C.S.I: Crime Série Ilustrada

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Sexo, mentiras e WeChat

O ar transtornado de P. derreteu os corações dos agentes da Polícia de Segurança Pública, no sábado. A bela mulher entrou na esquadra com a maquilhagem borrada pelas lágrimas. Dizia ter sido roubada perto da Avenida de Guimarães por um indivíduo que lhe levara o telemóvel. O caso de “roubo” chegou a ser transferido da PSP para a Judiciária, mas os investigadores da PJ deram com algumas incongruências no relato da alegada vítima. No meio do interrogatório, a verdade acabaria por vir ao de cima, deixando a jovem em maus lençóis.

Tudo começou na segunda-feira da semana passada, quando P. chegou a Macau para curtir a vida e quem sabe até fazer algum dinheiro de homens interessados em contratar os seus serviços sexuais. Na madrugada de sábado, pelas 4h, encontrou-se com um homem que conhecera no WeChat e que lhe prometeu pagar dois mil dólares de Hong Kong (2060 patacas) em troca de alguns momentos de prazer. Mas, depois de satisfeita a sua libido, o indivíduo terá abandonado a coitada sem lhe pagar um avo da soma prometida.

Indignada, a mulher não se deu por vencida e resolveu pedir ajuda à polícia para localizar o cliente mau pagador. Ocorreu-lhe que, se fosse dizer a verdade, ainda era capaz de ouvir um sermão do tipo: “É bem feita para não te andares a prostituir!”. Resolveu por isso inventar uma mentirinha para pôr a polícia atrás do indivíduo. Mas a mentira tem pernas curtas (ainda que, neste caso, bem torneadas), e os investigadores não tiveram dificuldade em perceber que tudo não passava de uma farsa. P. foi presente ao Ministério Público e teve de responder pelo crime de apresentação de falsa denúncia.

 

 

 

Sandes de furtambre

A pobre V. nem queria acreditar. Ao alívio que se seguiu a sair de um autocarro mais lotado do que uma lata de sardinhas, seguiu-se o susto ao perceber que a sua mala estava mais leve. Pudera! Faltava-lhe a carteira, com os cartões de Multibanco e 3800 patacas em dinheiro.

Isto ocorreu em Maio de 2016. Na altura, V. apresentou queixa na polícia. Foi o ponto de partida para a Polícia Judiciária analisar as imagens de vídeo recolhidas no interior do autocarro e identificar um par de gatunos e o seu modus operandi: o veículo lotado servia de desculpa para que os indivíduos se colocassem, um por trás, e o outro, pela frente da vítima, bem encostadinhos, numa espécie de sanduíche de desconforto. Em meio a tamanho incómodo, a vítima nem repara que um deles usa uma peça de roupa para encobrir os movimentos da mão sorrateira que lhe penetra a mala e extrai o que lhe apetece.

Desde então, a Judiciária foi capaz de reconhecer a dupla em mais de 80 outros episódios semelhantes registados pelas gravações de vídeo no interior de autocarros. Trata-se de dois cidadãos da Mongólia que entretanto já deixaram Macau.

Na sexta-feira, um deles tentou reentrar na RAEM pelas Portas do Cerco. Foi reconhecido e detido por furto.

Os sacos do abandono

Os dois sacos de viagem cheios de mercadorias que B. transportava aos ombros estavam a pesar e a mulher resolveu deixá-los junto aos parquímetros na Rua Ma Kau Seak, na Areia Preta, cerca das 20h de quarta-feira, enquanto foi tomar algo para se refrescar. Mas, ao voltar para os recolher, não os encontrou.

“Será que alguém os levou?”, terá pensado a mulher antes de ir apresentar queixa à Polícia de Segurança Pública. De acordo com a descrição apresentada, no interior das bagagens estavam nada menos do que 70 mil patacas em malas, sapatos, cosméticos, perfumes, entre outros produtos.

No dia seguinte, por volta das 16h, os agentes da polícia visitaram o local para investigação, quando avistaram, por coincidência, um sujeito a depositar um saco negro – parecido com os descritos pela mulher – no contentor do lixo. Interrogado pela polícia, o homem admitiu que, de facto, tinha encontrado os sacos abandonados na noite anterior. Verificou que continha artigos que poderia revender e apoderou-se deles.

Trabalhador das limpezas, o indivíduo de 40 anos foi detido pelo delito de “apropriação ilegítima de coisa achada”.

O rei magu

O ar suspeito do jovem que circulava com passo apressado, na tarde de sábado nas proximidades do Hotel Lisboa, chamou a atenção dos agentes da Polícia Pública  que por ali realizavam uma patrulha. Na sua posse, algumas drogas proibidas.

Ao todo, os agentes, após revista ao sujeito, de 20 e poucos anos, encontraram nove pequenos sacos plásticos contendo 6,8 gramas de uns cristais que se confirmou tratar-se de metanfetaminas também conhecidas como “ice” (gelo) e ainda 10 comprimidos de magu – um estimulante que consiste numa mistura de metanfetamina com cafeína.

Interrogado, o jovem oriundo da China Continental revelou ter conhecido pela Internet uma mulher que lhe ofereceu uma forma de ganhar dinheiro rápido, trazendo drogas para Macau para as revender. Por cada saquinho de “ice” cobrava 1200 dólares de Hong Kong, dos quais ficava com 400, enquanto os comprimidos de magu custavam 400 dólares de Hong Kong cada (dos quais ficava com 100). Admitiu ainda ter praticado o mesmo crime no dia 1 deste mês.

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