Na magia das sombras projectadas na tela, desvenda-se a epopeia dos “Bunk Puppets”

O teatro de sombras e marionetas da companhia australiana “Bunk Puppets” instala-se, entre sexta-feira e domingo, no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Macau. Concebido com recurso a materiais reciclados e tendo como alvo o público infantil, o espectáculo narra a aventura épica de dois irmãos pela galáxia e os desafios que enfrentam para salvar a família e encontrar uma nova casa.

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Sílvia Gonçalves

 

Dois irmãos, Sam e Junior, abandonam o seu árido planeta e, a bordo de uma velha nave, lançam-se numa aventura épica pela galáxia, em busca de um lugar a que possam chamar casa. Ao longo da jornada, como seria de esperar, esbarram de frente com criaturas ameaçadoras, o que coloca à prova a coragem e o engenho dos pequenos exploradores. Assim se resume a narrativa de “Slapdash Galaxy [Galáxia Veloz]”, um espectáculo de teatro de sombras e marionetas concebido – com materiais reciclados, resgatados do lixo doméstico – pela companhia australiana “Bunk Puppets”, que entre sexta-feira e domingo ocupa o Pequeno Auditório do Centro Cultural de Macau (CCM).

“É teatro de sombras, usamos lixo, materiais reciclados, que fazemos a partir de cartão, de resíduos, para fazer marionetas. E depois contamos histórias épicas com quase nada”, descreveu ontem Hamish Fletcher, na apresentação do espectáculo à imprensa. O actor – que sozinho dá vida em palco a todas as personagens de “Slapdash Galaxy” – desvenda um enredo que se assemelha a tantas histórias que atravessam a infância, com a vida a esbarrar na adversidade para alcançar uma qualquer promessa de futuro: “A história é sobre dois irmãos que partem numa aventura espacial épica. Têm que encontrar uma nova casa, o seu planeta está com problemas, têm que encontrar uma nova casa e enfrentam monstros e guerreiros. Têm que ser corajosos, engenhosos e encontrar uma maneira de salvar a sua mãe e toda a família”, adianta.

O actor, que se desdobra na manipulação de todas as marionetas projectadas na grande tela, entre jogos de luz e fumo, socorre-se, em cada espectáculo, do público com que se confronta, onde é escolhida uma das figuras centrais da epopeia espacial: “Eu faço todas as personagens. Não é verdade, eu convido um voluntário do público, para ser o vilão. Escolho uma criança para interpretar o mauzão, que é uma aranha”. A escolha, explica Fletcher, está longe de ser arbitrária: “Em regra arranjo uma menina para ser o ‘bad guy’, e eles gostam muito. Elas são muito boas a fazê-lo”, graceja.

Hamish Fletcher, que, além de actor, participou também na concepção do espectáculo a par com o fundador da companhia, Jeff Achtem, descreve a linguagem de uma peça que, diz, é marcadamente sombria: “É muito sombria, torna-se muito sombria no teatro. O meu filho de três anos não gosta, assusta-se, é um pouco assustador para ele. Em parte deste espectáculo estou sempre a tentar assustar os miúdos. E mostro-lhes que eles são valentes em não ficar assustados. Diria que é para crianças a partir dos cinco anos, quando os miúdos entram para a escola”.

Uma construção dramatúrgica sensorial, onde ressalta a fisicalidade do actor: “É definitivamente físico, muito visual, o que acaba por me forçar a ser físico. Quando eu digo que a forma é parte da história, faz todo o sentido quando se vê. As crianças aceitam isso muito facilmente, é muito visual, vêem-se todos os truques, vêem-me a fazer tudo”, conta.

Sobre a opção de contar uma história passada numa galáxia, a explicação remete para a infância dos criadores: “Tanto o Jeff como eu somos crianças nas nossas cabeças, crescemos com histórias do espaço, com o Star Wars. É isso que está na minha cabeça, e os cartoons, as aventuras no espaço”,  revela.

Hamish Fletcher recua no tempo, ao princípio de uma companhia, sedeada em Melbourne, cujo percurso se construiu votado ao público infantil e a um modo particular de trabalhar as marionetas e o teatro de sombras: “A Bunk Puppets começou há muitos anos, com o Jeff Achtem. Ele desenvolveu esta técnica de usar lixo, basicamente porque ele era muito pobre, não podia comprar materiais caros e, como tal, ele fazia marionetas com o que encontrava na cozinha. A marioneta parece muito confusa, mas quando tens a sombra na parede torna-se muito limpa. Portanto, é sobre este contraste entre o aparente caos e uma narrativa muito limpa e eficaz nas sombras”.

Um trabalho que a companhia pretende ver estendido a toda a família, numa interacção contínua: “Nós fazemos trabalho para as crianças, mas basicamente fazemos trabalho para nós, para nos divertirmos. E somos muito infantis, portanto resulta muito bem para as crianças mas resulta muito bem para toda a família. Nós gostamos mais quando os pais se sentam com as crianças, porque as crianças colocam questões e os pais podem responder às questões, é um cenário mais informal. Não gostamos tanto quando as crianças se sentam todas à frente e os pais sentam-se lá atrás. Gostamos que seja uma experiência para a família”, confessa o actor.

 

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