Helder Macedo: “Há uma série de impossibilidades que estão realizadas por este país, neste território”

Helder Macedo esteve por estes dias em Macau para participar no XII Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas, da qual é presidente honorário. O reconhecimento das potencialidades económicas da língua portuguesa, o papel dos académicos chineses no ensino do português e a lógica de funcionamento dos prémios literários em Portugal foram alguns dos temas abordados pelo ensaísta em entrevista ao PONTO FINAL.

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Fotografias de Eduardo Martins

Poeta, ensaísta, romancista. Helder Macedo foi primeiro um exilado no seu próprio país nos tempos da ditadura salazarista, período que ficou marcado pela sua ligação indissociável ao grupo do Café Gelo. Anti-fascista convicto, seria a campanha protagonizada por Humberto Delgado, o “General sem Medo” que o levaria a exilar-se fisicamente no Reino Unido, não sem antes ser preso pela PIDE, a Polícia de Intervenção e Defesa do Estado. Seria em Inglaterra – mais precisamente no King’s College – que iniciaria os seus estudos de doutoramento e também onde daria os primeiros passos como professor. Os anos de dedicação à instituição mereceram-lhe o título de professor emérito.

Helder Macedo esteve no território por estes dias, para tomar parte no XII Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas, da qual é presidente honorário. No evento, que termina hoje, participaram pela primeira vez académicos chineses que vieram ajudar os investigadores europeus a entender a sua própria língua através de uma perspectiva puramente oriental.

 

Com Macau a assumir o papel de plataforma para os países de língua portuguesa, o português merece uma maior atenção por parte da China, mas a sua importância parece reflectir-se apenas na sua vertente económica. Neste contexto considera que a literatura portuguesa, por exemplo, está a ter o seu espaço devido?

 

Helder Macedo: A importância cultural de uma língua depende em grande parte da importância política e económica dos países dessa língua, não é uma coisa que possa ser separada inteiramente. Sem dúvida nenhuma que o que está a acontecer e – especialmente na China, que eu acho notável e muito importante para as culturas de língua portuguesa – é o terem reconhecido o potencial da língua portuguesa como uma língua veicular paralela à grande língua da globalização que é a língua inglesa. Os chineses, obviamente, estão conscientes do facto de que, em termos de expansão universal, a terceira língua europeia é a língua portuguesa: inglês, espanhol, português. Com uma diferença em relação ao espanhol, que está concentrado essencialmente na América Latina, enquanto que o português tem três, quatro pisos. Tem a sua base europeia, tem o Brasil que é um enorme país – é o enorme país da América Latina – e, evidentemente, os países africanos e agora também a dimensão oriental que está a ser dada sobretudo pela China. Até porque, quanto a mim erradamente, os indianos não aproveitaram o facto de terem podido usar a língua portuguesa como uma língua veicular da sua economia e da sua cultura. Nisso Macau e a China são exemplares.

 

Um factor indicado pela esmagadora maioria dos alunos chineses que estão a aprender português é quase sempre a questão económica …

 

H.M.: Exactamente. Mas isso é inevitável. Acho muito bem que se comece pela economia porque depois por arrastamento as pessoas vão querer ler e entender as culturas, seja ela a brasileira, seja a portuguesa, seja a angolana. Isso vem a seguir.

 

Mas já chegamos a esse ponto em que esse fenómeno de arrastamento já está a acontecer? Os chineses já começaram a olhar para lá das potencialidades económicas da língua portuguesa?

 

H.M.: Eu não sei o suficiente do que está a acontecer na China para poder responder. Se não está a acontece, acho quase inevitável que venha a acontecer. Depois de estabelecida a língua as pessoas vão ter curiosidade em relação à cultura que levou a essa língua. Por outro lado, o que aconteceu um bocadinho, julgo eu, é que o uso do português em Macau era mais ou menos restrito a uma comunidade pequena e era mais cultural do que económico. Essa dimensão cultural não vai desaparecer mas poderá haver uma inversão de ênfase que não vai destruir a componente cultural. Pelo contrário, vai alargá-la.

