O exílio dos escritores numa conversa à mesa da lusofonia

Ana Miranda chegou do Brasil e João Paulo Borges Coelho de Moçambique. Juntaram-se ontem a Carlos Morais José no Instituto Politécnico de Macau para uma conversa sobre literatura. A moderação esteve a cargo do poeta, romancista e ensaísta Hélder Macedo, numa sessão em que se falou sobretudo de exílio.

1.Borges Coelho

Os afectos literários de Ana Miranda, o nascimento da literatura moçambicana explicado por João Paulo Borges Coelho e o exílio dos pensadores portugueses tal como é visto por Carlos Morais José. Os três escritores estiveram ontem reunidos numa mesa redonda, para uma conversa sobre literatura. Moderada pelo poeta, romancista e ensaísta Hélder Macedo, a iniciativa decorreu no âmbito do XII Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas (AIL) que termina amanhã no Instituto Politécnico de Macau (IPM).

O exílio pessoal de cada um dos oradores foi o elo de ligação e o fio condutor que juntou a autora brasileira Ana Miranda, o escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho e  o escritor e jornalista Carlos Morais José, em representação de Macau. A questão do exílio foi levantada pelo autor de “O Arquivo das Confissões – Bernardo Vasques e a Inveja”, que olha para Macau como “um local de exílio, não só físico mas também cultural”: “Não temos [em Macau] o convívio real com a academia e outros escritores. A maior parte dos escritores [portugueses] são exilados, ou porque vivem no estrangeiro ou porque criaram o seu próprio exílio”, sustentou Morais José.

Por seu lado, João Paulo Borges Coelho diz ter crescido a olhar para o português “como algo fantasmagórico” devido à distância geográfica entre o pais onde nasceu e o país onde se fez escritor. Nascido no Porto, foi levado para Moçambique ainda em criança,  acabando por adoptar a nacionalidade moçambicana. Formado na Universidade Eduardo Mondlane, o historiador discorreu sobre a literatura do seu país que é ainda “muito jovem e muito ligada à história”: “[A literatura moçambicana] nasce com uma elite mestiça e num processo de ambiguidade; nasce impossibilitada de ser portuguesa e com a possibilidade de ser outra coisa”, explicou o escritor. “Após um período de construção de uma literatura que é muito engajada e muito nacionalista dá-se um processo de radicalização que tem origem num português muito canónico. Foi marcada muito pela luta pela independência [e encontra-se agora num] estado difícil de passagem para a maturidade”, complementou  Borges Coelho.

Já Ana Miranda explicou como se apercebeu que “a língua é uma pátria quando, ao descer da barca, alguém disse ‘pisamos a Ásia’”. A escritora –  que salienta que tem como motivo principal da sua obra o exílio – descreveu a “emoção muito grande” que sentiu quando chegou a Macau e viu os avisos escritos em chinês e português.

 

“AS HUMANIDADES COMO INUTENSÍLIOS” E O “PORTUGUÊS NO MUNDO” NOS ÚLTIMOS DOIS DIAS DE CONGRESSO

 

O XII Congresso da Associação Internacional dos Lusitanistas continua hoje, pelas 16h30, com a conferência “As humanidades como ‘inutensílios’: aceleração – intervalo – interpretação”, conduzida por Isabel Pires de Lima, ex-ministra da Cultura portuguesa.

O encontro termina amanhã com a Mesa Redonda “O Português no Mundo”, que irá juntar Ana Paula Laborinho, presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, Benvinda da Rosa Lemos Oliveira, da Universidade Nacional de Timor Lorosa’e e Carlos André, coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau.

Naquele que é o último dia da edição de 2017 do Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas serão ainda anunciados o local e a entidade organizadora do próximo congresso, que irá decorrer em 2020. Por último, vão tomar posse os novos corpos gerentes da Associação Internacional de Lusitanistas.

 

CVN

 

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