Agnes Lam regressa à arena política com a lição bem estudada

Agnes Lam vai submeter-se pela terceira vez ao escrutínio para a Assembleia Legislativa. Depois das derrotas sofridas em 2009 e 2013, a professora universitária formalizou ontem o pedido de candidatura e diz ter aprendido com os erros do passado. Na próxima campanha eleitoral, a docente garante que se vai bater pela habitação, os transportes públicos, o sistema de saúde, a educação e a protecção das minorias. Também o sufrágio universal pontifica de novo na agenda da candidata.

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Texto de Sílvia Gonçalves

Fotografias de Eduardo Martins

 

Agnes Lam acredita que é chegado o momento de garantir um lugar no hemiciclo. A professora universitária entregou ontem, no edifício da Administração Pública, o pedido de reconhecimento de constituição de comissão de candidatura, tendo em vista as eleições para a Assembleia Legislativa, que decorrem a 17 de Setembro. Depois de duas tentativas falhadas, nos escrutínios de 2009 e 2013, a docente diz ter avaliado o que fez mal e espera traçar uma melhor estratégia, que passa por estabelecer uma comunicação mais próxima com o eleitorado, principalmente os eleitores mais jovens.

A habitação, os transportes públicos, a protecção concedida às minorias ou o sufrágio universal figuram entre os temas que Agnes Lam pretende colocar no centro da discussão durante o período de campanha: “Eu espero que sim [ser eleita] e estou a dar o meu melhor para conseguir um lugar desta vez. Pudemos avaliar todas as experiências e o que fizemos mal e o que fizemos bem antes, e espero que tenhamos uma melhor estratégia desta vez”, assumiu ontem Agnes Lam à imprensa, após a entrega das assinaturas necessárias à formalização da sua candidatura. A professora do Departamento de Comunicação da Universidade de Macau, que lidera a lista “Observatório Cívico”, apontou o que entende ter falhado nas anteriores candidaturas: “Não motivamos pessoas suficientes para se juntarem a nós, esse é um grande problema. Penso que precisamos de motivar mais pessoas. Primeiro temos que tentar motivar mais pessoas a recensearem-se, e pensamos que desta vez temos que chamar a atenção das pessoas sobre o modo como a Assembleia afecta as nossas vidas. Penso que as pessoas já têm alguma noção, têm alguma noção de que a democracia deve significar algo para nós”, explica.

A candidata, de 45 anos, traça um perfil de um eleitorado que é hoje mais diverso, com um maior envolvimento dos jovens: “Temos mais eleitores registados, mais pessoas que estão registadas pela primeira vez e uma grande parte deles são jovens. Mas tenho que dizer que isto vai ser uma batalha dura para muitas pessoas como nós, porque se olhar para toda a população de votantes, temos mais pessoas que são idosas. A população idosa é uma grande percentagem agora, como podes conquistar o seu apoio, isso também é muito importante”.

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Os jovens deverão estar, no entanto, no centro das atenções da candidata: “Prestaremos muita atenção à juventude porque consideramos sempre que os jovens são a esperança no futuro. Uma vez que se tornem votantes, vão votar para o resto das suas vidas, por isso são importantes”, considerou.

Agnes Lam recuou no tempo até à candidatura que apresentou em 2009, quando, enquanto líder da Associação Energia Cívica, disse ter abordado temas de forma pioneira: “A primeira vez que concorri, éramos a única lista e a primeira lista a defender os direitos dos animais e que devíamos ter uma lei de protecção dos animais. As pessoas achavam que éramos doidos, então tivemos um grande evento sobre cães e gatos e muitas pessoas gracejaram”, recorda. Então como agora, a candidata regressa ao tema da habitação, com o foco apontado para o aumento das rendas: “Também defendemos que há um problema que são as rendas muito elevadas,  há uma expectativa de que subam e ninguém pode planear as suas vidas. Defendemos que há medidas que têm que ser tomadas na política da habitação. Não se trata apenas de construir mais habitação pública, deveria haver uma política séria que ajudasse a regular o mercado imobiliário, para que as pessoas possam facilmente comprar casa e que ao mesmo tempo fosse fácil para elas arrendar. Por isso propomos algo como o controlo do aumento das rendas, fomos a primeira lista a defender isso”.

Instigada a revelar os pontos fundamentais que deverão atravessar o seu programa político, a candidata sintetizou: “Há várias áreas elementares em que estaremos focados: a habitação, toda a gente sabe que temos de fazer algo, tal como os transportes públicos, problemas médicos, todo o sistema de saúde, a educação, as minorias, a sua protecção. Este será o nosso foco principal”.

A atenção de Agnes Lam, não se fica, no entanto, por aí.  Também o sufrágio universal regressa à agenda da professora universitária: “Nós costumávamos prestar muita atenção ao sufrágio universal. Queremos empurrar isto, este caminho ainda está na nossa plataforma, continuamos a querer defendê-lo. Mas temos que olhar ao que está a acontecer em Hong Kong nos últimos anos. Sentimos que há uma reivindicação pública, que as pessoas estão a ficar cansadas disso, precisamos de o divulgar de outra forma, para que as pessoas sintam que podemos ganhar”, defendeu.

Sobre aqueles que a acompanham na lista Observatório Cívico, Agnes Lam prefere não avançar já com os nomes, mas assume alterações em relação às anteriores candidaturas e a ausência de candidatos lusófonos: “São cinco a seis pessoas. A lista está fechada, mas uma das pessoas necessita de pedir uma licença, que ainda não está aprovada. Algumas delas são as mesmas, outras não. Temos profissionais, pessoas das indústrias culturais, do sector cultural e também alguém a representar as minorias”, adiantou a candidata.

 

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