Na música de Stefana Fratila, também há espaço para a política

O LMA recebe esta noite a compositora e produtora de música Stefana Fratila. A música pop, electrónica e instrumental combinam-se no registo da cantora romena, que encerra em Macau o seu primeiro périplo pelo Continente asiático.

 

Joana Figueira

É no Live Music Association (LMA) que Stefana Fratila, compositora e produtora romena radicada no Canadá, coloca um ponto final no seu primeiro périplo pelo continente asiático. Do concerto desta noite, agendado para as 22 horas, pode esperar-se uma mistura de música electrónica, com rasgos de “rock n’ rol”. O resultado convida à dança, disse a este jornal Vincent Cheang, fundador e responsável pelo espaço. O empresário explicou que os caminhos do Espaço LMA e de Stefana se cruzaram há cerca de um mês, quando souberam que a artista romena ia actuar em várias paragens do continente asiático.

“Estou na minha primeira digressão na Ásia e tem sido mágico”, escreveu Stefana Fratila na sua página oficial da rede social facebook. A artista romena começou por actuar nas Filipinas, seguindo-se na digressão a Tailândia, a China Continental e a vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong. Hoje apresenta-se em Macau, no LMA: “Não se trata meramente de um ‘set’ de música electrónica. Normalmente, a apresentação de música electrónica é muito focada nos equipamentos, na tecnologia a que se recorre, mas Stefana também é cantora, portanto as suas actuações ao vivo são muito enérgicas e existe uma interacção com a audiência”, explicou Vincent Cheang.

O fundador da Live Music Association destacou a proximidade entre o artista e o público como uma mais-valia para o espaço que gere: “Quando se vai a um concerto num grande espaço, tudo tem a ver com entretenimento. Nestes concertos mais pequenos, o público fica muito perto do artista e consegue ver tudo o que ele faz: as suas habilidades ou o tipo de equipamento que usa. O LMA é pequeno mas acho que, por isso mesmo, é acolhedor”.

Em 2014, Stefana Fratila lançou “Memory”, um EP visual, e estreou-se no formato cassete, com “Tristă cu Frică”, através da “Genero Sound”, marca e colectivo feminista de áudio, com base em Vancouver, no Canadá. Em 2015, lançou o seu primeiro álbum, “Efemera”, com a chancela da editora “Trippy Tapes”.

No ano passado, Fratila concluiu o mestrado em Ciências Políticas pela Universidade de Colúmbia Britânica, no Canadá, e, recentemente, juntou-se a um projecto internacional de arte sonora, “Sacred Sounds: City and Memory”. “Dancing” – single e vídeo em VHS apresentado em Maio último – foi escrito em resposta à violência de género que já experienciou, e pensado como um protesto contra o ambiente “sufocante e inseguro” da cena musical electrónica, dominada pelo sexo masculino.

Na discografia de Fratila, confundem-se os limites que separam a música que cria e as suas posições políticas enquanto mulher inserida numa realidade social pautada pela desigualdade. “December 6th 1989”, em memória das mulheres mortas no massacre de Montreal, no Canadá, que aconteceu há 27 anos na Escola Politécnica de Montreal, ou “No history”, com enfoque no testemunho da violência colonial que pautou a história do Canadá, são alguns exemplos da sua dedicação à criação e performance de peças de som em espaços de galerias públicas. Desde 2012, Fratila também compõe para produções de teatro e dança

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