Textos de Liu Xiaobo excluídos de antologia poética

António Graça de Abreu, escritor e tradutor convidado a seleccionar alguns dos textos que integraram a antologia “500 Poemas Chineses”, revelou na sua página de Facebook que dois poemas de Liu Xiaobo tinham sido “liminarmente suprimidos” pelo editor da obra. À Rádio Macau, Carlos Morais José explicou que com a exclusão dos poemas procurou evitar uma “confrontação desnecessária”.

 

Protest with masks of Liu Xiaobo at China Liaison Office in Hong Kong
epa06052020 A protesters holds a mask with the face of Chinese dissident and Nobel laureate Liu Xiaobo during a protest outside the China Liaison Office in Hong Kong, China, 27 June 2017. Liu has been granted medical parole after being diagnosed with liver cancer, according to the Liaoning Prison Administration Bureau. Liu Xiaobo was imprisoned in 2009 on charges of subversion for calling for greater democracy. EPA/JEROME FAVRE

Dois poemas assinados por Liu Xiaobo foram excluídos da antologia “500 Poemas Chinesas”, lançada em 2013 pela sua editora Livros do Meio. A notícia foi  este domingo avançada pela Rádio Macau. À emissora em língua portuguesa da Teledifusão de Macau, Morais José justificou a não inclusão dos poemas do activista chinês, falecido na quinta-feira passada, com o objectivo de evitar uma  “confrontação desnecessária”. O PONTO FINAL procurou confirmar o teor das declarações com o responsável pela Livros do Meio, mas Carlos Morais José diz apenas que está a ser alvo de um campanha difamatória: “Não dignifico com uma resposta esta falsa notícia feita com o objectivo de me difamar”, clarificou.

A notícia teve origem num texto que António Graça de Abreu, escritor e tradutor convidado a seleccionar poemas para a antologia, divulgou na sua página pessoal da rede social Facebook, em que dizia que os dois poemas do activista que tinha proposto para o livro tinham sido “liminarmente suprimidos”. A escolha justifica-se com o facto de Liu Xiaobo ser “considerado um criminoso pelas pessoas que estavam a pagar o livro”, disse Morais José à Rádio Macau. “O dinheiro vinha da Fundação Macau, do governo chinês”, esclarece o responsável pela editora Livros do Meio.

Contudo, o editor assume que a decisão surgiu a título individual e nega ter sofrido quaisquer pressões. Carlos Morais José não quis “estar a fazer problemas a quem estava a dar o dinheiro, sabendo que esses problemas iam acontecer”, adiantou, citado pela Rádio Macau.

Morais José explicou ainda que não quis confundir poesia com activismo político num projecto que tinha por objectivo celebrar “uma festa que são os 500 anos de encontro entre portugueses e chineses”. A antologia foi lançada em Novembro de 2013 no auditório do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong e contou a presença de representantes do Gabinete de Ligação do Governo Central no território.

A obra recebeu ainda financiamento e apoio à divulgação por parte da Casa de Portugal. Contudo, em declarações ao PONTO FINAL, Amélia António, presidente da instituição, nega ter conhecimento sobre a natureza das informações agora divulgadas: “Não fomos nós que trabalhamos na escolha dos poemas traduzidos. [Tínhamos] conhecimento do projecto, não dos 500 poemas. Esse trabalho [de selecção] não foi feito por ninguém da Casa [de Portugal], tinha que ser uma pessoa dentro da poesia chinesa”, esclareceu Amélia António. A dirigente acrescenta ainda que este foi “um projecto apoiado pela Casa [de Portugal] na sua divulgação e na disponibilização pelas escolas”.

 

CVN

 

 

 

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