Trabalhadores não-residentes unem-se ao projecto “Be Cool” para alertar para os riscos da toxicodependência  

 

O Dia Internacional Contra o Uso e Tráfico Ilícito de Drogas foi ontem assinalado no território, num certame em que não faltou música e dança tradicional das Filipinas e da Indonésia, mas também coreografias interpretadas por grupos de jovens. O lema deste ano da efeméride – “Ouvir Melhor” – serviu também de mote ao evento ontem organizado pela Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau.

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“Ouvir Primeiro – Ouvir as crianças e os jovens é o primeiro passo para ajudá-los a crescer sãos e salvos”. Este é o lema da edição deste ano do Dia Internacional Contra o Uso e Tráfico Ilícito de Drogas, uma efeméride que foi decretada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1987 e que se celebra durante o dia de hoje um pouco por todo o mundo.

Em Macau, a data começou já ontem a ser assinalada, com um certame que não fugiu ao repto lançado pela Organização das Nações Unidas. A Praça da Amizade foi o local escolhido pela Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) para divulgar o trabalho levado a cabo por grupos de trabalhadores filipinos e indonésios com quem o organismo trabalha, bem como as acções promovidas no âmbito do projecto “Be Cool”.  Ao longo da tarde houve tempo para assistir a danças tradicionais indonésias, filipinas e chinesas e também coreografias de jovens que dançaram ao som de música pop e que passaram a mensagem de que é sempre possível pedir ajuda.

Mas porquê “Ouvir Primeiro”? Rute Borges, coordenadora do projecto “Be Cool” explica que o faz sentido por ser importante “chegar principalmente às comunidades mais jovens, ouvir as necessidades deles, dar-lhes apoio e trabalhar este problema das drogas em termos de informação”. Com o propósito de espalhar a mensagem de que ouvir é importante, a ARTM organiza palestras informativas nas escolas, mas também direccionadas para os pais ou para comunidades específicas: “Muitas vezes eles vêm ter connosco porque já nos conhecem e dizem ‘eu tenho uns amigos que estão a usar esta droga’ e então nós fazemos palestras especificamente para aquilo que eles nos estão a pedir”, complementa a responsável

O projecto “Be Cool”, uma das facetas mais visíveis das acções de prevenção promovidas pela Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau, trabalha essencialmente com as comunidades estrangeiras de Macau, principalmente a filipina e a indonésia. Ontem, representantes de ambas as comunidades deram a conhecer o trabalho que têm vindo a desenvolver no território. Clarisel de Chavez, membro de uma associação que representa os trabalhadores filipinos, explicou que o grupo a que pertence estabeleceu como prioridade a realização de actividades físicas e criativas, como por exemplo a dança: “Para manter os jovens afastados de más influências nós encorajamo-los a dançar ou a experimentar actividades criativas”, disse.

A cônsul-geral das Filipinas marcou também ontem presença nas comemorações do Dia Internacional Contra o Uso e Tráfico Ilícito de Drogas. Questionada sobre a percepção da sua comunidade em Macau em relação à guerra às drogas lançada pelo Executivo de Manila, Lilybeth Deapera  admite que sabe que “eles [comunidade filipina] estão a falar sobre isso e partilham as suas preocupações entre eles”: “Eles estão divididos. Alguns acham que as acções são um pouco drásticas, mas outros dizem que são necessárias para que o consumo de drogas termine”, afirmou Deapera.

Sobre o aumento da penas associadas ao consumo e ao tráfico de drogas, Rute Borges reitera o posicionamento da ARTM e considera que “o caminho não é por aí”: “Como muitos estudos nos têm mostrado, não é punindo ou castigando os consumidores que o problema é resolvido.  É tratá-los, é tratar como uma doença. Aqui em Macau está meio-meio: se encontram um consumidor pode não ir preso, vai para o centro de tratamento, tem os centros de redução de risco, a troca de seringas. Todos estes serviços são grátis, não é um mau caminho mas não acredito que aumentar as penas vá resolver o problema”, disse a coordenadora.

 

CVN

 

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