Grow uP eSports quer quebrar estereótipos e aposta em formação feminina

Uma actividade virada, sobretudo, para o universo masculino e que tende a ignorar as potencialidades do segmento feminino. É este o panorama das competições de jogos electrónicos desenhado por Fernando Pereira, presidente da associação Grow uP eSports. O organismo apadrinhou recentemente a constituição de equipa só de mulheres. O objectivo, conta o dirigente associativo, é quebrar estereótipos e nivelar a competitividade encontrada nos torneios.

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A associação Grow uP eSports integrou no seu leque de formações competitivas as jogadoras da equipa anteriormente designada por “MissRippers.  Fundada há dois anos, a formação – que integra jogadoras de Macau e de Hong Kong – vai passar a competir com o emblema da Grow uP e a primeira competição em que participam decorre já nesta sexta-feira. As seis praticantes do jogo electrónico League of Legends (LoL) deslocam-se à vizinha Região Administrativa Especial para tentar conquistar o primeiro lugar num torneio promvido pela Fundação Li Ka Shing, por ocasião do 20º aniversário do estabelecimento da RAEHK. As expectativas são elevadas e Fernando Pereira, presidente da associação, acredita mesmo que as atletas vão trazer para casa um dos primeiros lugares.

Esta equipa feminina não é uma excepção na tendência “global” do interesse das mulheres nos jogos electrónicos, que compõem já 29 por cento dos entusiastas dos desportos electrónicos, assegura Fernando Pereira. No entanto, os números não são suficientes para diluir a cisão de género que o dirigente associativo diz ainda persistir nas competições. “Eu acho que não haveria necessidade de haver essa distinção no que é o chamado ‘mind sports’, que não tem componente física. As equipas de raparigas, de rapazes ou as equipas mistas deveriam estar ao mesmo nível competitivo e com as mesmas oportunidades” defende.

Contudo, Fernando Pereira nota um interesse crescente nos desportos electrónicos, sobretudo no universo masculino, tendência esta que a Grow uP eSports pretende contrariar: “Queremos mostrar que existe bastante potencial no segmento feminino, que é tão competitivo como o masculino. Aliás, estas raparigas [que agora estão a competir pela Grow uP] são todas atletas de alto nível e são melhores que muitas equipas masculinas”, remata.

Sendo os jogos electrónicos na sua essência “mind games” (jogos mentais), a Grow uP definiu como prioridade o acompanhamento e aconselhamento psicológico dos seus jogadores. Em Portugal, onde a associação foi criada e tem ainda uma sede, foi desenvolvida uma parceira com a Ordem dos Psicólogos e em Macau procuram desenvolver um acordo semelhante.

Além de providenciar acompanhamento aos jogadores, o organismo pretende também aconselhar os jovens e educar os pais: “Nós já fizemos algumas sessões de esclarecimento na Universidade de Macau e tivemos estudantes que eram muito bons jogadores e que nos perguntaram se eles deveriam até deixar de estudar para perseguir uma carreira nos jogos. Nós aconselhamos sempre que não, mas dizemos, ainda assim, que se gostam de jogar jogos e se acham que são bons devem orientar os seus estudos para algo da indústria dos ‘e-sports’”, resume Fernando Pereira.

O dirigente associativo acredita que existe falta de conhecimento por parte dos jovens acerca das possibilidades de emprego oferecidas pela indústria dos “esports” e que vão além da profissionalização enquanto atletas: “Os jogos electrónicos têm no máximo dez anos de ciclo de vida e quando esse jogo termina uma pessoa pode vir a não ser tão boa num próximo jogo. Portanto é muito complicado seguirem carreiras que seja apenas jogar, têm de pensar sempre na parte de carreira que tem de ser desenvolvida em paralelo, seja ganhar competências para depois fazer análises dos jogos ou para comentar os jogos”, explica.

Como exemplo é apontado o bacharelato em “E-sports” da universidade britânica de Staffordshire que refere como oportunidades de carreira no campo  do jornalismo ou da criação de conteúdos, árbitro, gestor de “social media”, gestor de eventos e agente. Já em Macau, o presidente da associação lamenta que as universidades não estejam cientes da procura existente: “Precisam de compreender melhor o que é que se está a passar lá fora”, defende. Fernando Pereira critica a falta de profissionais naquela que é uma indústria de 500 milhões de dólares americanos, segundo a Business Insider.

A Grow uP está de momento a organizar um festival que vai incluir uma conferência e competições de “e-sports” mas está a deparar-se com dificuldades para localizar comentadores em mandarim: “É muito difícil encontrar profissionais que sejam muito bons a fazer isto e não há muitos e os que há aproveitam-se e cobram muito caro para desempenhar estes papéis”, lamenta.

 

CVN

 

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