Secretário promete encurtar tempo de execução de intervenção na ETAR

A partir da próxima segunda-feira, uma intervenção na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da península de Macau, implicará o seu encerramento, obrigando a que as águas sejam canalizadas para as zonas costeiras sem que sejam submetidas a tratamento. O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, garante que a obra decorrerá de modo contínuo, com o propósito de  concluir os trabalhos “o mais depressa possível”.

Pollutionpipe

Sílvia Gonçalves

Uma obra “inevitável” e que será executada “no mais curto espaço de tempo”. Assim definiu ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas a substituição de um colector que, na segunda-feira, terá início na ETAR de Macau e que obrigará a que as águas residuais sejam descarregadas para o mar sem tratamento. Se inicialmente estava previsto que os trabalhos se estendessem ao longo de três dias, com intervenções de oito horas diárias, Raimundo do Rosário intercedeu junto do Chefe do Executivo para que a obra seja executada de modo contínuo, de modo a que o tempo necessário para que a intervenção seja conduzida seja reduzido. O secretário garante que tudo fará para tentar minimizar os danos, mas assume que o impacto será sempre “mau”.

“Há um colector que fica a jusante da estação, e que, depois das águas residuais tratadas, descarrega no mar. O que acontece é que a ETAR tem vinte, trinta anos, e esse colector está completamente danificado e tem que ser substituído. Esta é uma obra que tem que ser feita, não há nada que dure eternamente. Portanto, este colector, se não for substituído hoje, seria substituído no próximo ano, mas tem que ser feito”, explicou ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas, que assumiu: “É uma coisa indesejável, mas tem que ser”.

O secretário, que falou à margem da reunião da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública da Assembleia Legislativa, garante que procurará concretizar a obra num tempo o mais curto possível. O Governo vai ainda procurar distribuir os pontos de despejo para minimizar o impacto da iniciativa: “É inevitável, faremos o possível para que isto seja o mais bem feito e no mais curto espaço de tempo. É que durante o período de execução da obra, as águas residuais, não há que esconder isto, não serão tratadas e serão descarregadas. O que nós fazemos é descarregar por vários sítios, em vez de concentrar tudo num ponto, descarregamos em vários sítios”. Também a qualidade da água será monitorizada, garante o titular da pasta dos Transportes e Obras Públicas: “Nesses pontos nós vamos controlar a qualidade da água, e, se virmos que ultrapassa determinados limites, procuraremos descarregar em mais sítios. No fundo é dividir o mal por mais aldeias”, explicou.

Se inicialmente estava previsto estender a obra ao longo de três dias, o secretário explicou que conversou com o Chefe do Executivo para, e tendo em conta a lei do ruído, obter a autorização de Chui Sai On e proceder aos trabalhos de modo contínuo: “Não, não vão ser três dias. Estamos a tratar desta parte para publicar em Boletim Oficial. E, portanto, segunda-feira, quando começar a obra, esta será contínua. Faremos o possível para, uma vez iniciada a obra, acabar o mais depressa possível”. Também a gestão do ruído será considerada, assegura Rosário: “Vamos fazer o possível para que os trabalhos mais ruidosos sejam feitos durante o dia, os menos ruidosos durante a noite, na medida do possível. Portanto, quem vive naquela zona terá que fazer um pequeno sacrifício nestes próximos dias, porque o trabalho será contínuo”, assegurou.

Questionado sobre a hipótese de armazenar as águas residuais não tratadas, ao invés de as descarregar, Rosário explicou tratar-se de uma impossibilidade: “Não, porque a quantidade é muita, não tenho reservatórios para isso. São muitos metros cúbicos [volume diário de água tratada] e portanto não há qualquer possibilidade de armazenar nem uma hora nem duas horas, é muita quantidade”.

Rosário reiterou ainda a garantia, dada no passado, de que todas as águas residuais no território são tratadas. O governante não afasta, no entanto, a possibilidade de, por vezes, esse tratamento não ser o mais adequado: “Nós temos que fazer um tratamento maior ou menor, porque hoje não é admissível, não é possível que se descarregue. Mas eu não afasto a possibilidade de, pontualmente, numa ocasião ou noutra haver uma avaria ou qualquer coisa. Mas numa situação normal isso não pode acontecer. O que pode acontecer é ser digamos escoado com um tratamento mais ou menos adequado, mas directamente para o mar, não. Mas nestes dias [da próxima semana] vai ser”, reitera.

O governante disse ainda ter ajustado com a DSAMA um controlo mais apertado das marés: “Ter esses trabalhos em conta, as marés altas, as marés baixas, é tudo a tentar minimizar [o impacto das descargas]. Mas, não vale a pena, por muito que a gente minimize, é mau”, assumiu o governante.

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