao local, os ocupantes já se encontravam de regresso ao quarto. Os agentes passaram a limpo o aposento e encontraram os referidos objectos, além de um grama de metanfetaminas em cristal (conhecidas como ‘ice’) avaliado em duas mil patacas.

Os suspeitos, com idades entre os 27 e os 33 anos, recusaram-se revelar a origem das drogas. Foram detidos e acusados de consumo de estupefacientes. A PJ continua a investigar o caso.

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