“Orientes do Português”: a nova revista científica do Instituto Politécnico de Macau

O Instituto Politécnico de Macau vai lançar uma revista científica que pretende colmatar a falta de publicações em português a Oriente. O coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa, Carlos Ascenso André, revelou ainda a realização de um colóquio sobre Camilo Pessanha, em Novembro, para assinalar os 150 anos do nascimento do poeta.

O Instituto Politécnico de Macau (IPM) vai lançar, no final do próximo ano, o primeiro número da revista “Orientes do Português”, uma publicação científica nas línguas portuguesa e inglesa. A notícia foi avançada ontem por Carlos Ascenso André, coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do IPM, naquele que foi o último dia do XII Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas. A publicação pretende colmatar a falta de revistas científicas em português no Oriente e é uma “prenda para os professores chineses que ensinam português no interior da China”.

A ideia já vinha a ser pensada “há bastante tempo mas precisou de ser amadurecida” antes de ser apresentada ao Conselho de Gestão de IPM. Cada edição terá entre 15 a 20 artigos distribuídos por 200 a 250 páginas e seleccionados por um conselho científico de pares anónimos. Adicionalmente, cada número incluirá ainda um artigo em chinês.

“É preciso ler nas entrelinhas dos inquéritos. Este pedido já vinha a ser feito há muito tempo pelos docentes de português que trabalham no interior da China” contou Carlos Ascenso André em declarações aos jornalistas. “Eles têm consciência que para progredir na carreira académica é preciso currículo e nós, professores universitários, temos de publicar.”

Em Setembro terá início o período de contribuições para a revista, que serão depois revistas pelo conselho científico de 20 a 30 académicos. Para o efeito, será utilizada a “Plataforma 9”, o portal cultural do mundo de língua portuguesa promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Associação Internacional de Lusitanistas.  Carlos Ascenso André indicou ainda que o IPM espera que a revista “rapidamente ganhe reconhecimento por parte da comunidade científica” e que seja indexada na China, precisando de ter “qualidade assegurada”. De forma a conquistar um alcance mundial, “Orientes do Português” terá uma edição digital e em papel.

 

AINDA “HÁ MUITO A DIZER” SOBRE CAMILO PESSANHA

“Então e a comunidade científica? Já não há nada a dizer sobre Camilo Pessanha?” Foi esta questão, levantada pelo escritor e editor Carlos Morais José a Carlos Ascenso André, que o motivou a organizar, em Novembro, um congresso científico por ocasião dos 150 anos do nascimento do poeta. “Isso não pode ser verdade porque um escritor, um poeta, quando já não há nada a dizer sobre ele, quando alguém diz ‘esgotou-se, não temos mais nada a dizer’, então matámo-lo” respondeu o académico.

Carlos Ascenso André considera que sobre Camilo Pessanha ainda “há muito a dizer”, razão que motivou a organização deste congresso científico. O primeiro orador confirmado é José Carlos Seabra Pereira, “o maior especialista na área do simbolismo” diz o académico, acrescentando que este é o movimento a que pertence Pessanha.

“O que é espantoso é que ao fazer a sondagem em Macau tive respostas positivas e imediatas em todas as instituições onde há pessoas a ensinar literatura portuguesa” contou Carlos Ascenso André. A receptividade que obteve significa que se irá realizar um colóquio “com tudo o que há de melhor em Macau”.

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