Kwan Tsui Hang: “Não existem heróis a título individual na Assembleia Legislativa

A deputada Kwan Tsui Hang termina a sua carreira política de 21 anos dentro de 97 dias, quando a 5.ª legislatura da Assembleia Legislativa (AL) chegar ao fim. No prenúncio do adeus à vida política, a deputada comentou a intenção de algumas listas candidatas ao escrutínio de Setembro de reformarem o modo de funcionamento do hemiciclo. Ao PONTO FINAL, Kwan defendeu que não há lugar a “heróis a título individual” na Assembleia Legislativa.

1.Assembleia

Elisa Gao

Kwan Tsui Hang organizou esta sexta-feira uma conferência de imprensa no gabinete onde habitualmente recebe os eleitores do território com o propósito de anunciar formalmente o fim de uma carreira politica de 21 anos ao serviço da população no hemiciclo do território. Aos 68 anos, a veterana deputada passou a pente fino o trabalho legislativo que tomou em mãos ao longo dos últimos anos , congratulando-se com o facto de ter sido presidente da 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa. Kwan Tsui Hang falou também dos episódios menos lisonjeiros em que esteve envolvida, recordando as duas vezes em que foi vilipendiada durante a campanha de 2009 e de 2011.

Alguns grupos pró-democracia candidatos ao sufrágio directo das eleições de 17 de Setembro mostraram-se determinados a lutar por uma reforma do modus operandi da Assembleia Legislativa. Questionada sobre tais propósitos , Kwan Tsui Hang disse ao PONTO FINAL, à margem da conferência de imprensa de ontem que a reforma do hemiciclo tem que ser necessariamente fruto de eum esforço colectivo: “Primeiro, deve haver vontade para seguir com esse trabalho; por outro lado, não se pode estar sozinho: Não existe um herói a título individual na Assembleia Legislativa. Não interessa quão heróicos possam ser os seus propósitos, ele tem direito a apenas um voto. Portanto, quando se quer atingir um determinado objectivo, é preciso associarmo-nos a pessoas que partilhem o mesmo princípio e, assim, pode-se efectivamente fazer avançar a ideia. Reformar a Assembleia Legislativa é apenas o slogan deles [grupos pró-democratas], com certeza, e, caso consigam um lugar na AL, esperamos que atinjam alguns resultados”, defendeu.

No que diz respeito à abertura das reuniões dos Comissões da AL, que ainda decorrem à porta fechada, Kwan Tsui Hang mostrou-se contra a proposta: “Se falarmos das reuniões da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública, devem ser abertas, uma vez que o público deve estar informado sobre os assuntos públicos, tais como o Metro Ligeiro de Macau, a concessão de terras ou o regime financeiro. No caso das reuniões das Comissões Permanentes sobre as revisões de leis, se forem abertas, quem quer que lance questões em alturas de debate, pode ser criticado no exterior e não haverá uma discussão real. Por isto, estas discussões não devem ser abertas. Devemos levar as coisas com calma e abrir, em primeiro lugar, as reuniões da Comissão de Acompanhamento dos Assuntos Públicos”, defendeu, em declarações ao PONTO FINAL.

 

Durante a conferência de imprensa, Kwan não conteve as lágrimas quando abordou o grande apoio que recebeu da Federação das Associações dos Operários de Macau, dos amigos e da família ao longo dos últimos 21 anos. Por outro lado, a deputada recordou a experiência de ter sido vilipendiada por duas vezes: primeiro, na campanha eleitoral de 2009 e, depois, em 2011.

A 12 de Setembro de 2009, durante o período de campanha eleitoral, algumas pessoas espalharam folhetos referindo que Kwan Tsui Hang se posicionava contra o plano de comparticipação pecuniária. Antes, no dia 5 do mesmo mês, algumas pessoas protestaram junto ao escritório da deputada. Kwan levantou um processo em Setembro de 2011 e, até Dezembro do ano passado, recebeu, finalmente, a decisão do tribunal; contudo, meio ano depois, a decisão ainda não foi aplicada: “Enquanto litigante, espero que Macau possa ter um ambiente eleitoral justo, que não deixe que esta cultura da difamação intervenha na justiça das eleições. A chave é a implementação de autoridades competentes”, disse na conferência de imprensa.

 

O PRESIDENTE E O VICE-PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

 

O presidente e o vice-presidente da AL, Ho Iat Seng e Lam Heong Sang, têm-se dividido entre o colégio eleitoral dos sectores industrial, comercial e financeiro e o colégio eleitoral do sector do trabalho, nas últimas legislaturas.

Questionada sobre as possíveis mudanças inerentes à existência de novos candidatos no sector do trabalho, Kwan Tsui Hang diz que a eleição do presidente e do vice-presidente da Assembleia Legislativa deve ter em conta sobretudo a entrega e a dedicação ao cargo: “Eu penso que, neste momento, esta situação requer uma análise caso alguém exista qualificado para estas condições. Acima de tudo, temos de falar sobre as condições. Se a pessoa tiver capacidades e estiver disposto a colocar o seu coração nisto, então deve estar apto a assumir as responsabilidades, independentemente do sector a que pertença.”

Kwan Tsui Hang considerou ainda que aqueles que se colocarem na posição de presidente ou vice-presidente da AL devem ultrapassar os interesses do sector pelo qual foram eleitos para que os assuntos sejam tratados de forma justa.

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