Fundadores da “Casa do Povo” querem transformar Coloane em aldeia artística

“Casa do Povo” é como se chama o novo projecto cultural de Mica Costa-Grande, Sofia Salgado e Eloi Scarva. A nova galeria de arte, situada no coração de Coloane, abre sábado, 1 de Julho, com duas iniciativas: o lançamento de um livro de poesia “Pedaços de Espelhos e Anúbis”, de Carlos Santos, às 16h, e uma exposição de fotografia – “Trabalhos Recentes” –  de Carlos Malvas, às 17h.

Foto de Carlos Malvas

Fotografia: Carlos Malvas;

Cláudia Aranda

“Queremos transformar a aldeia, já que tem tantos visitantes, em algo interessante, e a aldeia de Coloane tem todo o potencial para ser uma aldeia de arte no Sul da China”, disse ao PONTO FINAL o fotógrafo Mica Costa-Grande, fundador da galeria “Casa do Povo”, junto com Sofia Salgado, que coordena os eventos, e o escultor Eloi Scarva, que é também filho do casal.

“Esta é a primeira semente. Temos várias. Com o tempo as outras vão aparecer, como o espaço de ateliers, aqui em Hac Sa, e as parcerias com os hotéis locais para promoção artística. Basicamente é transformar isto numa aldeia de artes com três grandes linhas, literatura, fotografia e escultura, mas um enfoque na fotografia”, acrescentou Mica Costa-Grande.

A galeria “Casa do Povo” situa-se na Travessa da Pipa, em Coloane, perto da igreja de São Francisco Xavier e do restaurante Nga Tim Cafe. O espaço abre sábado, 1 de Julho, com o lançamento de um livro de poesia “Pedaços de Espelhos e Anúbis”, de Carlos Santos, às 16h, e uma exposição de fotografia, “Trabalhos Recentes”, de Carlos Malvas, às 17 horas: “Queremos intercalar fotógrafos internacionais e locais, pouco conhecidos, como é o caso deste, Carlos Malvas, há 30 anos em Macau, que fotografa Macau, o caos, o absurdo e o cómico que é a vida nas ruas de Macau. É surpreendente porque é um grande fotógrafo que nunca se mostrou. É a primeira vez”, prossegue o organizador.

A galeria está aberta a propostas de criativos de todas as idades: “Temos o nosso programa, que é um queijo suíço, tem buracos enormes, pelo que há que haver propostas. Nós ouvimos toda a gente, recebemos toda a gente, e depois somos muito exigentes. É o caso do Carlos Malvas: acreditamos que há pessoas que não se promovem e depois não são conhecidas, as pessoas que trabalham a sério não têm tempo para se promoverem. É este tipo de pessoas que nós procuramos”.

No sábado é inaugurada a “Casa do Povo”, de Coloane. Mas, há uma segunda “Casa do Povo”, que vai abrir em Hac Sa: “Era uma antiga cavalariça, havia aqui uma organização que promovia actividades equestres e esteve 30 anos vazio. Nós recuperámos este espaço. É pouco usual em Macau, temos espaço exterior, ateliers e estúdios enormes, e queremos aqui dinamizar o aspecto educativo, ligado com as artes, queremos promover workshops ou oficinas e complementar alguns dos cursos superiores de Macau, que poderão dar créditos aos alunos que frequentem os nossos cursos, que vão ser leccionados por pessoas eminentemente práticas, que trabalham em áreas artísticas e que, no fim-de-semana e no horário pós-laboral, possam transmitir os seus conhecimentos como profissionais, não tanto como académicos”, continua Mica Costa-Grande.

O espaço de Hac Sa deverá abrir em Setembro: “Queremos reunir pessoas de vários escalões etários, desde a pessoa mais velha que não sabe usar um computador até às crianças”, prossegue.

O projecto de dinamização artística e cultural de Coloane e Hac Sa está a ser realizado com fundos próprios, sem recurso a subsídios: “Isto é tudo investimento próprio. Trabalhamos directamente com os artistas, eles fornecem as obras e nós mostramo-las, temos as despesas decorrentes de um espaço aberto, da montagem da exposição. Mas, para já, é tudo por nossa conta, completamente privado. Desde a remoção do lixo, a instalação dos ares-condicionados: nós construímos, isolámos, pusemos o espaço habitável, é tudo feito por nós e os amigos, é uma empresa familiar e de amigos”, rematou Mica Costa-Grande.

“Anno Gallus 2017” adiado para Setembro

3.galo-barcelos_1_1280_720

O projecto “Anno Gallus 2017”, que estava previsto que fosse lançado a 1 de Março, foi adiado, encontrando-se a sua inauguração agora programada para 29 de Setembro, devendo a exposição das esculturas permanecer expostas até 26 de Novembro, adiantou Mica Costa-Grande, fundador e curador do projecto Anno, juntamente com Sofia Salgado, que assume a coordenação: “Este ano vai acontecer, mas fora da época em que costumamos organizar, porque não conseguimos financiar o projecto para essa altura, mas está garantido para 29 de Setembro, vamos pôr os galos na rua”, disse ao PONTO FINAL Mica Costa-Grande.

A retirada do patrocínio da Sands China – que financiou as três edições anteriores – atrasou a inauguração da iniciativa na entrada do Ano Novo Lunar. Os organizadores principiaram conversações com instituições governamentais do território, e previam colocar as esculturas em diversas partes da cidade a partir de 1 de Março. Todavia, só há duas semanas os organizadores conseguiram garantir um apoio “mínimo”, do Instituto Cultural, que cobre a produção das 25 esculturas de galos, que serão intervencionadas por 25 artistas locais, disse o organizador: “Acabamos de ter a aprovação do Instituto Cultural, estamos à espera da Direcção dos Serviços de Turismo”, disse o organizador. “Precisamos de dois meses para a produção, nesta altura temos garantida o fabrico dos animais, tudo o resto temos que conseguir até Setembro”, complementa Costa-Grande. A organização continua a negociar com outras instituições por forma a angariar patrocínios para cobrir outras despesas, como o transporte e logística para posicionar as obras em diferentes locais da cidade.

A alternativa à distribuição das obras pela cidade, caso não haja orçamento para o fazer, poderá ser colocar as esculturas na zona das galerias de arte dos Lagos Nam Van, acrescentou o organizador.

A mostra deveria seguir para Barcelos, em Portugal, para se instalar, mais tarde, na rota dos peregrinos que rumam a Santiago de Compostela. No entanto, devido ao atraso na inauguração, a ida a Portugal está suspensa por enquanto, mas não está colocada de parte. Também a Câmara Municipal de Barcelos ofereceu um galo de cerca de três metros e meio a Macau. Mica Costa-Grande afirmou que estão a tentar intermediar este projecto e a encontrar forma de trazer a obra para o território. Os organizadores planeiam ir agora a Barcelos e ao Caminho Português de Santiago tratar destes assuntos.

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s