Ponte do Delta pode vir a ser a maior do mundo, mas há cinco projectos de investimento chinês que a ultrapassam

Macau, Hong Kong e Zhuhai estarão ligadas pela maior ponte do mundo no final deste ano, estimativa avançada por fontes oficiais. O processo de construção da estrutura fez-se longo. E entretanto a estratégia de investimento em infra-estruturas da China coloca à sua frente outros cinco grandes projectos.

 

Joana Figueira

joanafigueira.pontofinal@gmail.com

A conclusão da construção da Ponte do Delta do Rio das Pérolas está mais próxima, agora que a pavimentação da superfície do segmento principal foi concluída. Os trabalhos no tabuleiro, com um comprimento de 4700 metros, equivalentes a 80 por cento do total da extensão do principal segmento da ponte Hong Kong-Macau-Zhuhai, foram terminados no sábado, noticiou a BBC. Segue-se a instalação dos equipamentos de facilitação da circulação automóvel.

Para além de ser a maior secção daquela que vai ser a maior ponte sobre água do mundo, esta secção é também considerada a mais exigente em termos técnicos, já que a empreitada previa a inclusão de três zonas de travessia e de três canais de navegação, nomeadamente os de Jiuzhou, de Qingzhou e de Jiangzhou. Ainda que seja oficialmente denominada de ponte, a construção, salienta o China Daily, é na verdade uma série de infraestruturas que cruzam o estuário do Rio das Pérolas: seis quilómetros de túneis subaquáticos, pontes e várias ilhas artificiais, cerca de 30 metros acima da água.

Os engenheiros responsáveis pela obra depararam-se com condições complexas a nível geológico e topográfico. Porém, a ponte incorpora a tecnologia mais recente de engenharia e de design, que permite que a estrutura resista a um terramoto de nível 8 na escala de Richter ou a um tufão de grande intensidade. No caso da secção onde o asfalto acabou de ser aplicado, apresentará duas vias, cada uma com três faixas, que suportam tráfego mesmo com ventos de velocidade até 100 quilómetros por hora.

A nova estrutura exigiu atenção ao impacto ambiental no Delta do Rio das Pérolas, incluindo os corredores que sustentam a vida marinha. No caso do design da ponte, foram tidos em conta os canais do rio, a hidrologia e as rotas de navegação – está prevista a circulação de cerca de quatro mil barcos nas águas, servindo os portos espalhados pelo estuário – para garantir que o ecossistema natural não seja comprometido e os canais bloqueados.

Su Quanke, engenheiro-chefe da Autoridade da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, afirmou que a equipa que lidera superou mais de 80 obstáculos a nível técnico para construir uma base sólida para a ponte. “Todas as unidades principais são padronizadas e a produção é industrializada. A instalação pode ser implementada a larga escala, com detalhe”, disse em conferência de imprensa. Da mesma forma, a ponte dispõe de um sistema de controlo digital e a sua manutenção pode ser feita facilmente e de maneira eficiente.

Já Meng Fanchao, designer-chefe do projecto, apontou que a equipa de design procurou aconselhamento junto de especialistas de vários ramos, incluindo protecção ambiental, navegação, hidrologia, aviação, socioeconomia, engenharia de pontes, tecnologia de engenharia e meteorologia. A equipa acabou por escolher uma das doze propostas finais depois de complexa avaliação científica, disse ao China Daily Meng Fanchao.

Projecto pensado há 35 anos

O primeiro esquisso do projecto foi apresentado em 1983. O magnata Gordon Wu Ying-sheung foi o visionário que pensou a ponte como forma de acelerar a integração das duas margens do Rio das Pérolas. À época, Zhuhai encontrava-se ainda na fase inicial de desenvolvimento, vindo a tornar-se, na década de 1980, uma das primeiras zonas económicas especiais estabelecidas pelo Governo Central. Wu indicou na sua proposta que a cidade exigia uma melhor rede de transportes de ligação a Hong Kong.

Foi em 1997 que o potencial do plano foi visto pelas autoridades. O desenho inicial acabou por ser descartado e o projecto que se seguiu já previa a ligação entre Zhuhai e Macau, conectados ao Aeroporto Internacional de Hong Kong. Em 2009, depois de negociações entre as três partes, o plano final foi concluído e arrancaram as construções daquela que será, no final deste ano, a maior ponte do mundo.

