Macau sofre epidemia de burlas telefónicas

Polícia Judiciária reuniu-se ontem de emergência com os CTT e as operadoras de telecomunicações para tentar travar o fenómeno. Farsantes fazem-se passar por agentes das forças de segurança e levam vítimas a transferirem dinheiro para contas bancárias na China Continental.

E se um agente da autoridade desconhecido lhe oferecer um convite para fazer uma transferência bancária, isto é… burla! Foi esse, em linhas gerais, o aviso lançado ontem aos cidadãos de Macau pela Polícia Judiciária (PJ), no mesmo dia em que revelou os números de burlas telefónicas desse tipo que chegaram ao conhecimento das autoridades: só a PJ registou, no período entre 21 e 30 deste mês, 592 denúncias, sete das quais provocaram às vítimas prejuízos que ultrapassam no total 1,15 milhões de patacas.

O esquema é sempre o mesmo: a vítima recebe um telefonema com uma mensagem gravada a solicitar que carregue numa tecla para falar com uma funcionária dos Serviços de Migração de Pac On. Pouco depois, uma mulher transmite, em cantonês, que o seu nome está envolvido num caso de polícia na China Continental e que, por isso, tem de pagar um determinado montante como caução para evitar mais chatices. A chamada é depois transferida, alegadamente, para a polícia do outro lado da fronteira, de onde um “agente” explica, em mandarim, como se deve processar o pagamento.

“Algumas vítimas mais ingénuas têm medo e acabam por pagar o que lhes é pedido”, explicou Tam Weng Keong, da chefia funcional da PJ, ontem, durante a habitual conferência de imprensa conjunta com a Polícia de Segurança Pública (PSP) em que são relatadas as ocorrências do fim-de-semana.

 

Os números do surto

 

E as estatísticas falam por si: entre terça-feira e domingo, a PJ registou 401 denúncias deste tipo de crime, com destaque para uma na quinta-feira de um caso que provocou à vítima um prejuízo de 800 mil yuans (956 mil patacas). A PSP, por seu turno, tomou nota de 271 ocorrências entre sexta-feira e sábado (só no sábado foram 154), das quais 13 foram transferidas para a PJ. E os Serviços de Alfândega receberam mais de 40 chamadas no mesmo período para consultas relativas a esse tipo de crime.

Perante esta realidade, chefes de várias divisões da PJ estiveram reunidos de urgência ontem na sede dos Correios com o chefe da Divisão de Normas e Técnicas dos CTT e representantes das várias operadoras de telecomunicações – CTM, China Telecom, Hutchison e Smartone – com o objectivo de estudarem formas de identificar os números telefónicos que os burlões usam, bem como estratégias para prevenir e combater a burla telefónica.

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