Jornalista de rádio pública israelita alvo de censura por investigar Sheldon Adelson

Os factos foram divulgados pelo próprio repórter, Avner Hofstein, na sua página da rede social Facebook. O jornalista acusa o director de informação da “Army Radio” de tentar bloquear a emissão de uma reportagem que visava Sheldon Adelson e a influência do magnata em Israel.

1.Adelson

Um jornalista da “Army Rádio”, uma emissora de rádio pertencente às forças de segurança de Israel, acusou o director de informação da empresa de radiodifusão de tentar impedir a transmissão de uma reportagem que investigava e versava sobre a influência em Israel de Sheldon Adelson, presidente e director-geral da Las Vegas Sands e da Sands China. A notícia foi avançada pelo próprio repórter que até este ano assumiu funções como director do departamento de jornalismo investigativo da emissora. Avner Hofstein publicou a informação na sua página da rede social Facebook e o jornal israelita “Haaretz” acabou por colocar a questão na ordem do dia em Israel.

Hofstein adiantou ainda que Avi Barzilai, director de informação da “Army Radio”, ameaçou despedi-lo caso ele não divulgasse as suas fontes, após ter tentado impedir a emissão do programa junto de outros elementos da emissora. A reportagem acabou por ser emitida com o apoio do gestor e do assessor jurídico da rádio.

No texto que escreveu no Facebook, o jornalista explica que há um ano e meio desenvolveu um trabalho de investigação sobre a aquisição do Centro Médico “Hadassah”, em Jerusalém, por Sheldon Adelson e sobre a posterior  integração da sua mulher, Miriam Adelson, no quadro de directores da companhia. De acordo com o “Haaretz”, a reportagem incluía ainda declarações de Audrey Shimron, directora executiva da “Hadassah” em Israel, sobre a compra da empresa pelo casal Adelson. Audrey Shimron é casada com David Shimron, advogado do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que se encontra actualmente a ser investigado devido a irregularidades na aquisição de três submarinos alemães.

Um outro caso que envolve Netanyahu – e que se encontra também a ser investigado pela justiça israelita – envolve suspeitas de que o primeiro-ministro negociou, em 2015, um acordo de cobertura mediática favorável com o proprietário do jornal de maior circulação em Israel , o “Yedioth Ahronoth”. Sheldon Adelson foi chamado a prestar declarações sobre o caso mas a Reuters sublinha que o chefe do Governo não é um dos suspeitos.

O presidente do grupo Sands é ainda o proprietário do jornal gratuito “Israel Hayom”, marcadamente pró-Netanyahu e um dos principais concorrentes do “Yedioth Ahronoth”. Os apoios políticos do magnata estendem-se também aos Estados Unidos da América, mais concretamente ao Partido Republicano de Donald Trump, a quem Adelson doou 80 milhões de dólares norte-americanos em 2016.

 

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