Myanmar: Exército prende jornalistas que se deslocaram a cenário de guerra

Três jornalistas estão entre um grupo de sete pessoas que foram detidas no nordeste da Birmânia, depois de se terem deslocado a uma zona controlada pelo Exército de Libertação Nacional Ta’ang. A Amnistia Internacional diz que com as detenções, o Exército birmanês quer apenas evitar que as atrocidades cometidas na zona se tornem conhecidas.

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O exército da Birmânia procedeu à detenção de sete pessoas, incluindo três jornalistas, que saíam de uma zona no nordeste do país controlada por uma das guerrilhas étnicas que luta contra os militares, noticiou esta terça-feira a imprensa do Myanmar.

A detenção ocorreu na tarde de segunda-feira durante um controlo militar numa estrada em Payargyi, no estado Shan, próxima da zona controlada pelo Exército de Libertação Nacional Ta’ang (TNLA), indicou o portal de notícias Irrawaddy.

Os jornalistas – um ao serviço deste portal de notícias e dois pertencentes ao Democratic Voice of Burma – acabavam de visitar um acampamento da guerrilha para reportar a destruição de uma plantação de ópio, por ocasião do Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, assinalado a 26 de Junho.

Em comunicado, o Ministério da Defesa birmanês acusou o grupo de manter contacto com uma organização armada e ameaçou avançar com acções judiciais.

As detenções foram criticadas pela organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional (AI), que exigiu a libertação dos detidos e acusou os militares de coarctar a liberdade de imprensa em zonas nas quais é acusado de ter cometido crimes de guerra: “Estas detenções constituem uma tentativa grosseira de intimidar jornalistas por parte de militares que parecem incapazes de aceitar a mínima crítica”, afirmou o director da Amnistia Internacional para o Sudeste da Ásia, James Gomez.

O Exército de Libertação Nacional Ta’ang é uma das organizações armadas que não firmou qualquer acordo de cessar-fogo com as autoridades birmanesas e mantém os combates com o exército no nordeste do país.

Num relatório publicado recentemente, a Amnistia Internacional acusou o exército birmanês de perpetrar abusos contra a população civil nos estados Shan e Kachin, e denunciou actos de tortura, execuções extrajudiciais, bombardeamentos indiscriminados de aldeias e de restrições à ajuda humanitária.

A organização não governamental também acusou o TNLA de cometer abusos contra civis, citando nomeadamente o recrutamento forçado.

 

 

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