Embaixador alemão pede a Pequim que liberte bispo de Wenzhou

Num raro apelo, o representante diplomático da Alemanha na República Popular da China pediu às autoridades chinesas que libertem Shao Zhumin. Nomeado pelo Vaticano para a diocese de Wenzhou, o epíscopo está, alegadamente, sob prisão domiciliária, depois de ter sido obrigado a mudar de casa por quatro ocasiões.

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O embaixador alemão na República Popular da China pediu ontem às autoridades chinesas para que libertem um bispo católico, alegadamente sob detenção domiciliária, num caso de repressão da igreja no Continente. A China, recorde-se, apresenta-se oficialmente como um país ateísta.

Michael Clauss diz que o bispo Shao Zhumin estará detido em sua casa, depois de ter sido forçado a mudar-se por quatro vezes, para locais desconhecidos, no espaço de menos de um ano. Num comunicado difundido através da embaixada alemã, Clauss apelou a que a liberdade total de movimento de Shao seja restabelecida.

O embaixador afirmou também que está preocupado com as emendas propostas aos regulamentos para os assuntos religiosos, que os activistas dizem que servirá para aumentar as restrições.

Shao é bispo na cidade de Wenzhou, no sudeste do país. Foi nomeado em Setembro passado pelo Vaticano, não sendo, no entanto, reconhecido pelas autoridades chinesas.

Pequim e a Santa Sé não têm relações diplomáticas, divergindo sobretudo na nomeação dos bispos, com cada lado a reclamar para si esse direito.

O portal noticioso AsiaNews, que está vinculado ao Vaticano, noticiou que a polícia deteve Shao em 18 de Maio passado.

Na semana passada, Shao foi visto a chegar ao Aeroporto de Wenzhou, na província de Zhejiang, acompanhado por funcionários do Governo, que depois o conduziram para um local desconhecido, detalhou o portal.

O seu desaparecimento fará parte de uma tentativa para o persuadir a juntar-se à Associação Patriótica Católica da China, a igreja aprovada pelo Partido Comunista Chinês (PCC) e independente do Vaticano.

Nos últimos anos, as autoridades de Zhejiang removeram centenas de cruzes e outros símbolos exteriores de fé cristã, afirmando que estes violam normas de construção. Várias associações cristãs denunciaram a campanha como inconstitucional e humilhante.

A República Popular da China tem cerca de 12 milhões de católicos. Muitos celebram a sua fé em “igrejas clandestinas”, que se mantêm leais a Roma.

Michael Clauss afirmou ainda que está preocupado com algumas regras novas, numa proposta de regulamento para os assuntos religiosos, sem especificar quais:

“Se não forem alteradas, podem representar mais restrições no direito à liberdade religiosa e de crença”, afirmou o embaixador.

As alterações propostas, que foram tornadas públicas em Setembro, alarmaram os activistas, que afirmam que estas visam reprimir as manifestações católicas fora da igreja oficial.

Estas incluem cláusulas que dizem que locais religiosos devem seguir os regulamentos de planeamento urbano, numa tentativa de remover símbolos religiosos, como cruzes, das igrejas.

 

 

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