China quer que especialistas estrangeiros examinem Liu Xiaobo

O gabinete dos assuntos judiciários de Shenyang terá convidado vários médicos estrangeiros para se deslocaram à China para examinarem o estado de saúde do Prémio Nobel da Paz, Liu Xiaobo. Foram vários os países que ao longo das últimas semanas pediram a Pequim para permitir que Liu viajasse para o estrangeiro para receber tratamento médico.

Protest with masks of Liu Xiaobo at China Liaison Office in Hong Kong
epa06052020 A protesters holds a mask with the face of Chinese dissident and Nobel laureate Liu Xiaobo during a protest outside the China Liaison Office in Hong Kong, China, 27 June 2017. Liu has been granted medical parole after being diagnosed with liver cancer, according to the Liaoning Prison Administration Bureau. Liu Xiaobo was imprisoned in 2009 on charges of subversion for calling for greater democracy. EPA/JEROME FAVRE

A República Popular da China convidou médicos estrangeiros para examinar o estado de saúde do Nobel da Paz Liu Xiaobo, recentemente colocado em liberdade condicional e hospitalizado devido a um cancro, anunciaram esta quarta-feira as autoridades chinesas.

“A pedido da família de Liu Xiaobo”, o hospital de Shenyang (nordeste da China), onde está hospitalizado o dissidente “convidou os principais especialistas mundiais em cancro do fígado, dos Estados Unidos, da Alemanha, e de outros países, para se deslocarem à China” para o examinar, indicou em comunicado o gabinete dos assuntos judiciários de Shenyang.

O activista foi condenado em 2009 a 11 anos de prisão por subversão.

Vários países tinham pedido a Pequim para autorizar Liu Xiaobo a viajar para o estrangeiro para tratamento médico, um pedido também manifestado por organizações não-governamentais e de defesa dos direitos humanos.

Também na vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong, na semana passada, durante a visita à cidade do Presidente chinês, Xi Jinping, foram realizados vários protestos a pedir a libertação incondicional do activista chinês e da mulher, Liu Xia, colocada em prisão domiciliária em 2010, depois da atribuição do Nobel ao marido, embora nunca tenha sido formalmente acusada de qualquer crime.

Símbolo da luta pela democracia na República Popular da China, Liu Xiaobo foi condenado depois de ter sido um dos promotores da chamada “Carta 08”, um manifesto a favor da introdução de reformas políticas democráticas e do respeito pelos direitos humanos no país, subscrito inicialmente por mais de 300 intelectuais, inspirado na “Carta 77” lançada por Vaclav Havel na antiga Checoslováquia socialista.

Professor de Literatura na Universidade de Pequim, Liu escreveu sobre a sociedade e a cultura chinesas, centrando-se na democracia e nos direitos humanos e era influente no meio intelectual.

Liu foi um dos animadores do movimento estudantil pró-democracia da Praça Tiananmen, em 1989, tendo estado preso durante 21 meses após a violenta repressão dos protestos.

Em 1996, foi condenado a três anos de “reeducação através do trabalho”, em resultado de mais acções de luta pelos direitos fundamentais.

Foi novamente detido a 8 de Dezembro de 2008, dois dias antes da publicação, por ocasião do 60.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da “Carta 08”, embora a data formal da detenção tenha sido 23 de Junho de 2009, por suspeita de “alegadas acções de agitação destinadas a subverter o Governo e derrubar o sistema socialista”.

Em 9 de Dezembro de 2009 foi oficialmente acusado de “incitar à subversão do poder do Estado” e a 25 do mesmo mês, após um julgamento que não cumpriu os padrões processuais internacionais mínimos, foi condenado a 11 anos de cadeia.

O Comité Nobel norueguês atribuiu-lhe, a 8 de Outubro de 2010, o Premio Nobel da Paz, em reconhecimento da “longa e não-violenta luta pelos direitos humanos fundamentais na China”.

 

 

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