Mas a Ponte do Delta do Rio das Pérolas ocupa apenas o sexto lugar (10 mil milhões de dólares americanos) dos maiores investimentos em projectos de infra-estruturas da China, que encara o investimento neste sector como o trilhar de um caminho no sentido de um crescimento económico mais forte.

A lista, feita pelo Business Review Asia, mostra que, em quinto lugar, está o “Wenchang Space Centre (HSLC)”, um centro de lançamento de aeronaves localizado a 800 metros do Mar do Sul da China, orçado em 12 mil milhões de dólares americanos. Segue-se, em quarto lugar, o caminho de ferro de alta velocidade “Harbin-Dalian”, no valor de 14 mil milhões de dólares americanos.

“Jiaozhou Bay Bridge”, na península de Shandong, ocupa o terceiro com um investimento de 16 mil milhões de dólares americanos. Em segundo lugar está o projecto do caminhos de ferro que liga Pequim, Xangai e Tianjin. No topo dos investimentos da China encontra-se o próprio Delta do Rio das Pérolas, que compreende 11 cidades incluindo Macau e Hong Kong. O valor do investimento nesta que é uma das áreas urbanas mais povoadas da China atingiu já os 322 mil milhões de dólares americanos.

 

1º Delta do Rio das Pérolas – 322 mil milhões de dólares americanos

É uma das áreas urbanas mais povoadas da China. O Delta do Rio das Pérolas abrange 11 cidades, incluindo as regiões de Hong Kong e de Macau. As cidades estão interligadas por uma série de túneis, pontes, estradas e auto-estradas. No ano passado, a população ultrapassou os 68 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de 1,3 triliões de dólares americanos. A previsão é de que a população atinja os 80 milhões de pessoas no ano de 2030 e o PIB 2 triliões de dólares americanos, ao mesmo tempo que a economia chinesa se transfere cada vez mais do sector da agricultura para os da produção e serviços. O Delta do Rio das Pérolas ocupa o mesmo espaço que Tóquio, capital do Japão.

 

2º Caminho-de-ferro de alta velocidade Pequim-Xangai – 35 mil milhões de dólares americanos

O projecto de ferrovia de alta velocidade mais longa do mundo faz a ligação entre três municípios: Pequim, Xangai e Tiajin. Ao mesmo tempo, conecta quatro províncias: Hebei, Shandong, Anhui e Jiangsu. Com 24 estações, esta rede ferroviária de alta velocidade é a rota mais movimentada, permitindo o acesso às áreas da China conhecidas pela indústria e pelo comércio. A circulação de carruagens de passageiros arrancou em 2011, após 38 meses de trabalhos de construção. São mais de 1,9 milhões aqueles que trabalharam na ferrovia de 1300 quilómetros, e o número de passageiros que viajam diariamente ultrapassa os 200 mil.

 

3º Ponte da Baía de Jiaozhou– 16 mil milhões de dólares americanos

A estrutura estende-se por cerca de 42 quilómetros sobre o mar. A Ponte da Baía de Jiaozhou está suspensa por um único cabo ao longo de toda a estrutura, desenhada para suportar ciclones ou sismos de magnitude 8. O projecto foi finalizado em 2011 e comporta, diariamente, mais de 300 mil veículos, ligando a parte antiga da cidade de Qingdao, na costa Sul da Península de Shandong, e o lado Oeste do distrito de Huangdao.

 

4º Caminhos-de-ferro Harbin-Dalian – 14 mil milhões de dólares americanos

A China atingiu outro recorde mundial com a construção da primeira rede ferroviária em região montanhosa, que opera a altitudes elevadas e a temperaturas extremamente baixas. Para aqueles que viajam no Inverno, o trajecto faz-se a uma velocidade mais lenta, 200km/h –; já para aqueles que se deslocam no Verão, a velocidade alcança os 300km/. Desde a inauguração em 2012, a média diária de passageiros situa-se nos 78 mil, sendo que a viagem entre as cidades de Harbin e Dalian faz-se agora em 4 horas, e não em 9 como anteriormente.

 

5º Wenchang Space Centre (HSLC) – 14 mil milhões de dólares americanos

O Centro Espacial de Wenchang é um dos dois locais de lançamento de aeronaves do Centro de Lançamento Espacial de Xichang. O projecto foi terminado em 2014 e situa-se a 800 metros do mar do Sul da China. Construído numa das partes subdesenvolvidas do município de Wenchang, o centro assume-se como o maior local de lançamentos espaciais da China, com capacidade para efectuar 12 por ano.

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