Proibição de propaganda precisa de ser clarificada, defendem deputados

Três deputados eleitos por sufrágio directo, Wong Kit Cheng, Au Kam San e Song Pek Kei, que se recandidatam às próximas eleições para a Assembleia Legislativa (AL), manifestaram dúvidas na compreensão e implementação do segundo conjunto de directrizes, fixadas pela Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) na terça-feira. Kenneth Choi, editor do Jornal Seng Pou, declarou que as instruções não confundiram apenas os candidatos, mas também a imprensa que os reporta.

Elisa Gao

elisa.pontofinal@gmail.com

 

“Vou seguir as instruções para fazer alguns ajustes e vou fazê-lo de acordo com a lei, uma vez que o anúncio já foi feito. Posso apenas dizer que estamos a cumprir as indicações agora, mas mais tarde vamos consultar a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa [CAEAL] sobre os detalhes”, declarou Wong Kit Cheng ao PONTO FINAL, acerca da proibição de propaganda eleitoral lançada na terça-feira. As instruções exigiam que as informações de “pré-campanha” fossem totalmente removidas até à meia-noite de ontem.

Wong Kit Cheng tem utilizado as redes sociais para partilhar conteúdos nos quais dá a conhecer, por exemplo, a sua opinião sobre matérias sociais. Ao PONTO FINAL, disse que vai remover ou alterar as suas publicações no facebook, reiterando que a sua lista vai seguir as directrizes uma vez que não querem violar quaisquer normas.

“Tendo em conta as instruções, o que fiz até agora foi remover todos os rostos que estavam nas paredes do gabinete onde exerço funções de deputada. Vamos realizar actividades promocionais de acordo com a lei”, afirmou Wong Kit Cheng.

 

AU KAM SAN: “PENSO QUE É IRRAZOÁVEL MAS, SE ESTÁ REGULADO DESTA FORMA, NÃO VAMOS DISCUTIR COM A CAEAL”

 

Logo a seguir à implementação das instruções que regulamentam a propaganda eleitoral, o gabinete dos deputados Au Kam San e Ng Kuok Cheong publicou nas redes sociais uma imagem onde mostravam os seus rostos tapados com papel.

“Não concordo com isto [de não ser permitido mostrarem as suas caras]. Na verdade, é desnecessário. A lei [eleitoral] tem sido sempre a mesma e isto é apenas o entendimento e a dedução da CAEAL sobre a legislação”, disse Au Kam San ao PONTO FINAL. “Penso que é irrazoável mas, se está regulado desta forma, não vamos discutir com a CAEAL”, explicou.

Vai expressar estas ideias à CAEAL? “Não, que assim seja, vamos cobrir os rostos. Isto não é uma questão essencial, não é preciso discutir por causa disto. Vamos lutar por problemas fundamentais”, apontou Au Kam San.

 

SONG PEK KEI: “AS INSTRUÇÕES NÃO SÃO CLARAS E PRECISAM DE SER CLARIFICADAS”

 

“De acordo com as orientações actuais, o rosto dos candidatos não podem ser mostrados”, disse Song Pek Kei ao PONTO FINAL. “Isto não afecta apenas os candidatos. Há muitos deputados a exercer actualmente funções que também são candidatos e que não podem reportar o seu trabalho ao público”, referiu a deputada. E prosseguiu: “Isto é restritivo, no caso de expor o meu trabalho ao público, não posso mostrar a minha cara.”

Porém, Song Pek Kei afirmou respeitar a decisão tomada pela CAEAL, ainda que defenda que as instruções precisam de ser mais claras, “por exemplo, para aqueles que são actualmente deputados e, ao mesmo tempo, candidatos [às próximas eleições]. Para além de ter as minhas acções restringidas enquanto candidata, também tenho enquanto deputada que tem de desempenhar as suas funções e reportar o seu trabalho. Os trabalhos eleitorais que estamos a desenvolver agora também são educação civil; é necessário que seja desta forma?”

A deputada questiona-se ainda sobre se lhe é permitido, ou não, disponibilizar notícias onde esteja o seu rosto. “As instruções não são claras e precisam de ser clarificadas”, reiterou.

 

KENNETH CHOI: “ISTO É CONFUSO PARA OS CANDIDATOS E PARA NÓS ENQUANTO IMPRENSA QUE REPORTA SOBRE OS CANDIDATOS TODOS OS DIAS”

 

Kenneth Choi, editor do Jornal Seng Pou, considera as orientações sobre o período de proibição de propaganda eleitoral confuso e vago. “Numa macro-escala, este ano a CAEAL quer ser mais rigorosa, mas em termos da implementação mais rigorosa de directrizes, não tem qualquer padrão. Muitos conteúdos são vagos e a CAEAL não teve em consideração os detalhes. Portanto, isto é confuso para os candidatos e para nós enquanto imprensa que reporta sobre os candidatos todos os dias”, explicou ao PONTO FINAL.

No seu entender, a imprensa não consegue evitar, a 100 por cento, entrevistar os candidatos sobre o seu programa político. “No geral, o programa político da maioria dos candidatos vai incluir todas as matérias. Como é que podemos evitar isso? A não ser que não os entrevistemos. Quando entrevistamos os candidatos, é claro, questionamo-los sobre a matéria na qual é especialista”, afirmou.

Kenneth Choi lançou o exemplo de Angela Leong, directora executiva da Sociedade de Jogos de Macau (SJM) e candidata às eleições: “Caso tenha de entrevistar Angela Leong, uma vez que ela é especializada no sector do jogo, o seu programa político vai incluir, com certeza, conteúdos relacionados com o sector. Outro exemplo é que todas as listas de candidatura vão incluir as questões dos transportes e da habitação no seu programa político – algumas com mais, outras com menos conteúdo: Como é que conseguimos evitar os seus programas políticos a 100 por cento? Se assim for, não dizemos nada.”

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