A incontornável matriz africana, na representação do mundo de Novikoff Sales  

 

Sobre papel de arroz, desenha-se a interpretação do real com que Eugénio Novikoff Sales pretende fixar no território o que designa de arte lusófona. “Kiss África – Macau + Lusofonia”, apresenta-se no Albergue SCM a partir de 2 de Agosto. Um corpo de 14 trabalhos de pintura a acrílico, em grande escala, que traduz um movimento contínuo, atravessado de elementos simbólicos, onde ressalta a profusão de cor.

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Sílvia Gonçalves

 

Uma representação do mundo, como uma bola gigante à volta da qual tudo acontece. Assim define Eugénio Novikoff Sales um conjunto de 14 trabalhos de pintura a acrílico sobre papel de arroz, que vai apresentar, entre 2 de Agosto e 3 de Setembro, no Albergue SCM e a que chamou “Kiss África – Macau + Lusofonia: Trabalhos recentes de Eugénio Novikoff Sales”. A mostra constitui um exercício de afirmação da pintura lusófona no território, acrescenta ainda o artista nascido em Macau, que se assume contaminado pela pintura africana, influência de uma infância passada em Moçambique.

“É um título para marcar a lusofonia aqui na China e em Macau. São 14 quadros a acrílico em papel de arroz chinês, em tamanhos grandes, que fiz para esta exposição. Esta exposição começa com um convite. Cinco artistas fizeram no ano passado uma exposição de pintura na Casa Garden, cujo título era ‘Colour Exchange’. E o Carlos Marreiros esteve presente e perguntou-me se eu tinha interesse em expor no Albergue. Eu aceitei com muito gosto porque é mais uma maneira de eu mostrar arte lusófona aqui em Macau e na China”, conta Eugénio Novikoff Sales.

A designação vinculada à lusofonia, com que define o trabalho desenvolvido ao longo dos anos, chegou-lhe pelos outros, os que contactaram com a pintura apresentada numa mostra recente: “Ninguém sabia ao certo qual o meu estilo de pintura, uns diziam que era Cubismo, outros abstracto. Mas em 2014, quando fiz a exposição na residência oficial do cônsul de Portugal, vieram dizer: ‘Olha, esta é pintura da lusofonia. E portanto fico mesmo com esse título: arte lusófona”.

O conjunto de trabalhos que preparou para a exposição no Albergue, que diz enquadrarem-se na “simbologia e semi-abstracto”, descreve-os assim: “Nestes 14 quadros é mais ou menos uma representação do mundo. Tem uma bola gigante, e à volta dessa bola gigante há várias coisas que vão acontecendo, mas são coisas semi-abstractas. Dentro do movimento dos quadros há coisas que acontecem, que talvez se modifiquem de pessoa para pessoa que os vai vendo, e portanto não é uma coisa certa”, defende.

O pintor assume-se influenciado pela arte africana, uma contaminação que resulta, conta, dos anos de infância passados em Moçambique: “Eu faço coisas que depois vejo e sinto que é coisa de África, porque é a vivência que tive lá, porque desde pequeno sempre vivi com artesanato africano. Na zona onde eu vivia todos os domingos havia uma feira de arte africana, e eu passava o dia todo ali a ver o que eles faziam. Acho que tem muita influência de África, mas não é influência copiada, é tudo naturalmente”, assinala o artista.

 

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