 

 

“A IMPORTÂNCIA CULTURAL DE UMA LÍNGUA DEPENDE EM GRANDE PARTE DA IMPORTÂNCIA POLÍTICA E ECONÓMICA DOS PAÍSES DESSA LÍNGUA, NÃO É UMA COISA QUE POSSA SER SEPARADA INTEIRAMENTE”

 

Hélder Macedo

Quando surgiu a possibilidade de o presente congresso ser realizado aqui em Macau, outra das possibilidades levantadas era a da iniciativa decorrer em Goa …

 

H.M.: Sim, queríamos fazer o congresso no Oriente, depois de termos feito em vários outros países e em vários continentes e os locais mais óbvios eram evidentemente Goa ou Macau. Eu, muito enfaticamente, e os meus colegas aceitaram que se devia dar, sem dúvida nenhuma, precedência a Macau.

 

E que razões foram apontadas?

 

H.M.: O facto de a China reconhecer a importância da língua portuguesa, estar a investir na língua portuguesa, por razões económicas, por razões próprias, enquanto que a Índia destruiu virtualmente a língua portuguesa em Goa. Havia uma penetração muito maior, não só em termos de extensão, como em termos de profundidade da língua portuguesa em Goa e em 50 anos foi virtualmente destruída. É que não foi destruída em termos de nacionalismo. Ou seja, o uso do português não foi substituído pelo desenvolvimento do “concanim” ou do híndi, se fosse o caso. Foi substituído pelo inglês, que é outra língua colonial. Quer dizer, substituíram uma língua colonial, por razões ideológicas contra o colonialismo por outra língua colonial, ainda mais colonial. Isto, eu acho que tem um bocado a ver com o facto de a Índia, como país moderno ser um produto do colonialismo britânico. Era uma série de pequenos estados que foram unidos artificialmente e portanto tem essa língua veicular, que é a língua inglesa, mas que é a língua do colonialismo. Enquanto que a China tem uma existência como país unitário muito anterior aos estados-nação da Europa. Portanto, tem uma integridade própria que pode utilizar a diferença como veículo próprio. Isso serve a China, é um bom instrumento para a China, mas beneficia culturas como a cultura portuguesa.

 

Os membros da Associação Internacional de Lusitanistas são na sua maioria de países lusófonos. Têm o português como sua língua nativa ou, então, têm na sua base as línguas românicas. Sendo a primeira vez que participam no congresso académicos da Ásia e mais concretamente da China, que novas abordagens é que eles vieram trazer? 

 

H.M.: Esse era precisamente um dos elementos que nós, ao pensarmos em realizar este congresso em Macau, queríamos. Queríamos trazer esse elemento cultural. Esse elemento cultural e linguístico, porque as relações entre as línguas românicas são fáceis de estabelecer mas quando estamos a falar em códigos linguísticos tão diferentes como é o chinês, o mandarim e o português estamos a pensar de maneira diferente. A ideia de internacionalização de cultura, através da língua, tem de ser precisamente em termos da possibilidade de comunicação, de como é que se pode ensinar português a quem tenha apenas uma base de chinês. Cria problemas para os europeus impensáveis. Essa contribuição é fundamental porque vem da experiência local, da docência chinesa e partindo da docência chinesa como chegar às outras culturas. É exactamente a inversão dos processos antigos coloniais em que as línguas europeias chegavam e impunham-se ou procuravam impor-se politicamente. Aqui, nós estamos, pelo contrário, a querer que as línguas orientais – neste caso o chinês – nos ajudem a entender a nossa própria língua. Há portanto um desejo de intercâmbio nesse aspecto e essa é uma das dimensões mais importantes deste congresso.

