Pró-democratas:  Duas listas, um mesmo programa político

 

Au Kam San e Ng Kuok Cheong apresentaram ontem, no Edifício da Administração Pública, na Rua do Campo, a composição das candidaturas que encabeçam tendo em vista as eleições legislativas de 17 de Setembro. Os deputados concorrem em listas separadas, mas partilham um mesmo programa político. Ng Kuok Cheong admite a possibilidade da estratégia pela qual os dois candidatos optaram poder vir a ser mal sucedida.

 

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Os deputados Au Kam San e Ng Kuok Cheong deram ontem a conhecer a constituição das listas com que vão procurar ser reeleitos para a Assembleia Legislativa, a 17 de Setembro próximo. Colegas de bancada, Au e Ng submeteram a composição das respectivas candidaturas à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) ao início da tarde de ontem, no edifício de Administração Pública. Os deputados, que se candidatam pela primeira vez a um lugar no hemiciclo sem o apoio da Associação Novo Macau, lideram as candidaturas da Associação de Novo Movimento Democrático e da Associação de Próspero Macau Democrático.

A exemplo do que sucedeu há quatro anos, cada lista é composta por seis candidatos, mas ao contrário da opção tomada em 2013, este ano as duas candidaturas defendem um mesmo programa politico, ainda que os deputados se proponham direccionar a campanha para diferentes causas e problemáticas: “Eu, por mim, vou lutar contra a corrupção, exigir mais democracia e pugnar pela melhoria das condições de vida das pessoas”, explicou Ng Kuok Cheong. De camisa e gravata lilás, o candidato não esconde o seu optimismo e está convicto de que pode garantir a sua própria eleição e ainda abrir as portas do hemiciclo a um segundo deputado.

Ng reconhece que o sucesso da sua candidatura pode, ainda assim, significar que a lista liderada por Au Kam San não será tão bem sucedida. O deputado diz estar consciente de que as duas listas vão disputar o mesmo eleitorado, mas garante que a competição com o colega de bancada é saudável: “Os residentes poderão ser confrontados com alguma confusão, mas temos posições diferentes. A competição é, no entanto inevitável”, admite. “A competição entre nós, entre mim e o Au Kam San, é saudável. Não é o tipo de competição em que as pessoas se atacam umas às outras para garantir os seus objectivos”, sustenta.

De um mesmo modo, a eventual concorrência da candidatura da Associação Novo Macau também não tira o sono a Ng Kuok Cheong. O deputado louva mesmo a abordagem cautelosa do organismo que ajudou a fundar ao escrutínio de 17 de Setembro: “Nas últimas eleições, a Associação Novo Macau optou por se apresentar a escrutínio dividida em três listas e opção, aliada ao facto de termos perdido alguns votos, tornou a aritmética mais difícil. Desta vez a Associação Novo Macau optou por uma abordagem mais cautelosa e concorre às eleições com uma única lista. Ao contrário do que aconteceu em 2013, não me parece que a Novo Macau vá desperdiçar votos desta vez”, defende.

Se Ng Kuok Cheong se propõe lutar por uma reforma efectiva do sistema político e contra a corrupção,  Au Kam San vai centrar atenções em doze causas, nas quais se incluem a transparência na atribuição de terrenos e de habitação pública ou a protecção dos direitos dos trabalhadores do território: “Partilhamos a mesma visão no que diz respeito ao futuro de Macau, mas vamos colocar ênfase em diferentes aspectos”, sublinhou Au Kam San em declarações aos jornalistas.

O candidato não se mostrou muito preocupado com a questão da alocação de votos e a proliferação de candidaturas. Au entende que as escolhas da população são soberanas e diz que está preparado para aceitar as escolhas dos eleitores do território: “De uma forma geral, não há qualquer estratégia para garantir a alocação de votos. Basicamente respeitamos o livre arbítrio e a escolha dos residentes. Deixamos que os residentes escolham por si próprios. Comparando com o que aconteceu nas últimas eleições, não esperamos uma diferença muito significativa no número de votos. Muitos eleitores esclarecidos, se concordarem com os nossos princípios, vão oferecer-nos o seu voto. Respeitamos a escolha dos residentes e não temos a pretensão de ensinar aos residentes do território como é que se vota”, assume o deputado. “Ninguém pode garantir que será ou não eleito e a beleza dos processos eleitorais  é essa, para o bem e para o mal. O que conta é o veredicto dos eleitores”, remata Au Kam San.

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