Inteligência artificial: A “revolução industrial” do século XXI ao serviço da “Grande Baía”

Entrou na cultura moderna através de filmes de culto como “Star Wars” ou “Matrix”, que foram criando no imaginário popular uma associação entre inteligência artificial e a hecatombe da humanidade às mãos de robots. Em pleno século XXI, a disciplina vai conhecendo avanços a cada vez mais rápidos que aos poucos se vão tornando transversais a vários sectores da sociedade. Dois especialistas convidados pela Universidade de Macau estiveram ontem no território para quebrar estereótipos e explorar as potencialidades da inteligência artificial na construção, por exemplo, do projecto da Grande Baía.

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Geralmente associada a filmes apocalípticos de ficção científica, a inteligência artificial conheceu nos últimos anos um desenvolvimento que possibilitou a sua aplicação nos mais diversos campos da actividade humana e com os mais variados resultados. Com o objectivo de desmistificar alguns estereótipos que ainda subsistem no imaginário popular sobre este ramo da ciência computacional, a Universidade de Macau convidou ontem dois especialistas para abordar o assunto e explicar de que forma soluções no campo da inteligência artificial podem ser aplicadas no desenvolvimento do projecto da “Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.

“A inteligência artificial conheceu grandes avanços. Um deles é a capacidade de aprendizagem através da qual as máquinas podem utilizar os dados de experiências para aprender e melhorarem-se a si mesmas”, explicou ao PONTO FINAL Qiang Yang, director do Departamento de Ciências Computacionais e Engenharia da Universidade de Ciências e Tecnologia de Hong Kong. Zhou Zhi-Hua, professor do Departamento de Ciências Computacionais e Tecnologia da Universidade de Nanjing, foi mais longe ao considerar a inteligência artificial como “uma nova forma de revolução industrial” capaz de “mudar por completo a sociedade e a vida das pessoas”.

O académico da Universidade de Nanjing apontou o sector dos transportes como um dos que pode beneficiar com a análise de dados recolhidos através de ferramentas como o MacauPass: “Se acedermos aos dados para perceber quando é que as pessoas usam cada paragem e que sector não está completamente ocupado podemos desenhar uma rota mais eficiente, conveniente e o consumo de combustível será minimizado”, exemplificou Zhou.

Por sua vez, Qiang Yang exemplificou com a área do apoio ao cliente, que se revestiu de uma nova importância com a expansão do comércio online e a “explosão de clientes” que acabou por permitir. O académico sublinha que, neste âmbito concreto o departamento de apoio ao cliente não consegue dar resposta às solicitações se depender apenas de humanos. Contudo, “se usar uma máquina esta pode aprender com os dados e ajudar os clientes 24 horas por dia e automatizar por completo o processo”, defende Yang.

Uma vez que a recolha de dados pessoais está intimamente ligada aos propósitos de cada empresa, este processo está dependente do sector privado que, ao assegurar a qualidade e a variedade das informações armazenadas, define o sucesso dos projectos de inteligência artificial. Para o académico de Nanjing, cabe ao Governo instar as companhias a partilhar os dados  e a trabalharem em conjunto para aumentar as suas potencialidades.

 

 

A QUESTÃO FULCRAL: SEGURANÇA OU PRIVACIDADE?

 

O alerta foi dado por Edward Snowden, ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA na sigla inglesa), quando, em 2013, revelou a extensão da capacidade de monitorização da vida dos cidadãos por parte do Governo dos Estados Unidos da América. Contudo, apesar de apontar o “caso Snowden” como o gatilho que accionou o alarme, Qiang Yang considera que as empresas privadas têm um estímulo maior para a recolha de dados pessoais, no sentido em que a informação obtida pode ser aplicada na maximização de lucros.

O académico defende que deve existir um equilíbrio no processo de transferência de informação no qual ambas as partes – o “produtor de dados” e o “consumidor de dados” – obtêm resultados benéficos. Os motores de busca online são apontados como um “bom exemplo”, ao disponibilizarem um serviço gratuito, através do qual recolhem informação que é depois aplicada na actualização do próprio sistema.

Contudo, Yang acredita que a maioria dos utilizadores não está ciente da extensão do armazenamento e análise a que os dados que disponibiliza estão a ser sujeitos: “A sociedade precisa de estar mais consciente sobre a propriedade intelectual dos dados. As pessoas devem ter controlo sobre as suas informações pessoais, assim como têm das suas casas e carros, e fazer estas exigências às quais o Governo tem de se adaptar”, defende o académico.

CVN

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