“LUNGS”: Trazer uma nova vida ao mundo? Ou preservar o planeta?

Johnny Tam, director artístico do grupo Macau Experimental Theatre traz novamente ao território a peça “LUNGS”, do dramaturgo britânico Duncan Macmillan. Entre 24 de Agosto e 3 de Setembro os dilemas de um jovem casal que quer ter um filho, mas que é assombrado pelo impacto ecológico da decisão sobem ao palco do Teatro Caixa Preta situado no Edifício do Antigo Tribunal.

Copy of Jordan Cheng in Mr Shi and His Lover Macau 2013

Um palco vazio onde apenas existe uma nuvem suspensa, símbolo de uma nova vida que ainda não surgiu. Em cena entra um casal sem nome próprio, apenas homem e mulher, e uma discussão começa a ganhar forma. Sem que nada o fizesse anunciar, ele surpreende a mulher ao sugerir que ambos tragam uma nova vida a este mundo. Assim começa “LUNGS” (PULMÕES), originalmente escrita por Duncan Macmillan e novamente adaptada para teatro em Macau pelo por Johnny Tam. O encenador juntou-se desta vez ao grupo Macau Experimental Theatre (Teatro Experimental de Macau) para levar à cena a peça em dez sessões “LUNGS” deverá subir ao palco do Teatro Caixa Preta do Edifício do Antigo Tribunal entre 24 de Agosto e 3 de Setembro.

“Podia voar para Nova Iorque e regressar todos os dias durante sete anos que mesmo assim não deixaria uma pegada ecológica tão grande como se tivesse uma criança. Dez mil toneladas de dióxido de carbono. Essa é a altura da Torre Eiffel. É como se estivesse a dar à luz a Torre Eiffel”, questiona-se a protagonista da trama. O seu desejo ardente de ter um filho, apenas superado pelo do seu companheiro, não se sobrepõe às dúvidas que a assombram quanto ao impacto que a criança viria a ter no mundo.

Dicky Tsang e Kate Leong são os actores que em palco assumem as personagens que se deparam com alguns dos dilemas éticas que assaltam a sociedade moderna. Numa crítica do jornal britânico The Guardian à peça de Macmillan, o homem e a mulher a que Tsang e Leong vão dar vida são descritos como “atenciosos e um pouco neuróticos”: “É como se me tivesses pregado um murro na cara e depois me pedisses para responder a uma pergunta matemática”, diz a mulher em resposta à sugestão do seu companheiro.

As falas, proferidas em cantonense, são acompanhadas por legendas em inglês numa tentativa de atrair outros públicos e também turistas, explica Johnny Tam. Com a reposição da peça, encenada em 2014 pelo mesmo director artístico mas com o grupo “Long Run”, Tam procurou fazer uma actualização da linguagem, de forma a torná-la mais moderna e a criar uma maior proximidade  com o quotidiano dos espectadores. “LUNGS” conta também com músicas originais, produzidas exclusivamente pelo sonoplasta Pou Wing Leung, de Hong Kong.

Ao fazer a adaptação do argumento inicial para a realidade de Macau, Johnny Tam conta que não precisou de fazer alterações muito profundas porque “a mentalidade das personagens não é muito próxima da ocidental”: “Eles não se preocupam apenas em ter um bebé, mas também no impacto que isto pode trazer ao mundo porque estão preocupados em fazer do mundo um lugar melhor”, explica.

“Brutalmente honesta, divertida, enervante e actual”, é como o The Guardian caracteriza o trabalho de Macmillan que “dá voz a uma geração para a qual a incerteza é uma forma de vida”.

 

CVN

 

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