 

 

“A IDEIA DE INTERNACIONALIZAÇÃO DE CULTURA, ATRAVÉS DA LÍNGUA, TEM DE SER PRECISAMENTE EM TERMOS DA POSSIBILIDADE DE COMUNICAÇÃO DE COMO É QUE SE PODE ENSINAR PORTUGUÊS A QUEM TENHA APENAS UMA BASE DE CHINÊS. CRIA PROBLEMAS PARA OS EUROPEUS IMPENSÁVEIS”

 

 

Considera que é necessário repensar a lógica de funcionamento dos prémios literários em Portugal?

 

H.M.: Os prémios literários deviam ser um incentivo a quem precisa de ser incentivado. Acho que devia haver, senão uma lei, pelo menos a prática de dar prémios literários aos que não são conhecidos. Estar a dar prémios literários a pessoas que têm uma obra vasta, reconhecida, publicada e que já teve muitos prémios é um desperdício. Deixa de ser um incentivo e passa a ser uma espécie de salário alternativo, isso é absurdo. Deve ser de facto para incentivar. Mencionei ontem o Prémio Leya que é um prémio importante porque as obras são apresentadas anonimamente quando são julgadas. Mas isso acontece não apenas em Portugal: acontece na Inglaterra, acontece em toda a parte. Em Portugal se calhar um pouco mais notavelmente porque é um meio mais pequeno em que são sempre os mesmos a ter os prémios. Há uma dúzia que estão no júri e dão prémios, depois saem do júri e recebem o prémio, é absurdo. Deixa de ser um incentivo, deixa de ser uma maneira de chamar a atenção do público para um escritor ou escritora que não conheciam mas apenas uma confirmação daquilo que já se sabia.

 

Outra das questões levantadas durante a mesa redonda dos escritores que decorreu durante o Congresso e que foi praticamente o fio condutor da conversa entre os escritores foi a questão do exílio…

 

H.M.: É verdade. Surgiu, que era aquilo que eu não tinha de algum modo previsto. Enfim, todos os meus colegas que estavam na mesa tinham esse elemento do uso da história e de personagens para a ficção. O que foi muito interessante é que surgiu precisamente pelo discurso deles: a ideia do exílio sobretudo do exílio interior, o exílio no seu próprio país, o exílio na sua cultura que tem a ver um bocado com a solidão criativa de cada escritor porque no fundo a escrita é um acto solitário.

 

Foi interessante notar que o exílio representa para cada um dos autores coisas inteiramente diferentes. João Paulo Borges Coelho referiu que para ele o português era “algo fantasmagórico”, devido à distância geográfica com que viveu da sua própria língua, por ter crescido em Moçambique. 

 

H.M.: E vive num país em que a língua oficial é o português, mas há uma dúzia de línguas nacionais africanas que nem literatura escrita têm. Têm outras tradições, outras culturas, a tradição oral que é uma forma de literatura mas não há a literatura escrita e é completamente diferente do problema do chinês, que é uma tradição escrita. A Ana Miranda falou também de como ela usou as personagens do Gregório de Matos e do António Vieira escrevendo sobre isso mas sendo também um acto de resistência em relação à ditadura brasileira. Ao ser isso a pessoa está de algum modo a dissociar-se do próprio regime sobre o qual vive e o mesmo aconteceu com a minha própria geração em Portugal, durante o período da ditadura em que nós e outros sentíamo-nos exilados no próprio país.

 

O professor Helder Macedo viveu assim ambos os exílios, ainda no seu próprio país e depois quando foi para o Reino Unido…

 

H.M.: E aí a diferença é que enquanto eu não podia voltar a Portugal, eu sentia-me e era um exilado. A partir do momento em que eu pude voltar a Portugal, mesmo não voltando, já não era um exilado. Era uma escolha, era um residente noutro país. Não me tinham tirado o meu solo e no fundo o exilado é isso: é um sentido de diferença, de alienação e de antagonismo com aquilo que o rodeia.

