Chan Hong pede ao Governo uma solução para o tratamento de águas residuais

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Eleita pela via indirecta, a deputada Chan Hong instou esta quinta-feira o Governo de Macau a “acelerar a construção de infra-estruturas para resolver adequadamente o tratamento de águas residuais”.

“Como ainda temos de esperar muito tempo pela conclusão da nova ETAR [Estação de Tratamento de Águas Residuais], o Governo deve resolver com todo o rigor, os problemas da actual ETAR, e definir, quanto antes, soluções de contingência e melhorias, a fim de resolver as dificuldades”, disse Chan Hong, numa interpelação no período antes da ordem dia na Assembleia Legislativa.

Esta semana foram realizadas obras na ETAR da Península de Macau para a substituição do emissário de efluentes, numa intervenção em dois períodos de 12 horas, em que as águas residuais foram lançadas directamente para o mar: “Por causa deste incidente, a população voltou a centrar a sua atenção na optimização da ETAR. Os moradores da vizinhança estão preocupados com o eventual agravamento do mau cheiro da água do mar nas proximidades, e também com a manutenção quotidiana da ETAR”, afirmou Chan Hong.

A deputada considerou que “ao longo dos anos, os serviços públicos têm arrastado a situação, isto é, só procedem a pequenas reparações”, o que, na sua opinião, impossibilita a resolução dos problemas.

“A actual forma de tratamento das águas residuais na Península de Macau já resultou na acumulação de lama na parte costeira da Areia Preta, no mau cheiro que incomoda há anos os moradores das proximidades, e na poluição das áreas marítimas ao redor”, acrescentou.

No final da obra realizada esta semana na ETAR da Península de Macau, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) não divulgou o volume de metros cúbicos de águas residuais descarregadas sem qualquer tratamento.

A DSPA informou apenas da conclusão dos trabalhos e que “enviou trabalhadores ao local para fiscalização, de forma frequente, da qualidade de águas costeiras e das variações do ambiente”.

Na semana passada, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, já tinha assumido que durante o período de execução da obra, as águas residuais não seriam tratadas e seriam descarregadas. Raimundo do Rosário reafirmou que, salvo esta excepção, as águas residuais de Macau são sempre tratadas, mas admitiu incidentes “pontuais” e tratamentos “menos adequados”:

“Não afasto a possibilidade de pontualmente, numa ocasião ou noutra, haver uma avaria. Mas numa estação normal isso não pode acontecer. O que pode acontecer é ser escoado com um tratamento mais ou menos adequado, mas directamente para o mar não”, disse.

Em 2016, Raimundo do Rosário reconheceu que a ETAR já tinha chegado ao limite da capacidade, mas que só depois de caducar o contrato, no final desse ano, seria lançado novo concurso público.

O secretário respondia a uma interpelação da deputada Ella Lei que, citando dados oficiais, disse que aquela ETAR, com uma capacidade máxima diária de 144.000 metros cúbicos, está sobrecarregada desde 2009.

Sobre a eventual construção de uma nova ETAR na ilha artificial da ponte Hong Kong – Zhuhai – Macau, Raimundo do Rosário disse na altura que era uma possibilidade que estava a ser estudada.

 

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