Curso de Verão de língua portuguesa termina com avaliação “francamente positiva”

A 31ª edição do Curso de Verão de Língua e Cultura Portuguesa da Universidade de Macau (UMAC) ficou marcada por um acréscimo significativo de alunos, por uma maior assiduidade e ausência de desistências. A coordenadora do curso, Ana Nunes, fala em maior esforço dos estudantes e mostra-se surpreendida com a apreensão imediata que estes fazem das danças tradicionais portuguesas.

Sílvia Gonçalves

silviagoncalves.pontofinal@gmail.com

 

Durante três semanas, tomaram contacto com a língua portuguesa dentro e fora da sala de aulas. Numa imersão cultural que incluiu canto, dança, cinema e sessões de história e cultura de Macau. O 31º Curso de Verão de Língua e Cultura Portuguesa da UMAC terminou na passada sexta-feira, numa edição marcada pelo acréscimo de alunos – dos 370 da edição de 2016 para os 450 deste ano – pela ausência de desistências e uma maior assiduidade às aulas. Pelos elementos da avaliação, diz a coordenadora do curso, regista-se um maior esforço dos estudantes, que a cada ano chegam maioritariamente da China continental. Além da vertente linguística, certo é que todos se apropriaram das coreografias das danças folclóricas portuguesas. Como se o fizessem desde sempre, garante a docente Ana Nunes.

“O balanço é muito positivo. Já temos acesso aos elementos da avaliação e percebeu-se que este ano, para além dos alunos estarem presentes em todas as aulas, costumam estar mas dá-me a sensação que este ano eles foram ainda mais assíduos, houve ainda um maior interesse, uma maior motivação. O curso é intensivo, todos os dias das 8h30 até às 13 horas, mas notou-se um entusiasmo verdadeiramente desde o início até ao fim. Na avaliação também se percebe que os alunos se esforçaram mais. Para além das presenças nas aulas, as notas deles, a avaliação deles foi francamente positiva”, conta Ana Nunes ao PONTO FINAL.

E eles, os alunos, que chegaram de 10 países e regiões, agradecem um formato de aprendizagem que em muito excede as lições circunscritas ao contexto da universidade: “Tivemos oportunidade de ouvir alguns alunos dizerem-nos isso, que durante estas três semanas aprendem bastante. Às vezes ainda mais – ou de uma forma diferente – do que durante um semestre inteiro nas universidades deles. Porque aqui acaba por ser tudo em português, as aulas são todas em português, as actividades são em português. É um contexto de quase imersão. Sentem-se um bocadinho mais imersos na língua e na cultura portuguesa, aqui”, assinala a docente, que integra o Departamento de Português da UMAC.

“NUNCA TIVEMOS UM NÚMERO TÃO GRANDE DE ALUNOS”

Numa edição que teve mais alunos do que nunca, a docente destaca ainda a ausência de desistências: “Este ano, apesar de serem tantos – nunca tivemos um número tão grande de alunos – não houve dispersão, os alunos mantiveram-se sempre todos juntos até ao fim. Às vezes vamos notando algumas desistências porque o curso é duro, e este ano não houve. Eram 450, mas era um grupo muito entusiasta, muito coeso”.  

Se no ano passado foram introduzidos dois níveis no curso – “o nível Superior e uma turma de Tradução, para celebrar os 30 anos” – este ano, entre os seis níveis que o curso contempla, foi o mesmo de sempre a registar maior adesão: “É sempre o nível Intermédio. Tínhamos oito turmas, cerca de 240 alunos no Intermédio”. Na vertente de cultura e história, que é indissociável do curso, apresenta-se um conjunto de actividades que completam o quotidiano dos estudantes: “Quando se inscrevem eles nem sabem muito bem o que serão essas actividades. Depois acabam por se envolver muito em todas elas, tanto no Canto, que este ano tivemos um grupo grande de alunos a cantar, na dança também, na ginástica e na história de Macau”. E no âmbito da história local, o programa abriu-se este ano a um convidado que chega da comunidade macaense: “Nós tínhamos como actividade extra-curricular História e Cultura de Macau. E tivemos uma segunda-feira à tarde um bocadinho mais especial, em que contamos com Miguel de Senna Fernandes, e em que os alunos de Tradução fizeram a interpretação, porque foi uma tradução simultânea, para os colegas do nível de Iniciação e do nível Básico, que ainda não conseguem acompanhar o português de forma tão fluente”.

Entre as actividades que mais surpreendem os estudantes, Ana Nunes aponta a vertente da dança: “Na primeira sessão que eles tiveram da actividade de dança, no final eles já estavam a dançar, havia alguns que dançavam aquilo há já muito tempo. É o nosso rancho folclórico, eles conseguiram imediatamente entrar nas coreografias, no ritmo daquelas músicas. E depois o que lhes chama a atenção são os trajes típicos de cada região de Portugal. E nós resolvemos explicar um bocadinho o que é que cada uma daquelas vestimentas representa”.

Entre as novidades introduzidas este ano, para além da sessão de cultura macaense, estiveram as sessões de cinema de língua portuguesa. Ambas deverão ser mantidas, na edição do próximo ano, explica a docente: “As tardes de cultura macaense, sim, é para continuar. Este ano também fizemos umas tardes de cinema português, filmes das várias variantes da língua portuguesa. Porque os alunos também gostam e porque é um bom exercício para aprender uma língua”.  

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