 

 

“A PARTIR DO MOMENTO EM QUE EU PUDE VOLTAR A PORTUGAL, MESMO NÃO VOLTANDO, JÁ NÃO ERA UM EXILADO. ERA UMA ESCOLHA, ERA UM RESIDENTE NOUTRO PAÍS. NÃO ME TINHAM TIRADO O MEU SOLO E NO FUNDO O EXILADO É ISSO: É UM SENTIDO DE DIFERENÇA, DE ALIENAÇÃO E DE ANTAGONISMO COM AQUILO QUE O RODEIA.”

 

 

Numa conversa que teve há relativamente pouco tempo com o escritor João Paulo Borges Coelho, em Maputo, levantou a questão de este autor escrever em português num país onde esta língua não é falada pela maioria da população…

 

H.M.: O que é uma coisa um bocado provocatória, porque isso foi dito precisamente com um público moçambicano eas autoridades e eles ficaram um bocado inquietos, mas é um problema sério.

Hélder Macedo

E que desafios é que tal constatação traz aos escritores que escrevem em português?  Até pelo facto de o ter dito perante uma plateia onde estavam presentes dirigentes políticos?

 

H.M.: Reagiram bem a essa pergunta que não foi uma provocação, é uma pergunta genuína. Aí voltamos um bocado à ideia de lusofonia e dos leitores, porque ao escrever em Moçambique numa língua que não é necessariamente lida localmente mas é lida universalmente, o público leitor expandiu-se, saiu daquele território, ao mesmo tempo que o facto dele ser um escritor moçambicano está a trazer Moçambique, com a sua especificidade, para um contexto universal. Há uma mais valia nesse aspecto e voltamos também ao problema da importância económica que de algum modo precede a importância cultural. À medida em que um país como Moçambique, ou como Angola, for enriquecendo e houver mais acesso à economia, à política, haverá também maior acesso à cultura. Esses escritores escrevem agora para uma minoria de leitores em Moçambique, têm um público futuro potencial muito maior. Sem prejuízo, obviamente – e isto é um problema muito mais complicado – das culturas tradicionais africanas. Aí é que eu tenho problemas de ordem ideológica quando eu penso, por exemplo, que as línguas ameríndias desapareceram virtualmente do Brasil como língua literária. Estamos assim num equilíbrio extremamente difícil entre um desenvolvimento cultural veiculado pela língua portuguesa e a potencial destruição das línguas e culturas locais. É um problema diabólico. É necessário haver uma vontade intelectual e política de manter a diferença. Isso é a diferença entre uma atitude colonialista de imposição de uma língua única ou uma posição culturalmente pluralista e, portanto, democrática da coexistência de várias línguas e culturas. Eu sou pela coexistência, claro.

 

Se nos restringirmos ao universo lusófono, diria que existe um cruzamento e conhecimento mútuo entre as diferentes literaturas dos vários países? 

 

H.M.: Não tanto quando devia. Curiosamente, eu acho que os portugueses lêem alguns autores africanos mas não lêem o suficiente autores brasileiros. Os autores portugueses são mais estudados nas universidades brasileiras do que os brasileiros são estudados nas universidades portuguesas, o que é mau porque a literatura brasileira é extremamente rica e os portugueses lêem pouco os brasileiros. Mas os africanos tendem a publicar em Portugal, até porque não há editoras suficientemente poderosas nos países africanos.

 

E também por o seu público estar maioritariamente em Portugal e não nos países onde escrevem?

 

H.M.: Exactamente. Mas isso também não é mau porque no caso de Borges Coelho é um homem que teria acesso em todo o caso às editoras portuguesas. Mas os escritores moçambicanos mais jovens e nascidos e criados em Moçambique vão ter acesso, em grande parte, porque escritores como Borges Coelho ou como Mia Couto abriram as portas. Isso foi uma coisa que eu notei em Moçambique e achei extremamente interessante. Há uma nova geração de escritores, meninas e meninos, sobretudo rapazes de 30 anos que têm uma atitude totalmente diferente do que a atitude das gerações anteriores. Para eles já não é uma literatura de afirmação política, anti-colonialista, estão já a pensar noutros termos. Já nasceram dentro da independência política e de algum modo cultural. Os problemas que se põem são de ordem diferente, já não é o anti-colonialismo, anti-Europa, a celebração do nacionalismo, estão noutra.

