Falun Gong: Culto presente em Macau, mas está a perder força  

 

Presença notada nas Ruínas de São Paulo ou no Largo do Senado, os membros do culto religioso Falun Gong continuam a distribuir em Macau informação sobre o movimento. Contudo entre 1999 e este ano o número de residentes envolvidos nas iniciativas da organização caíram de forma significativa.

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João Santos Filipe*

Não é raro encontrar aos domingos membros do culto religioso Falun Gong –conhecido na República Popular da China pela designação de Falun Dafa – a distribuírem folhetos ou exemplares do jornal associado ao movimento nas Ruínas de São Paulo ou no Largo do Senado. Contudo, e apesar de o Governo local manter uma postura aberta em relação às actividades do grupo, são cada vez menos, em Macau, os seguidores das Falun Gong com uma participação activa nas iniciativas do culto.

O cenário foi traçado ao PONTO FINAL por Pouffy Lei, residente de 31 anos, que no passado domingo montou arraiais junto à Igreja de São Domingos com o propósito de distribuir informação sobre o movimento: “Em 1999 cerca de 200 pessoas participavam nas actividades e faziam exercício regularmente. Mas agora em 2017 é mais complicado. É preciso ser muito religioso para continuar a ter tempo para fazer exercício”, explicou.

A Falun Gong é um culto de prática espiritual que combina meditação com exercícios da arte marcial Chi Kung, tendo por base uma filosofia centrada na verdade, compaixão e auto-controlo. O movimento tem desfiado um extenso rol de queixas contra as autoridades da República Popular da China, a quem acusam de perseguição religiosa desde Abril de 1999, na sequência de uma manifestação, alegadamente pacífica, em Tianjin, em que participaram milhares de pessoas e que resultou na detenção de 50 pessoas.

Apesar do menor envolvimento da população local, Pouffy Lei considera que actualmente há melhores condições em Macau para a prática do culto. Por um lado, as pessoas têm menos desconfiança do que em 1999 e, por outro, as relações com o Governo do território são boas: “Em 1999 muitos familiares e amigos rejeitavam a Falun Gong por causa das notícias falsas no Interior da China. Havia desconfiança e as pessoas mantinham uma certa distância”, defendeu. “O Governo [de Macau] tem cada vez mais uma postura simpática connosco porque somos um movimento pacífico”, frisou.

 

Maior abertura do visitantes

 

A abertura é, de resto, extensível aos turistas da República Popular da China interpelados pelo movimento no Centro da cidade: “Agora as pessoas do Continente que visitam Macau e Hong Kong tem uma mente mais aberta e aceitam mais facilmente as ideias que defendemos”, apontou a crente.

No entanto, há sempre quem não demonstre abertura para receber os folhetos distribuídos: “Nós compreendemos que algumas pessoas continuem muito fechadas. Não levamos isso a mal porque, como o nosso mestre nos diz, os chineses do Continente são as grandes vítimas das mentiras”, justificou.

 

A nível local, Pouffy Lei fala da ausência de um movimento organizado. Existem encontros espontâneos para a leitura do manual, mas no que toca à distribuição do jornal Epoch Times – fundado nos Estados Unidos por pessoas ligadas ao movimento – são os próprios praticantes que vão a Hong Kong adquirir os exemplares.

“Somos um pequeno grupo de pessoas e não temos uma estrutura organizada, como as associações. Temos um mestre que nos ensina a ler o livro e a fazer os exercícios, mas não temos imóveis ou dinheiro”, contou a residente, que gere um pequeno negócio. “Não fazemos isto por dinheiro. Aliás, às vezes temos de ser nós a pagar do nosso bolso os jornais em Hong Kong para distribuir aqui. Antes de ter um bebé, ainda imprimia os folhetos pequenos para distribuir, mas agora já não tenho tempo. Tenho dois filhos”, defendeu, antes de dizer que cinco membros da sua família estão entre os praticantes da Falun Gong em Macau.

Na prática do culto e na distribuição de informação sobre a Falun Gong, Pouffy diz que se inspira nos praticantes da Falun Gong que ainda subsistem na República Popular da China: “O que faço não é nada comparado com eles. No Continente têm de arriscar a vida para distribuírem folhetos”, afirmou. “Eles são os maiores crentes: seguem fielmente os princípios de verdade, compaixão e auto-controlo. Eu não consigo”, confessa.

 

 

*Com Elisa Gao

 

 

 

 

 

 

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