C.S.I: Crime Série Ilustrada

As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

Telecoincidência

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Sempre que saem em patrulha anti-roubo e avistam indivíduos com ar suspeito, a vaguear pelas ruas ao mesmo tempo que fitam bolsas e sacos de compras alheios, os agentes da Polícia de Segurança Pública já sabem que dali não sai boa coisa. Por isso, vão seguindo de longe todos os seus movimentos até os apanharem em flagrante.

Foi exactamente isso que aconteceu este domingo, quando a polícia deu com um par de sujeitos na movimentada Avenida Almeida Ribeiro a observar as malas e as carteiras de toda a gente que ia passando por ali. Sem se aperceberem de que estavam a ser vigiados, os homens foram andando por ali e, ao passarem pela Avenida Infante Dom Henrique, abriram os guarda-chuvas. Um deles colocou-se por trás de uma mulher e tentou abrir-lhe o fecho da mala, mas não foi suficientemente “mão-leve” e o máximo que conseguiu foi pôr a vítima aos gritos, obrigando a uma retirada precipitada.

Quando chegaram ao cruzamento com a Avenida Dom João IV, acharam que estavam a salvo, mas terão então dado pelos agentes que os seguiam à distância e desataram a correr outra vez. Mas não foram muito longe, acabando por ser interceptados no acesso ao edifício Macau Square.

A revista aos seus bolsos encontrou apenas um telemóvel branco, o suficiente para que fossem detidos e levados para a esquadra. Por coincidência, no exacto momento em que davam entrada no posto policial, na sala de participações uma mulher apresentava queixa: tinha andado nas compras quando deu pela mochila aberta e faltava-lhe o telemóvel, que era branco (a-há!…) e lhe tinha custado cerca de sete mil patacas! A polícia aproveitou e deixou que ela tentasse inserir a sua senha para ligar o aparelho que acabara de ser apreendido. E funcionou!

Os dois suspeitos, um de 20 anos – que já tinha anteriormente sido detido num caso de furto – e outro de 40 anos, foram presentes ao Ministério Público pelo crime de furto.

Malas de problemas

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Comerciante em Macau, M. ganhava a vida a comprar e vender malas de luxo, negociando com clientes e fornecedores que ia conhecendo na Internet. Tinha a máquina logística mais ou menos oleada e o negócio parecia ir bem. Até que a coisa começou a dar para o torto em Março deste ano, quando foi alvo de sete denúncias apresentadas na Polícia Judiciária: eram clientes que tinham feito pagamentos e nunca mais viram as malas que haviam comprado, e também fornecedores, que enviaram o produto, mas depois ficaram a ver navios com os respectivos pagamentos. Tudo somado, os prejuízos reclamados pelos queixosos ascendiam a 400 mil patacas. Diziam as vítimas que a mulher inventava sempre novas desculpas para não cumprir com a sua parte.

Detida pela Polícia Judiciária na quinta-feira, no seu apartamento, M. garantiu que nunca pretendeu enganar ninguém, e que apenas estava a tentar ganhar tempo. É que o complexo sistema que utilizava obrigava-a a utilizar o dinheiro dos novos pagamentos para pagar cauções a novos fornecedores e saldar dívidas atrasadas. O esquema funcionava desde que houvesse sempre novos clientes a entrar com novas encomendas e pagamentos adiantados. Mas a bola de neve foi crescendo e a incapacidade de cumprir com as obrigações valeu-lhe uma visita ao Ministério Público e uma acusação de burla.

Alipeta

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Foram cinco as passagens de avião que T. teve de comprar para vir de Haikou, na província insular chinesa de Hainão, com a família para Macau. Mas, após alguns dias de diversão nos casinos, recebeu no telemóvel uma mensagem informando que o voo do seu regresso a casa tinha sido cancelado. Na mesma mensagem, vinha um pedido para contactar o serviço de atendimento ao cliente, num número de telefone indicado.

A voz simpática que atendeu a chamada explicou que o dinheiro seria reembolsado, mas que era preciso cumprir umas formalidades através de um formulário a preencher numa aplicação de telemóvel, que iria permitir fazer uma transferência pelo sistema Alipay. T. assim fez: digitou um número de conta e um código que lhe foi indicado, mas a seguir recebeu a indicação de “Operação falhada – Tente de novo”. Repetiu, com o mesmo resultado. E até pediu a um amigo para tentar também. Só depois, ao consultar a sua conta, se apercebeu de que cada tentativa “falhada” na verdade tinha correspondido a uma transferência concluída com êxito. Ficou com um prejuízo de 50 mil yuans (59 mil patacas).

A Polícia Judiciária está a investigar este e um outro caso de burla semelhante, em que a vítima ficou a perder quase 10 mil yuans (11,7 mil patacas).

Vilões mascarados

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Por volta da meia-noite de domingo, V., um cidadão chinês a residir em Macau, regressava a casa, na Areia Preta, quando deparou com uma dupla bastante estranha: dois homens de chapéu e máscara pareciam estar a preparar alguma no interior do seu edifício. Assustado, deu meia volta e saiu de fininho, mas do lado de fora do prédio levou outro susto deparar-se com outros dois sujeitos, igualmente mascarados. Desatou a correr, tendo sido perseguido por um deles.

Quando parecia que o tinha despistado, refez-se do susto e resolveu encher-se de coragem e voltar a tentar entrar em casa. Afinal, “estamos em Macau. O que é que me pode acontecer?”, terá pensado. Entrou novamente no prédio e deu de caras com um dos mascarados, que o atacou ao murro e ao pontapé e tentou roubar-lhe a mala. V. segurou-a com toda a força, ao mesmo tempo que gritou por socorro. Os mascarados fugiram sem conseguir levar nada. V. ganhou um ferimento ligeiro no braço esquerdo como lembrança da sua noite mais bizarra em Macau. A Polícia Judiciária está a investigar este caso de tentativa de roubo.

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