 

Assiste-se então ao nascimento de novas temáticas. Apenas em Moçambique?

 

H.M.: Em Moçambique eu vi. Em Angola eu desejo que também esteja a acontecer. Mas Angola tem outros problemas porque houve de facto conflitos de gerações muito mais intensos.

 

Estas novas vozes, disse, são essencialmente jovens rapazes. Qual é o papel das mulheres na expansão destas literaturas?

 

H.M.: Terá de ser fundamental porque é metade da população, é gente culta e aí tem uma perspectiva cultural fundamental como aliás está a acontecer felizmente e finalmente na Europa. Quanto a mim, a literatura mais interessante que está a ser escrita, que está a ser praticada em Portugal por jovens escritores, a grande maioria dos escritores que me interessa são mulheres: gente criativa, notável, muito interessante, muito inovadoras a todos os níveis, quer ao nível literário e até ao nível da afirmação cívica e até da afirmação sexual, através da sua literatura, com uma imensa liberdade e isso é admirável e é fundamental. Nos países africanos os problemas põem-se de outra ordem. No entanto, também se nota que nos países africanos muitas vezes as posições políticas importantes, ou pelo menos a nível médio, são ocupados por mulheres. Mas aí deve significar, julgo eu, que o acesso à cultura é de pouca gente e aí o facto de ser mulher deixa de ser um problema porque antes mulher que inculto. Não há de facto uma voz assumida ou uma voz consentida do feminino do mesmo modo que felizmente está a acontecer no mundo ocidental europeu e americano.

 

 

“É NECESSÁRIO HAVER UMA VONTADE INTELECTUAL E POLÍTICA DE MANTER A DIFERENÇA, ISSO É A DIFERENÇA ENTRE UMA ATITUDE COLONIALISTA DE IMPOSIÇÃO DE UMA LÍNGUA ÚNICA OU UMA POSIÇÃO CULTURALMENTE PLURALISTA E PORTANTO DEMOCRÁTICA DA COEXISTÊNCIA DE VÁRIAS LÍNGUAS E CULTURAS.”

 

 

Porque é que Macau é para si uma “metáfora irreal”?

 

H.M.: Este é um território que não devia ser possível. Uma economia baseada numa coisa tão precária como o jogo. Com base nisso criaram, tanto quanto eu consigo ver, uma sociedade em que a assistência social é extraordinária, as pessoas têm mais saúde do que noutros sítios, têm pensões pelo facto de serem residentes, têm participação nos lucros dos casinos, têm uma expectativa de vida altíssima, o nível de alfabetizados é altíssimo. Portanto, criou-se quase um estado de utopia baseado naquilo que em princípio devia ser corrupção. É ou não é, não sei se é ou não, mas de qualquer maneira foi regulamentado e utilizado pelo estado como um factor positivo. Depois chegamos aqui e temos a coexistência da extraordinária metáfora de haver uma igreja que é só uma fachada, está lá a verticalidade da fachada que foi preservada e é absolutamente extraordinário. Nesta acumulação arquitectónica em que temos lado a lado prédios neutros, onde as pessoas vivem, e prédios totalmente absurdos como o hotel em forma de lótus dourado. É um “kitsch” levado a um extremo tal que se torna engraçado. Temos a imitação amplificada de Las Vegas, o hotel Veneza com chineses em gôndola a cantar o “O Sole Mio”. É louco. Conquistaram ao mar o equivalente ao que era o tamanho de Macau: também é impossível. Há uma série de impossibilidades que estão realizadas por este país neste território. É incrível. Os restaurantes onde cozinheiros chineses que não falam português para uma clientela chinesa que não fala português vai comer bacalhau à Braz e ensopado de borrego à alentejana. É surreal.

 

CVN

 

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