Tropas chinesas devem “seguir inabalavelmente a liderança do Partido Comunista da China”, diz Xi Jinping

O Exército de Libertação Popular celebra hoje 90 anos desde a sua criação mas foi no passado domingo que se apresentou perante Xi Jinping numa demonstração do poder militar. O presidente chinês passou revista aos 12 mil soldados, a bordo de um jipe e envergando um uniforme militar. Às tropas ordenou uma preparação imediata para a batalha.

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Xi Jinping ordenou às tropas chinesas que devem “seguir inabalavelmente a liderança do Partido Comunista da China” durante as comemorações do 90º aniversário do Exército de Libertação Popular. O presidente chinês encabeçou a parada militar na base de treino em Zhurihe, Mongólia Interior, onde passou revista a 12 mil soldados e lhes indicou que devem estar preparados para combater e derrotar “todos os inimigos que ousem ofender” a República Popular da China.  A “mensagem clara e forte de demonstração de força” de Xi Jinping, assim entendida pelo politólogo Larry So, serviu também para “informar os países vizinhos, especialmente aqueles do Mar do Sul da China, e a Índia” de que o seu país está preparado para enfrentar qualquer desafio.

“Esta é uma mensagem muito clara para o mundo e também para Donald Trump a quem [Xi Jinping] diz ‘tu não és o único que tem um exército forte, nós também temos e estamos preparados’” disse So em declarações ao PONTO FINAL. Entre a artilharia apresentada no passado domingo encontra-se um míssil intercontinental – “Dongfeng-31 AG” – com um alcance de 11 mil quilómetros, capaz de atingir solo norte-americano.

A preparação para o combate foi também assumida pelo próprio presidente chinês, que apareceu perante as tropas com uniforme militar e dentro de um jipe de onde ouviu os soldados gritar: “Servir o povo! Seguir o partido! Lutar para vencer!”

“É uma tradição institucional ou emblemática; em termos comunicacionais é um símbolo do poder [que] reflecte como a China se vê, como uma grande país resgatado das humilhações históricas” considerou Arnaldo Gonçalves, especialista em ciência política e relações internacionais.

Os eventos que se desenrolaram em Zhurihe assumem para Arnaldo Gonçalves um carácter “curioso” porque “a zona da elite do poder com que ele [Xi Jinping] estava com mais dificuldades era exactamente os comandos do Exército Popular de Libertação”. O também presidente do Fórum Luso-Asiático explicou ao PONTO FINAL o processo de reestruturação das Forças Armadas em curso, que passa por um rejuvenescimento dos quadros e uma “remodelação das lideranças”. “É evidente que isso cria resistências com a aposentação forçada dos generais mais velhos e com a instalação de comandos novos; é evidente que a velha geração de militares sente que lhe tiraram o tapete” disse Arnaldo Gonçalves.

A parada foi também uma “confirmação” da centralização do poder político e militar e uma forma de Xi demonstrar que “internamente está com força” e que tem o apoio do Exército, considerou Larry So. “A mensagem enviada às diferentes facções é a de que [Xi Jinping] está a concentrar em si o poder e de que não haverá problemas se forem seguidas essas políticas de concentração (do poder)”.

Para Arnaldo Gonçalves, os eventos foram uma “tentativa de exibir a unidade nacional e a união das forças armadas à volta do líder como supremo chefe das forças armadas”. O especialista explicou que o processo de reestruturação do Exército encabeçado por Xi segue a linha de outros “grandes exércitos mundiais”, tais como a Rússia que “está a evoluir no sentido de comandos regionais integrados, [ou seja] não há uma separação entre exército terrestre, marinha e  aviação militar”.

Citado pelo South China Morning Post, Antony Wong Dong, presidente da Associação Militar Internacional de Macau, disse que “após cinco anos de reformas massivas e campanhas anti-corrupção que derrubaram dezenas, senão centenas, de líderes militares seniores, Xi pode agora apresentar um relatório ao público das coisas que mudaram durante a sua liderança.”

A tomada de posição de Xi Jinping antecede o 19º congresso do Partido Comunista que terá lugar no Outono e durante o qual serão decididos alguns dos cargos políticos mais relevantes. Será também nessa altura que se irão celebrar os primeiros cinco anos de Xi no poder, que assumiu funções como presidente em Novembro de 2012.

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