Nobel da Paz Liu Xiaobo está em “estado crítico”

A garantia foi ontem avançada pelo hospital de Shenyang onde o activista se encontra hospitalizado, depois de ter saído da prisão devido a um cancro do fígado. Pequim voltou a reiterar que tenciona permitir que Liu e a mulher, Liu Xia, saíam do país para que o dissidente possa receber tratamento médico.

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O estado de saúde do dissidente e Nobel da Paz chinês Liu Xiaobo, que foi libertado em Junho depois de ter lhe ter sido diagnosticado com um cancro no fígado, agravou-se nos últimos dias, informou esta segunda-feira através de um comunicado o hospital de Shenyang onde o dissidente se encontra a ser tratado.

Na nota de imprensa que enviou aos meios de comunicação do Continente, a unidade hospitalar assegura que o Prémio Nobel está em “estado crítico”. Os médicos que se encontram a tratar Liu Xiaobo dizem que, para além de padecer de cancro do fígado em fase terminal, o activista sofre ainda de problemas renais, estomacais e intestinais e a conjugação de problemas fazem com que os tratamentos por radioterapia sejam desaconselhados.

As declarações ontem feitas pelo hospital de Shenyang onde Liu se encontra a receber tratamento médicos contradizem as realizadas no domingo por especialistas da Alemanha e dos Estados Unidos, convidados pelas autoridades chinesas para examinarem o Prémio Nobel da Paz. Os médicos alemães e norte-americanos garantem que o activista pode ser tratado com o recurso a radioterapia e recomendam que as autoridades chinesas o deixem viajar para o estrangeiro com o propósito de receber tratamento médico.

Inflexíveis, as autoridades do Continente reiteraram que a possibilidade de permitir a saída de Liu e da mulher, Liu Xia, do país não está sobre a mesa e justificam a intransigência com o facto de se tratar de um “assunto interno” da República Popular da China: “Esperamos que os países implicados respeitem a soberania chinesa”, insistiu esta segunda-feira o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Executivo de Pequim, Geng Shuang. “Os especialistas estrangeiros reconheceram que a China lhe está a oferecer [a Liu Xiaobo] o melhor tratamento possível”, destacou Geng, sem adiantar mais pormenores.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros assegura que não há, na história recente da República Popular da China, “qualquer precedente” em relação a dissidentes que tenham recebido autorização por parte de Pequim para abandonar o país por razões humanitárias.

Na opinião de Hu Jia, o Executivo chinês não quer que o Prémio Nobel viaje para o estrangeiro para que não dê a conhecer a forma como foi tratado na prisão ou para que não critique o regime liderado por Xi Jinping.

O Partido Comunista Chinês está a “retardar” a saída de Liu Xiaobo do país para que não se possa “expressar”, considerou Hu numa mensagem enviada à agência Efe e a outros meios de comunicação social.

Várias organizações de defesa dos direitos humanos e activistas próximos de Liu criticaram Pequim por ter esperado que o estado de saúde do activista piorasse para permitir que saísse da prisão, mas as autoridades reiteraram que ele é tratado por reputados oncologistas.

Condenado em 2009 a uma pena de 11 anos de cadeia por subversão, Liu Xiaobo, de 61 anos, foi colocado em liberdade condicional após lhe ter sido diagnosticado, em Maio, um cancro no fígado em fase terminal.

O activista, intelectual e dissidente foi detido por ter participado na redacção de um manifesto conhecido por “Carta 08”, em que se exigiam reformas fundamentais no regime chinês.

 

 

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