Quase 1 em 10 habitantes de Macau sofrem de depressão

Há mais doentes com depressão em Macau do que na China ou em Hong Kong, dizem os autores do primeiro estudo feito na RAEM

João Paulo Meneses

putaoya@hotmail.com

 

Em Macau, 8 por cento dos habitantes sofrem de depressão, de acordo com as conclusões do primeiro estudo epidemiológico sobre a prevalência da depressão na RAEM. “Este estudo mostra o fardo da depressão entre os adultos de Macau, que afecta mais as mulheres a sair da adolescência e as mais velhas e os homens durante a meia idade”.

O valor é considerado pelos autores elevado e comparável, por exemplo, aos 8,7 por cento dos Estados Unidos. Estudos da Organização Mundial de Saúde apontam para valores médios entre os 5,5 e os 5,9 por cento, dependendo de serem habitantes de países mais ou menos desenvolvidos. “As conclusões são impressionantes, já que sugerem uma prevalência mais alta em Macau do que na China ou em Hong Kong” (apesar de citarem também um estudo relativo a Hong Kong que aponta para 14,4 por cento, realizado pós-Occupy Central).

O estudo feito em Macau envolveu seis investigadores, três de Macau, dois dos Estados Unidos e um de Hong Kong, e foi liderado por Brian J. Hall, do Departamento de Psicologia da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Macau.

“A indústria do jogo em Macau tem vivido um desenvolvimento extraordinário, desde a transição. Para ajudar a preparar um plano de saúde, este estudo apresenta os primeiros dados sobre a depressão na população e relaciona-os”, segundo os autores do estudo “A epidemiologia da depressão actual em Macau: para um plano de acção de saúde mental” (The epidemiology of current depression in Macau, China: towards a plan for mental health action).

A partir de 1068 entrevistas telefónicas, a cidadãos chineses de Macau (os inquéritos foram conduzidos em cantonense, a residentes com 18 anos ou mais), realizados em 2015, os investigadores chegaram a diversas conclusões, agora publicadas na revista da Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology.

Uma delas é que as mulheres em Macau são mais vítimas desta doença do que os homens (9,3 por cento versus 6,6 por cento) e, limitados ao universo feminino, as mulheres mais velhas (65 anos ou mais) apresentam uma prevalência muito maior (13,4 por cento) do que qualquer outro grupo demográfico.

O estudo da equipa de Brian J. Hall chegou também à conclusão que os desempregados, separados ou divorciados têm mais probabilidades de sofrer de depressão que os grupos com os quais se podem comparar. A ‘regra’ aplica-se também àqueles que fazem uma má avaliação da sua própria saúde, aos que têm uma baixa qualidade de vida, uma menor posição social ou estão menos integrados socialmente.

Uma nota ainda sobre a validade das conclusões: os investigadores nesta área dividem-se entre os que defendem uma investigação directa e pessoal e os que apontam para os méritos das entrevistas telefónicas. Os autores do estudo que o PONTO FINAL está a citar dizem acreditar nas virtualidades desta última metodologia, dado “o relevante estigma social da doença mental entre os Chineses”.  

 

MEDIDAS

Os autores deixam claro que até ao momento da divulgação deste estudo (Junho deste ano) não tinha sido realizada qualquer investigação para avaliar a prevalência da depressão em todos os habitantes de Macau. Eles próprios citam duas pesquisas feitas na RAEM, mas, num dos casos (2010), relativo apenas a idosos e noutro, conduzido igualmente por Brian J. Hall em 2016, que concluiu que mais de 16 por cento dos idosos que residem em habitações públicas sofrem de depressão.

Daí que aproveitem para deixar sugestões às autoridades, já que, entendem, “é necessário um programa de epidemiologia psiquiátrica separado para Macau,” diferente do que existe em Hong Kong.

Para o justificar apresentam três factores: Portugal foi governado pelos Portugueses e Hong Kong pelos ingleses; Macau é a única região da China onde o jogo é permitido; é a região mais densamente povoada do mundo, mais do que Hong Kong. “Cada uma destas características únicas pode ter uma influência profunda na forma como a doença mental se desenvolve na população”.

Uma outra razão é o facto de a prevalência ser maior entre os idosos e Macau ter uma das mais elevadas taxas de longevidade do mundo. “Manter uma boa qualidade de vida entre os idosos deve ser uma prioridade de saúde”, dizem.

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