C.S.I: Crime Série Ilustrada

As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

Cabeças de aluguer

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Andar a viajar e a fazer compras pode parecer, para alguns estudantes universitários, actividades muito mais estimulantes do que andar nas salas de aulas a tirar apontamentos ou nas bibliotecas a marrar para passar nos exames. Mas, U. vai ter de puxar pela cabeça para arranjar uma boa desculpa para dar aos pais, principalmente depois de ter sido detida no domingo, ao tentar reentrar no território onde devia estar a estudar. A jovem de 20 e poucos anos, oriunda da província chinesa da Mongólia Interior, era procurada pela polícia, não por faltar às aulas, mas por pagar a outra pessoa para dar a cara por ela na Faculdade onde estava matriculada.

Em Maio, B., uma jovem de 21 anos da China Continental tinha sido detida por realizar um exame em nome de uma outra estudante, da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa), também detida na altura. Nos seus depoimentos, B. tinha referido ter prestado serviços semelhantes a outras estudantes, nomeadamente a U., que lhe havia prometido pagar para que fosse assistir às aulas e lhe fizesse os trabalhos de casa. As duas conheceram-se através de uma aplicação de telemóvel e U. tentou ainda convencê-la a fazer também os exames. B. não aceitou mais essa empreitada, mas ajudou a estudante a encontrar outras três raparigas para a substituírem nas provas.

Por ter facultado a B. os papéis necessários para que ela e as restantes envolvidas se apresentassem no campus universitário e cumprissem as devidas obrigações académicas no seu lugar, U. acabou sendo detida e encaminhada ao Ministério Píblico, perante o qual terá de responder pelo crime de falsificação de documentos.

Gatuno descarado

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Entrar em casa alheia para subtrair objectos de valor não é um crime propriamente original em Macau. Mas aquilo a que A. assistiu da primeira fila na madrugada de domingo era difícil de acreditar.

Passava da meia-noite e a jovem estava no seu quarto, no apartamento da Taipa onde vive com a família. De olhos postos no ecrã do seu computador, A. ouvia as suas músicas favoritas com os fones de ouvido, para não acordar os pais, que já cochilavam no quarto ao lado. Por isso, não ouviu nada quando o intruso penetrou pelo seu lar. Mas teve a impressão de ver um vulto a passar pelo corredor.

Incrédula, aproximou-se da porta só para confirmar se não estava a ver coisas e ia morrendo de susto quando percebeu que havia mesmo um desconhecido a vasculhar a casa.

Correu aos gritos para acordar a família. O pai lutou contra o sono para arrastar o corpo para fora da cama, mas ainda foi a tempo de ter uma descarga de adrenalina ao vislumbrar o gatuno a correr para a cozinha e a saltar pela janela, por onde se evadiu.

O indivíduo, ainda não identificado, conseguiu levar consigo as carteiras de A. e da mãe, contendo um total aproximado de quatro mil patacas, e é procurado pela Polícia Judiciária pelo crime de furto.

Identidade não é documento

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Os agentes da Polícia de Segurança Pública envolvidos numa operação de inspecção-surpresa a um hotel da Taipa não precisaram de uma vista muito apurada para perceberem que o Bilhete de Identidade de Residente (BIR) daquela cidadã da China Continental era tudo menos verdadeiro. A mulher, de 40 anos, tinha sido encontrada a limpar um quarto e lá teve de confessar como havia obtido o documento.

Por apenas 800 patacas, comprou o cartão a um homem em Gongbei e veio para Macau para prestar serviços no âmbito dos trabalhos de renovação da unidade hoteleira. Recebeu dois mil yuans adiantados pelo trabalho, que deveria decorrer entre os dias 16 e 22 deste mês.

Na mesma rusga, os agentes encontraram uma outra quarentona a trabalhar exactamente nas mesmas condições. As duas mulheres foram detidas por falsificação de documento.

No local, a Polícia de Segurança Pública confrontou a empresa de construção encarregada da obra, que remeteu para a subempreiteira alegadamente responsável pela contratação irregular. Contactada telefonicamente, uma gerente da firma disse não poder ajudar por não se encontrar em Macau. O caso de trabalho ilegal foi remetido à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) para acompanhamento.

Beber até ser roubado

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E. gosta muito de tomar um copo após o outro. No domingo, perdeu o controlo mas, ao perceber que tinha passado dos limites, resolveu ir cear a um restaurante na zona do Mercado Vermelho, para ver se recuperava a sobriedade colocando no estômago alguma coisa sólida.

Passava da meia-noite quando deixou o estabelecimento, mas ainda ia a cambalear por uma transversal à Avenida Horta e Costa, o que o terá feito parecer uma presa fácil para um ladrão que por ali passava. Aproximando-se sorrateiramente pelas suas costas, o malfeitor, com um movimento rápido e impetuoso, arrancou a mala de E., contendo uma carteira com documentos e cerca de cinco mil patacas em dinheiro, e fugiu.

Com os reflexos severamente afectados pela carga etílica que havia ingerido, o pobre cidadão não foi capaz de reagir, mas teve ainda assim discernimento suficiente para se arrastar até uma esquadra da PJ e apresentar queixa. A polícia está a investigar este caso de roubo.

 

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