As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

Hotel ilegalifórnia

Habituado aos preços da China Continental, T. não se impressionou com a oferta de “alojamento barato” que lhe apresentou aquela desconhecida com quem se cruzou no dia 27 de Junho quando andava pela Rua de Pequim, no NAPE: 100 dólares de Hong Kong – 103 patacas – por noite.

Tinha entrado em Macau como turista horas antes e já tinha aberto os cordões à bolsa para passar a primeira noite. Mas no dia seguinte, foi logo à procura da mulher. Acabaria por encontrá-la no mesmo sítio. O preço da diária é que já havia subido para 120 dólares de Hong Kong (123 patacas): “Posso fazer por 100 se me fizeres um favor”, terá proposto B. quando soube que T. pretendia ficar por vários dias. É que a mulher tinha de se deslocar à República Popular da China durante uma semana e precisava de alguém para tomar conta da “pensão” e receber as diárias dos outros hóspedes, que ali iam ser conduzidos por uma outra sócia.

T.aceitou. Pagou adiantado a diária correspondente a três noites e ficou a dormir na sala de estar do T2, na Rua de Cantão. Na terça-feira passada, chegaram mais três hóspedes, que ocuparam os dois quartos do apartamento, pagando a T. dois dias de rendas, num total de 600 dólares de Hong Kong (618 patacas).

No dia seguinte, T. ia a sair do alojamento quando foi surpreendido por uma operação anti-crime da Polícia de Segurança Pública. Os agentes entraram no apartamento e encontraram os outros três ocupantes. Interrogados, os quatro contaram à polícia como tinham ido ali parar.

A suspeita do tipo de crime que estava em causa levou a PSP a notificar a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), cujos agentes foram ao local e confirmaram a classificação como pousada ilegal, dando início aos procedimentos para a penhora do imóvel. T., de 52 anos, foi acusado de trabalho ilegal em Macau.

A hora do arrependimento

Queria muito jogar no casino, por isso é que A., aceitou as condições exigidas pelos dois homens – que tinha acabado de conhecer – para lhe emprestarem 60 mil dólares de Hong Kong (61 800 patacas): pagar todo o dinheiro que ganhasse em apostas que envolvessem o auspicioso número oito, entregar temporariamente o seu bilhete de identidade como garantia e ainda assinar um termo de dívida. Além disso, tinha de entregar um relógio de marca que dizia possuir.

O problema é que o relógio se encontrava empenhado numa casa de penhores, pelo que a dupla de agiotas adiantou 20 mil dólares de Hong Kong (20 600 patacas) para que A. pudesse ir recuperá-lo. Pelo caminho, o cidadão da China Continental foi reflectindo melhor sobre as condições oferecidas e os riscos implicados naquele negócio. Acabou por se arrepender e resolveu usar o relógio para saldar a dívida com os credores e desistir do resto.

Quem não gostou muito da ideia foi a dupla de malfeitores, que levou o homem para um quarto de hotel no Cotai, para lhe explicar porque é que era tarde demais para mudar de ideias. Sentindo-se ameaçado, A. aproveitou uma oportunidade para chamar a Polícia Judiciária, que deteve os dois suspeitos, de 24 e 27 anos, por agiotagem para o jogo e ainda exigência e aceitação de documento de identificação alheio.

O silêncio é de couro

Proprietária de uma loja de artigos de cabedal, localizada na Rua Pedro Nolasco da Silva, no Centro da cidade, C. entrou em contacto com um fornecedor italiano em 2015, através da Internet. No início da semana passada, fez uma encomenda e realizou a transferência respectiva do equivalente a mais de 94 mil patacas para o número de conta bancária indicado num dos emails da conversa com o parceiro comercial de Itália.

Os dias passaram-se e fez-se um silêncio só quebrado na sexta-feira, por volta das 20h, pelo fornecedor que alegava não ter recebido ainda o pagamento.

C. desconfiou e tratou de analisar em detalhe toda a comunicação trocada com o parceiro transalpino nas mensagens anteriores. Só então reparou que o email que continha o número de conta bancária para a transferência internacional provinha de um endereço de correio electrónico ligeiramente diferente do verdadeiro, com quem tinha trocado toda a restante informação.

Ficou a arder com um prejuízo de 94 279 patacas. A Polícia Judiciária está a investigar este caso de burla.

O coreano distraído

 

Estava tão compenetrado na batota que nem reparou nas mãozinhas sorrateiras que lhe fanaram a mala que tinha pendurada nas costas da cadeira, numa sala de jogo de um casino no Cotai. J. tinha vindo da Coreia do Sul para se divertir nos casinos de Macau, mas encontrou uma bela chatice no dia 24 de Junho.

Assim que se apercebeu que a sua mala tinha desaparecido, avisou os seguranças, que alertaram um investigador da Polícia Judiciária destacado no casino. O agente observou, pelas gravações das câmaras de videovigilância, o momento em que o ladrão retirava com todo o cuidado a mala da cadeira onde se sentava o apostador, sem que este desse por nada.

Graças à divulgação pela PJ entre os restantes casinos do território dos dados relativos a este caso, foi possível à equipa de segurança de um outro casino interceptar o suspeito na sexta-feira e transferi-lo para a Judiciária. O indivíduo confessou o crime e confirmou que a mala continha mais de 165 mil patacas (entre moeda de Hong Kong e da Coreia do Sul), dinheiro que entretanto já tinha usado em despesas correntes. Foi acusado de furto qualificado.

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s