Deputados “super-influentes” usam problemas de Hong Kong para beneficiar os interesses que defendem

A acusação é do deputado José Pereira Coutinho. O também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau considera que os parlamentares mais influentes do hemiciclo estão a usar os problemas no Conselho Legislativo da vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong para legislarem em prol dos interesses que defendem.

 

João Santos Filipe

joaof.pontofinal@gmail.com

 

O deputado José Pereira Coutinho defende que há deputados em Macau –  que define como os “super-influentes” – que estão a utilizar os problemas em Hong Kong – onde alguns legisladores questionaram o princípio “Um País, Dois Sistemas ” – para proporem leis em prol dos seus interesses. Ao PONTO FINAL, o deputado e cabeça de lista da Nova Esperança questiona alguma da legislação proposta, como a proibição de apresentar cartazes, porque a forma como os deputados se comportam nas duas regiões administrativas chinesas é “distinta”.

“Há deputados que querem ser mais papistas do que o Papa, e sendo assim provavelmente estão a tentar prestar serviço ao Governo Central. Aquilo que de facto não é [um serviço], porque as duas regiões administrativas especiais têm funcionamentos distintos”, defendeu José Pereira Coutinho. “Os deputados comportam-se de maneira completamente distinta. Não há nada que se possa comparar entre a Assembleia de Macau e o Conselho Legislativa de Hong Kong”, frisou. “Um grupo de deputados super-influentes da Assembleia Legislativa está a tentar aproveitar a situação de Hong Kong para continuarem a beneficiar os seus interesses”, sublinha.

Sobre o grupo, em causa, José Pereira Coutinho limitou-se a dizer que a maior parte desses deputados fazem parte da Mesa da Assembleia e da Comissão de Regimento e Mandatos. Os parlamentares que constituem esses órgãos do hemiciclo são os deputados nomeados Gabriel Tong e Vong Hin Fai, os votados através do sufrágio indirecto Ho Iat Seng, Lam Heong Sang, Chui Sai Cheong, Kou Hoi In e Leonel Alves e os eleitos directamente Au Kam San e Angela Leong On Kei.

 

ATFPM faz inquérito sobre deputados

 

Ontem, a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) organizou uma conferência de imprensa para anunciar o lançamento de um inquérito direccionado para os residentes do território.  A iniciativa propõe-se tomar o pulso à população sobre se os deputados devem assumir funções a tempo interior, ou em part-time, e se as reuniões das comissões da Assembleia Legislativa devem ser abertas à imprensa e ao público em geral:  “É uma consulta que tem a ver com a natureza e as funções do cargo de deputado. Afinal de contas o que é que a população pensa do cargo de deputado? Será que basta exercê-lo a tempo parcial? Ou será que dada a complexidade dos assuntos relacionados com a vida dos cidadãos, exige-se que o cargo de deputado seja desempenhado em regimento exclusivo?”, explicou Coutinho sobre a iniciativa.

 

“Em segundo lugar, o nosso inquérito cobre também a opinião dos cidadãos sobre se vale a pena que as seis comissões de trabalho da Assembleia Legislativa possam funcionar de portas abertas”, acrescentou.

Os resultados do inquérito serão anunciados a 30 de Agosto, numa conferência de imprensa.

 

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