Pequim culpa pressão internacional por testes balísticos norte-coreanos

As pressões a que Pyongyang está sujeita da parte da comunidade internacional estão, no entender de Pequim, na origem dos testes balísticos conduzidos pelas autoridades de Pyongyang. A teoria é do Governo chinês, que considera que a desconfiança de países terceiros forçou a Coreia do Norte a optar por uma posição abertamente belicista.

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O Governo chinês afirmou esta quinta-feira que foi a “pressão de terceiros” que forçou a Coreia do Norte a multiplicar, este ano, os seus testes com mísseis balísticos, face aos rumores de que Pyongyang pode efectuar um novo ensaio.

“Após tantos anos, o problema na península coreana poderia resolver-se através do diálogo e consultas, mas devido às pressões e suspeitas de terceiros países, a Coreia do Norte foi obrigada a realizar testes balísticos”, disse o porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros Lu Kang.

Desde o início deste ano, num período de crescente tensão entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos da América, Pyongyang efectuou onze provas com mísseis: “A China não é culpada das raízes deste problema e estamos sempre comprometidos em trabalhar com a comunidade internacional para o resolver adequadamente, via diálogo e negociações”, afirmou Lu.

As declarações de Lu Kang surgem um dia depois de este ter criticado as sanções unilaterais do Congresso norte-americano a Pyongyang, que Pequim teme que afectem indirectamente empresas chinesas, visto que a República Popular da China é o maior parceiro comercial do país governado por Kim Jong-un.

A declaração de Lu Kang foi feita depois da ministra dos Negócios Estrangeiros da Austrália ter instado Pequim a fazer mais para conter o programa balístico e nuclear da Coreia do Norte e alertou para a possibilidade de um iminente novo teste com mísseis.

No início do mês, Pyongyang testou com êxito o primeiro míssil balístico intercontinental, capaz de alcançar alguns pontos dos Estados Unidos e do norte da Austrália.

Julie Bishop afirmou que a Austrália apoia a iniciativa dos Estados Unidos para que a China reveja a política de sanções contra a Coreia do Norte e assegurou que Pequim pode fazer muito mais, devido ao peso como principal parceiro comercial de Pyongyang: “A República Popular da China é o principal apoio financeiro da Coreia do Norte e tem muito mais influência sobre a Coreia do Norte do que aquilo que reconhece”, afirmou Bishop, numa entrevista à emissora ABC. “[As sanções chinesas] teriam muito mais impacto pela profundidade da implicação financeira na Coreia do Norte”, acrescentou.

Bishop assegurou que a Austrália dispõe de informação sobre a possibilidade de a Coreia do Norte realizar um novo lançamento de mísseis, coincidindo com a comemoração do Dia da Vitória, que ontem assinalou o fim da Guerra da Coreia (1950-53).

A ministra australiana disse que o seu país encara seriamente a ameaça do regime de Kim Jong-un, trabalhando com outros países para garantir a paz e a estabilidade na península coreana: “Uma Coreia do Norte com capacidade nuclear de médio ou longo alcance seria muito desestabilizador para toda a região e suporia não só uma ameaça para a região, como para o mundo inteiro”, afirmou.

 

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