Coutinho acusa grupo de deputados “super-influentes” de apertar secretários

O legislador ligado à ATFPM não quis revelar os nomes, mas diz que há um grupo de deputados que são “super-influentes” e condicionam mesmo o desempenho de funções dos secretários do Governo.

João Santos Filipe

joaof.pontofinal@gmail.com

O deputado José Pereira Coutinho acusou ontem um grupo de deputados “super-influentes” de condicionar e apertar os actuais secretários do Governo da RAEM. O ataque foi feito durante uma conferência de imprensa, que contou igualmente com o deputado Leong Veng Chai, mas o legislador ligado à ATFPM recusou avançar com os nomes em causa.

“Existe uma meia-dúzia deles [deputados influentes] cá em Macau, que controlam isto. Se me disserem que estão ligados ao Chefe do Executivo ou aos cinco secretários, eu diria que estes deputados lhes dão um grande aperto. Os secretários são apertados por essa gente, mais do que nós [deputados]”, disse ontem José Pereira Coutinho.

“Eles são apertados e condicionam a actividade governativa. Alguns deles têm mesmo a possibilidade de terem voos mais altos”, frisou.

Pereira Coutinho não quis avançar com os nomes, mas neste momento os deputados que também são membros do conselho executivo são Leonel Alves, Cheang Cho Keong, Chan Meng Kam e Chan Chak Mo. Já Chui Sai Cheong é deputado e membro do Conselho dos Magistrados do Ministério Público.

O membro à Assembleia Legislativa falou igualmente de um ambiente cada vez mais restritivo sobre as liberdades dos legisladores, que diz ter sido bem visível com as propostas da Comissão de Regimento e Mandatos. O documento que foi aprovado com alterações pretendia proibir os deputados de exibirem cartazes.

“Não há uma concertação generalizada de todos os responsáveis e governantes [para a restrição das liberdades]. Não acredito nisso. Mas existe de facto um grupo que mantém essa posição de deputados super-influentes, que são ao mesmo tempo membros do Conselho Executivo e membros do Conselho de Indigitação dos magistrados”, explicou.

“Têm muito poder, muita influência e condicionam aquilo, a meu ver, e eu sinto isso todos os dias na minha actividade como deputado”, confessou.

 

Respostas do Governo questionadas

Outra das críticas prendeu-se com o facto da Comissão de Regimento e Mandatos não ter proposto alterações, que obrigassem os secretários a responder individualmente a cada pergunta dos deputados. Ao invés, os governantes têm assim o direito a responder, de uma vez, às questões colocadas por grupos de legisladores.

“Continua a existir o problema de possibilitar o Governo a esquivar-se às perguntas dos deputados, aquando dos plenários, porque podem responder em bloco às perguntas de quatro ou cinco deputados. Isto permite apenas escolher aquilo que de melhor há”, apontou.

“É de facto cada vez mais difícil exercer a função de deputado eleito, independente na Assembleia Legislativa. Os apertos são maiores. Quando a comissão de Regimento e Mandatos diz que é melhor (o Governo) responder em bloco às perguntas dos deputados, alguma coisa está mal”, reiterou.

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