Cinema “indie” português preenche fim-de-semana na Cinemateca Paixão

A segunda Mostra de Cinema Português – Extensão do IndieLisboa a Macau arranca na sexta-feira, dia 30 de Junho, às 19h30, com a projecção, na Cinemateca Paixão, do documentário “O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu”, do realizador João Botelho. A programação, que se estende até domingo, inclui filmes portugueses premiados no IndieLisboa de 2016.

1.Cinema

Cláudia Aranda

Claudia.aranda.pontofinal@gmail.com

 

O filme “O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu”, do realizador João Botelho, que abre a Mostra de Cinema Português de 2017, é um “documentário sobre o método e o modo de filmar de Manoel de Oliveira. Não a vida, aventurosa e longa, mas as prodigiosas invenções cinematográficas do maior de entre nós, cuja obra coincidiu, cresceu e talvez tenha acabado no mesmo momento em que o declínio do cinema se acentuou”, descreve o realizador João Botelho na sinopse do filme.

No documentário, Botelho expressa, através da obra, a admiração por uma das suas referências cinematográficas, o cineasta português Manoel de Oliveira, que morreu em 2015 aos 106 anos. O realizador é o narrador deste filme, no qual recorda como conheceu Manoel de Oliveira quando ainda andava na escola de cinema e revela excertos de alguns dos filmes daquele que foi descrito como o “mais internacional dos realizadores portugueses” e o “artista português mais premiado de sempre”, com filmes como “Amor de Perdição”, “Vale Abraão” e “Palavra e Utopia”.

O filme de Botelho estreou no IndieLisboa, no ano passado, e foi premiado no festival Janela Internacional de Cinema do Recife com o Prémio João Sampaio.

A Mostra de Cinema Português é uma extensão a Macau do IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema Independente e conta com o patrocínio da Fundação Oriente e da Casa de Portugal em Macau e ainda do apoio institucional do Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong e do Instituto Português do Oriente (IPOR). O evento tem ainda o apoio de consultoria e logístico da produtora Portugal Film, estabelecida em Lisboa, e da empresa de eventos local, Xcessu. A mostra de cinema, que decorre até domingo, 2 de Julho, é o último evento que fecha o cartaz de “Junho – Mês de Portugal”, promovido para assinalar o 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas:  “Esta é uma mostra de cinema que começámos a fazer o ano passado. Somos nós que convidamos, a Fundação Oriente e a Casa de Portugal promovem numa organização conjunta, a Portugal Film selecciona os filmes”, explicou ao PONTO FINAL a delegada da Fundação Oriente em Macau, Ana Paula Cleto. A curadora do evento é Margarida Moz, directora da Portugal Film, refere a organização.

No segundo dia de programação, que é sábado, a partir das 18h, haverá uma sessão de curtas-metragens, onde serão apresentados a animação “Macabre”, de Jerónimo Rocha e João Miguel Real e ainda “Campo de Víboras”, de Cristèle Alves Meira e “Pedro”, de André Santos e Marco Leão.  Estes três filmes, cada um com apenas 20 minutos, já foram apresentados em alguns dos principais festivais mundiais, como Cannes, Sundance e Palm Springs. No IndieLisboa, “Campo de Víboras” venceu o Prémio Novo Talento Fnac, que reconhece o trabalho de jovens realizadores.

A sessão da noite de sábado será dedicada ao filme “Treblinka”, de Sérgio Tréfaut, que venceu o prémio para Melhor Longa Metragem Portuguesa. O filme, com 61 minutos, é baseado em excertos do livro “Je suis le dernier juif” de Chil Rajchman, e “reflecte sobre o presente a partir das atrocidades cometidas no campo de concentração de “Treblinka”, refere um comunicado da organização.

No domingo, terceiro e último dia da mostra, são apresentadas na Cinemateca Paixão outras três curtas-metragens na sessão da tarde, que começa às 18h: “Ascensão”, de Pedro Peralta, “Swallows”, de Sofia Bost, e “O Corcunda”, de Gabriel Abrantes e Ben Rivers.

“Ascensão” venceu em 2016 o Prémio Árvore da Vida no Festival IndieLisboa. O filme, exibido já em Cannes, regista o resgate de um homem que caiu dentro de um poço, no campo, ao nascer do dia. O realizador filmou o esforço dos camponeses na recuperação do corpo, o silêncio das mulheres que assistem, e ainda a mãe que acolhe o filho nos braços. Tudo numa sequência de apenas três planos. “O Corcunda” foi eleito a Melhor Curta Metragem Portuguesa no mesmo festival.

A mostra encerra nessa noite de domingo com o filme “Estive em Lisboa e Lembrei de Você”, de José Barahona, que também passou pela competição Nacional do IndieLisboa. Esta obra é uma co-produção luso-brasileira que aborda o tema da emigração. Todos os filmes são legendados em inglês.

 

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