UMAC: Rui Martins, vice-reitor, garante que há liberdade académica

O vice-reitor da Universidade de Macau (UMAC) garantiu ontem que a erosão da liberdade académica no seio da instituição de ensino superior não se verifica, pelo menos no que toca à área da investigação. Rui Martins respondeu assim às acusações feitas na semana passada por Hao Zhidong. O professor de Sociologia denunciou regras mais restritivas para os funcionários da UMAC que se desloquem a Taiwan em serviço.

1.Dengue

Joana Figueira

Rui Martins, vice-reitor da Universidade de Macau (UMAC), garantiu ontem que as denúncias avançadas por Hao Zhidong relativas à erosão da liberdade académica, não se aplicam à área de investigação científica.  O professor de sociologia da maior instituição de ensino superior do território  afirmou na semana passada, em entrevista ao programa “Talk Show” do Canal Macau da TDM, que os relatórios das deslocações oficiais e viagens de cariz científico que os membros da universidade elaboram têm de incluir “com quem se vão encontrar e o que vão fazer” sempre que o destino é Taiwan.

Ao PONTO FINAL, Rui Martins garantiu que na área da investigação científica não se aplicam quaisquer limitações: “Estou à frente da investigação [da UM] há muitos anos e nós exigimos aos professores que fazem visitas de investigação a qualquer parte do mundo, um relatório sobre essa viagem e não há nenhuma excepção relativamente a Taiwan.” O vice-reitor assegurou que, enquanto responsável pela investigação, todos os relatórios das deslocações de investigação passam pelas suas mãos e que “não há nenhuma norma” no sentido de exigir que sejam referenciadas as pessoas entrevistadas durante os processos de pesquisa e investigação.

“Dizer que há limitações àquilo que [Hao Zhidong] chama ‘academic freedom [liberdade académica]’, não confirmo, porque, aqui – pelo menos dentro da minha área – todos os professores são livres de apresentar os assuntos de investigação que entenderem. Nós avaliamos isso do ponto de vista científico apenas e há toda a liberdade para desenvolver trabalhos de investigação em todas as áreas sem qualquer limitação. Portanto, nesse aspecto, se ele fala em ‘liberdade académico’ relacionada com a investigação, não há nenhuma limitação, nem nunca houve, na Universidade de Macau”, sublinhou ainda Rui Martins.

Quanto à questão específica das viagens oficiais dos membros da Universidade a Taiwan, o vice-reitor preferiu não tecer considerações e remeteu eventuais respostas para o gabinete de comunicação da universidade. O PONTO FINAL contactou o gabinete do reitor da UMAC, Wei Zhao, e o do director da Faculdade de Ciências Sociais, Yufan Hao, para esclarecimentos, mas não obteve qualquer réplica até ao fecho desta edição do jornal. Já Agnes Lam, docente na Universidade de Macau, pronunciou-se sobre a matéria numa primeira instância, mas acabou por se retractar, justificando a decisão com o facto de ser, neste momento, candidata a um lugar na Assembleia Legislativa.

 

Na semana passada, Hao Zhidong, que se vai reformar este Verão, disse, também em entrevista ao Canal Macau,  que acredita que “a liberdade académica está a encolher” na UM, tendo em conta indicadores como “um menor encorajamento para os debates ou discussões de temas controversos dentro do campus” ou a decisão da Universidade de Macau de não renovar o contrato do professor Bill Chao, que integra o movimento Consciência de Macau.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s