Camilo Pessanha fica em Macau  

 

“Não podemos concordar com a proposta de transladação dos restos mortais de Camilo Pessanha para Lisboa”, disse o Instituto Cultural. Lisboa acatou a decisão do organismo liderado por Leung Hio Ming e desistiu da ideia de transferir os restos mortais do poeta para o Panteão Nacional.

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João Paulo Meneses

A oposição dos familiares de Camilo Pessanha e do Instituto Cultural à eventual trasladação dos restos mortais de Camilo Pessanha para o Panteão Nacional, em Lisboa, foi decisiva para que a Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto da Assembleia da República encerrasse o caso.

No final do ano passado, o Instituto Cultural (IC) respondeu a uma solicitação da Comissão dizendo que como “Camilo Pessanha faz parte integrante da memória da Cidade de Macau, honramos a sua memória e obra e não podemos concordar com a proposta de transladação dos restos mortais de Camilo Pessanha para Lisboa”.

A Comissão parlamentar tinha solicitado ao Instituto Cultural que ouvisse os descendentes do poeta, uma vez que tinham surgido declarações da bisneta, Ana Jorge, em que era manifestada a oposição a esse cenário.

O Instituto explica no documento enviado para Lisboa, e a que o PONTO FINAL teve acesso, que a posição prevalecente no território é a de que os restos mortais do poeta devem permanecer em Macau: “Procurámos auscultar a opinião dos seus descendentes e de várias personalidades da área da cultura de Macau. Todos, unanimemente, partilham da mesma vontade de não transladar os restos mortais de Camilo Pessanha de Macau para Lisboa.”

Desta forma, naquela que é uma posição inequívoca por parte do Governo de Macau, o ‘despacho’ é encerrado sem margem para dúvidas: “Ponderadas todas as vertentes, especialmente a vontade expressa da família, o seu multifacetado contributo de poeta, magistrado, conservador do registo predial, juiz de direito substituto e professor do Liceu de Macau, e o desejo de que esta personalidade continue a fazer parte da memória colectiva e sirva de referência ao desenvolvimento social e cultural de Macau, são motivos de força maior para não concordamos com a proposta de transladação dos restos mortais de Camilo Pessanha para o Panteão Nacional de Lisboa.”

O texto do Instituto Cultural levou, portanto,  ao arquivamento do caso, ainda que em Portugal nem todas as vozes se tenham pronunciado contra. A partir dos seus gabinetes em Lisboa, ministro da Cultura e Direcção Geral do Património Cultural deram luz verde à trasladação.

Tudo começou com uma petição, da qual pouco ou nada se soube, a não ser que foi subscrita por alguns nomes conhecidos da área cultural portuguesa: Guilherme d’Oliveira Martins, administrador executivo da Fundação Calouste Gulbenkian, o escritor e gestor cultural António Mega Ferreira ou o escritor Gastão Cruz estavam entre os signatários.

Nas informações que enviou ao PONTO FINAL, a Comissão chega a afirmar que “a proposta de transladação dos restos mortais de Camilo Pessanha de Macau para o Panteão Nacional terá tido origem numa missiva que um grupo de escritores dirigiu ao ministro da Cultura de Portugal”.

A Comissão, na avaliação que fez do processo, reconheceu “unanimemente a importância deste escritor e a sua influência na cultura portuguesa, enquanto expoente máximo do simbolismo”.

 

 

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