IPM remata projecto “Português Global” com lançamento de quarto volume da série

O Instituto Politécnico de Macau (IPM) lançou ontem três livros focados no ensino de língua portuguesa a estudantes chineses. Entre os volumes ontem apresentados, destaca-se “Português Global IV”, obra que faz culminar um projecto que já chegou a várias universidades da República Popular da China.

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Joana Figueira

Foi uma “maratona” de cerca de dez anos, aquela que chegou ontem ao fim. O Instituto Politécnico de Macau (IPM) lançou esta segunda-feira o quarto e último volume da série “Português Global”, um conjunto de manuais de ensino produzidos pela instituição com o propósito concreto de facilitar a aprendizagem da língua portuguesa por alunos das universidades chinesas. Na cerimónia de apresentação de “Português Global IV”, marcou presença Lei Heong Iok, presidente do IPM, que garantiu que são “mais de mil”, os estudantes da República Popular da China que fazem uso quotidiano dos manuais da colecção.

Visto por muitos como o pai do acordo ortográfico, coube a João Malaca Casteleiro apresentar o quarto volume de “Português Global ”. O linguista português explicou que o manual, que a breve prazo também deve ser publicado em Pequim, se distingue dos demais pelo seu carácter pragmático: “Contém unidades didácticas que abrangem conteúdos programáticos relacionados com aspectos diversos da cultura portuguesa, tais como idiomatismos e provérbios de uso corrente, assuntos relevantes da educação, da saúde, do desporto, da gastronomia e alimentação, do sistema social, etc.”.

Para além de um “domínio mais completo da gramática”, o quarto volume da colecção apresenta uma grande diversidade de textos. Os responsáveis pelo manual de ensino deram grande “relevância a alguns autores das literaturas de língua portuguesa, quer clássicos, quer modernos, como Luís de Camões, Almeida Garrett, Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Ricardo Araújo Pereira, Carlos Tê, do lado de Portugal. Ou Martha Medeiros, do Brasil, José Eduardo Agualusa, Ondjaki, Pepetela, de Angola, Germano de Almeida de Cabo Verde ou Mia Couto de Moçambique”, especificou João Malaca Casteleiro.

Lei Heong Iok, por outro lado, referiu que a série “Português Global” foi um longo processo que arrancou em 2011, já lá vão seis anos: “Há muito tempo, começámos a definir uma estratégia para o ensino e divulgação da língua e cultura portuguesas, não só em Macau, [mas também] na Grande China, no sentido de corresponder à política do Governo da RAEM de transformar Macau numa plataforma de cooperação económica e comercial entre a China e os países lusófonos”, disse.

O presidente do Instituto Politécnico de Macau adiantou que os três primeiros volumes lançados pelo IPM  já chegaram a mais de mil alunos da República Popular da China, de acordo com as dados recolhidos pela instituição: “Cerca de 30 universidades chinesas já oferecem o ensino do Português. Refiro-me ao ensino do Português como programa que oferece grau de licenciatura, não contando aqueles aprendendo Português noutras áreas de indústria, de engenharia, de medicina, etc. Refiro-me apenas às universidades. Então, mais de mil alunos já estão em cooperação com o IPM e não só lhes mandamos livros – incluindo [esta série] “Português Global” – mas também dicionários”, afirmou.

Lei Heong Iok destacou o papel do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa (CPCLP) do IPM na área da produção de materiais didácticos. Nesses trabalhos, inclui-se a série de manuais agora concluída e que Carlos Ascenso André, coordenador do centro, considera ser “mais um passo” na “(…) estratégia, que se tem vindo a desenvolver, de apoio ao ensino do Português em Macau e no Interior da China”.

Ontem, no Instituto Politécnico de Macau, foram apresentados dois outros livros: “Actas do 3º Fórum Internacional do Ensino da Língua Portuguesa” e “Dicionário de Verbos Chinês–Português”.

 

 “JULHO VAI SER UM MÊS ESTAFANTE” PARA O CPCLP, DIZ CARLOS ANDRÉ

 

Ao 4º Fórum Internacional do Ensino da Língua Portuguesa (que decorre em Pequim no final da primeira semana de Julho), ao curso de Verão para professores que exercem funções no Interior da China e ao Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas – “o grande acontecimento deste ano” – junta-se o lançamento, até ao final do ano, de seis novos livros, disse Carlos André ao PONTO FINAL, sobre as actividades do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa durante os próximo meses.

“Nas próximas duas ou três semanas, vão sair mais dois livros e que vão ser de enormíssima utilidade em Macau. Vamos ter um livro de fonética, muito original, que recorrer a canções portuguesas para o ensino da fonética e, portanto, é um livro que é muito interessante nesse domínio. Já temos em preparação um com a utilização de canções brasileiras, temos um outro manual prático para o uso de verbos que, no fundo, é complementar em relação a este [Português Global IV] que foi hoje [ontem] aqui apresentado e esse será publicado por nós [CPCLP]. Nós aqui trabalhamos sempre em conjunto”, explicou Carlos Ascenso André.

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