Investigação em Medicina Nuclear vale distinção internacional à Universidade de Macau

O Laboratório de Imagiologia Biomédica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Macau foi distinguido com dois prémios pela Sociedade de Medicina Nuclear e Imagiologia Molecular, a entidade de maior destaque a nível global no campo da medicina nuclear. Greta Mok, responsável pelos dois projectos, falou ao PONTO FINAL sobre a importância das distinções para Macau e para o fortalecimento da investigação que é conduzida no território.

 

Joana Figueira

joanafigueira.pontofinal@gmail.com

 

 

“Esta é a maior distinção alguma vez recebida por um grupo de investigadores da região da Grande China”, sublinhou Greta Mok, professora do Departamento de Engenharia Eléctrica e de Computação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Macau (UM), instada pelo PONTO FINAL a comentar os dois prémios arrecadados em competições internacionais no campo da Medicina Nuclear e da Imagiologia Molecular. Os dois projectos, liderados por Mok, baseiam-se no desenvolvimento de um programa de computador que se propõe melhorar a precisão e o rigor do tratamento radiológico do cancro.

Os dois projectos “BIGDOSE: Software for 3D Personalised Targeted Radionuclide Therapy Dosimetry” e “High-Performance Virtual CT for Enhanced Targeted Radionuclide Therapy Dosimetry” venceram os prémios “Computer Council (CalC) Young Investigator Award (YIA) e “International Best Abstract Award”, na 64ª Conferência Anual da Sociedade de Medicina Nuclear e Imagiologia Molecular que decorreu em Denver, nos Estados Unidos da América. A edição deste ano do certame atraiu mais de cinco mil académicos e especialistas, que submeteram para análise mais de dois mil artigos de investigação científica.

“Penso que este é um prémio muito importante para nós. Este é, sem dúvida, o maior reconhecimento obtido pelo Laboratório [de Imagiologia Biomédica] e é a primeira vez que um grupo de investigadores da região da Grande China – incluindo China Continental, Hong Kong, Macau e Taiwan – foi seleccionado para o ‘Instrumentation Council (CalC) Young Investigator Award (YIA)’ pela Sociedade de Medicina Nuclear e Imagiologia Molecular, a conferência internacional mais influente neste campo”, explicou Greta Mok, em declarações ao PONTO FINAL.

O software desenvolvido pelos investigadores da Universidade de Macau pode ser utilizado para calcular cenários de distribuição das doses de radiação pelos tumores e pela actividade fisiológica: “Existe uma estratégia de tratamento chamada terapia com radionuclídeos e que se destina, sobretudo, ao tratamento do cancro. Este é feito através da administração de radionuclídeos ao paciente, para que a radiação mate as células cancerígenas”, explicou a investigadora.

Este tratamento, no entanto, acarreta um problema: a administração dos radionuclídeos não elimina apenas as células cancerígenas, podendo também causar toxicidade aos restantes órgãos. Por isto, “é muito importante saber de que forma a radiação vai interagir com os pacientes antes do tratamento, preparando um plano que preveja as doses de fármaco aplicadas”, explicou a investigadora.

A Medicina Nuclear e Imagiologia Molecular não são utilizadas apenas como forma de tratamento, mas também para a realização de diagnósticos oncológicos e para detectar tumores ou metástases em fase primária, bem como para tratamento no campos da cardiologia e da neurologia: as doenças de Alzheimer ou Parkinson, por exemplo, podem ser detectadas numa fase inicial mais facilmente com a Medicina Nuclear do que com outras modalidades de imagiologia.

 

Residentes de Macau continuam a ter de recorrer às regiões vizinhas

 

“Existe actualmente serviço de Medicina Nuclear em Macau, mas diria que os padrões que aqui se encontram continuam muito atrás, comparando com outras regiões próximas, como é o caso de Hong Kong ou da China Continental”, afirmou Greta Mok. De acordo com a académica, há, em Macau, ainda um grande espaço para melhorias:  “Espero que esta investigação, agora internacionalmente reconhecida, possa motivar a cidade a disponibilizar um maior número de serviços de Medicina Nuclear, com níveis mais elevados, aos cidadãos. Neste momento, em Macau, existe apenas um tipo de exames disponível, com o único propósito de diagnóstico e não de terapia. A nossa pesquisa relaciona-se com o tratamento, que as pessoas têm de procurar noutras regiões”, apontou Mok.

No arranque do mês de Junho,  Kuok Cheong U, vice-director da Direcção dos Serviços de Saúde e director do Centro Hospitalar Conde de São Januário, revelou, em declarações aos jornalistas, que o Hospital das Ilhas vai contar com novos serviços e valências: a radioterapia e a realização de diagnósticos de Medicina Nuclear serão duas das novidades.

“[O Governo] tem falado sobre providenciar mais serviço em termos de diagnóstico, mas ainda não tenho conhecimento sobre os serviços terapêuticos”, indicou Greta Mok. “A Medicina Nuclear tem tanto potencial para o tratamento que realmente espero que num futuro próximo, este serviço seja disponibilizado aos cidadãos, talvez no novo hospital ou no hospital privado já existente [Kiang Wu]”, sublinhou.

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