CSI: Macau

As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

 

Ganância e ingenuidade de doméstica

Originária das Filipinas, M. é uma empregada doméstica que, como tantas outras, tem de se apresentar regularmente nos Serviços de Migração de Pac On, para tratar das formalidades do seu visto de trabalhadora não-residente. Distraída por natureza, da última vez que lá foi acabou por deixar cair junto à paragem de autocarro o saco onde levava o passaporte, o recibo que acabara de receber dos Serviços de Migração, um documento dos Serviços Laborais e ainda 50 patacas.

Só deu pela falta quando recebeu uma chamada da pessoa que havia encontrado o saco – por sorte (ou seria azar?), também ela uma empregada doméstica, esta de origem vietnamita. H. dizia que não se importava de devolver o pacote, mas queria uma gratificação de 100 patacas pela chatice. M. lembrou-se de que tinha 50 dentro do saco e achou que, por mais 50, o preço era justo para evitar o transtorno de ter de tratar da papelada toda outra vez.

Combinaram encontrar-se na Praça do Tap Seac, junto à biblioteca. Mas, ao chegar ali, H. já havia mudado de ideias. Achava agora que 500 patacas era um preço mais ajustado, dado o valor do conteúdo. M. não discutiu, mas pediu mais tempo porque apenas levava 100 consigo e precisava ir levantar o resto. Acertaram outro encontro para mais tarde, o que deu tempo para M. cair em si e concluir que aquilo não estava certo. Resolveu fazer uma denúncia à PSP.

Quando voltaram a encontrar-se, horas depois, H. recebeu uma nota de 500 e a primeira coisa que M. fez ao abrir o saco, foi ver que a nota de 50 tinha desaparecido. Ainda reclamou daquela falta de honestidade extra, mas entretanto os agentes da polícia à paisana revelaram-se e detiveram a mulher que, assustada, ainda jurou que não tinha nada a ver com aquilo e que apenas estava a fazer um favor a uma amiga. Foi encaminhada ao Ministério Público e teve de responder pelos crimes de extorsão e apropriação ilegal de coisa achada.

 

Guarda furtado

Vigilante de serviço num Edifício da Avenida Tamagnini Barbosa, G. é obrigado a passar várias horas seguidas de plantão, no hall de entrada do prédio. As necessidades fisiológicas é que, às vezes, não ajudam. Na quinta-feira, por volta das 13h30, estava tão aflito que largou tudo – incluindo o telemóvel em cima da mesa – para ir aliviar a bexiga.

Voltou alguns minutos depois para o seu posto e não encontrou mais o aparelho, que lhe havia custado 3500 patacas. Tinha a certeza de o ter deixado em cima da mesa, pelo que resolveu assistir às gravações das imagens captadas pelas câmaras de videovigilância, ao mesmo tempo que apresentou uma denúncia à PSP.

Reconheceu perfeitamente D., um morador do prédio de cerca de 20 anos, que aparecia nas gravações a surripiar o telemóvel. Os agentes da polícia, que entretanto chegaram, puderam confirmar o crime nas mesmas imagens e foram, a seguir, bater à porta do apartamento onde morava o jovem. Atendeu a mãe, que pediu clemência, alegando que o rapaz sofria de deficiência mental de grau intermédio.

Deficiente ou não, assim que chegou a casa o jovem teve de se explicar à polícia. Contou que já havia vendido o telemóvel por mil patacas e gastado todo o dinheiro num lanche e em diversões.

 

Trapaça a quadruplicar

Adrenalina, para B., nunca é demais numa mesa de jogo. Por isso é que, na terça-feira passada, a jogadora inveterada aceitou as condições de empréstimo super-arriscadas que lhe apresentou um homem que lhe havia sido indicado por uma mulher que conheceu a jogar nos casinos de Macau apenas três dias antes: o prémio de cada aposta ganha era multiplicado pelo agiota por quatro. Se perdesse, o que seria multiplicado por quatro era o montante da dívida.

Para a primeira aposta, pediu um empréstimo de 10 mil dólares de Hong Kong. Jogou e ganhou 475 dólares de Hong Kong, que o credor transformou imediatamente em 1900 dólares de Hong Kong (475 x 4) para ela.

Entusiasmou-se e pediu a seguir 20 mil dólares de Hong Kong. Só que, desta vez, perdeu tudo e acabou por ter de pagar 80 mil ao agiota.

Voltou para a China a sentir-se enganada por ter sido levada a perder tanto dinheiro. Por isso, apresentou queixa na PJ, que acabou por interceptar e deter o indivíduo, que teve de responder pelos crimes de usura e burla.

O branco não engana

Branco de medo foi como ficou o jovem T. quando os agentes da PSP, envolvidos numa operação “stop” na Rua Manuel Arriaga no domingo por volta das 2h30, mandaram parar o táxi em que seguia como passageiro. Branca era também a cor do pó distribuído por uma dúzia de saquinhos plásticos que a polícia encontrou enrolados num lenço que trazia ao seu lado.

Já fora do táxi, o rapaz de 20 anos foi submetido a revista e havia ainda muito mais pó branco por ser descoberto: a polícia encontrou nos seus bolsos três sacos maiores, contendo entre si 80 saquinhos, e ainda mais um perdido num dos bolsos. No total: 93 saquinhos transparentes contendo 33,8 gramas de cocaína.

Perante tamanho flagrante, T. decidiu que não valia a pena estar a inventar desculpas e contou tudo aos agentes: tinha adquirido o material em Hong Kong e trazido para Macau para revender. Cobrava por cada saquinho 500 patacas e ficava com 80 patacas de lucro. Transportado para o hospital para ser submetido a exame toxicológico, acusou positivo ao consumo da mesma substância.

Foi por isso presente ao Ministério Público e julgado pelos crimes de tráfico e consumo ilícito de estupefacientes.

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