Joshua Wong quer ser indemnizado pela polícia de Hong Kong

Em causa está o facto de ter sido algemado pelas forças de segurança da RAEHK, que acabaram por não prender o activista. Wong, rosto dos protestos que em 2014 paralisaram a antiga colónia britânica durante 79 dias, exige o pagamento de uma indemnização no valor de 45 mil dólares de Hong Kong.

 

O jovem activista de Hong Kong Joshua Wong está a pedir uma indemnização à polícia de cerca de 45 mil patacas por ter sido algemado sem ser detido, num protesto que decorreu no início do mês, aquando do aniversário da transição do território vizinho para a soberania chinesa.

Joshua Wong, que se notabilizou como o rosto dos protestos pró-democracia em 2014, os quais levaram à ocupação de várias zonas da antiga colónia britânica durante 79 dias, apresentou uma acção em tribunal a reivindicar 45.000 dólares de Hong Kong ao comissário da polícia local, Stephen Lo, noticiou ontem o portal de notícias Hong Kong Free Press.

O caso remonta a 1 de Julho, quando Wong e um grupo de outros activistas tentavam protestar, pelas 07:00, antes da cerimónia do içar da bandeira na Praça da Bauhinia Dourada, que tem o nome da flor-emblema da Região Administrativa Especial de Hong Kong, durante a visita do Presidente chinês, Xi Jinping à cidade.

Os activistas acabaram, no entanto, por se envolver numa altercação com manifestantes pró-China, no seu ponto de partida, à saída da estação de metro de Wan Chai, no centro da ilha de Hong Kong, antes de chegarem ao local da cerimónia.

Joshua Wong foi levado para uma carrinha da polícia algemado e transportado para a sede da polícia em Wan Chai, mas os agentes disseram-lhe que não tinham intenção de o deter: “O uso de algemas pela polícia foi agressão e prisão ilegal”, escreveu Joshua Wong na documentação submetida ao tribunal.

Joshua Wong disse que se ganhar o caso, vai doar todo o dinheiro para um fundo de apoio a manifestantes que enfrentam “perseguição política”. Uma audiência sobre o caso está agendada para 07 de Agosto, de acordo com o portal Hong Kong Free Press.

Dias antes do incidente de 1 de Julho, Joshua Wong e outros 25 activistas tinham sido detidos depois de protagonizarem uma concentração junto à emblemática escultura da flor de bauhinia, um presente de Pequim, em 1997, aquando da transferência de Hong Kong do Reino Unido para a China.

Os manifestantes, sobretudo jovens, exigiam maiores liberdades em Hong Kong, além da libertação do Nobel da Paz chinês Liu Xiaobo, a quem foi concedida, no final de Junho, liberdade condicional para receber tratamento hospitalar devido a um cancro no fígado em fase terminal recentemente diagnosticado.

Esta concentração teve lugar na véspera da chegada do Presidente chinês, Xi Jinping, a Hong Kong para as celebrações do 20.º aniversário do estabelecimento da Região Administrativa Especial – 1 de Julho de 1997 – e tomada de posse da actual chefe do executivo, Carrie Lam.

 

 

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