Portugal acolhe próximo encontro sino-lusófono de empresários

A edição de 2017 do certame juntou até ontem na cidade da Praia, em Cabo Verde, cerca de quatro centenas de governantes, investidores e homens de negócios oriundos de Macau, da China e dos Países Lusófonos. Dado o sucesso da iniciativa, o território deve ver surgir uma federação de empresários lusófonos, com sede no território.

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Portugal vai acolher o próximo encontro de empresários entre a República Popular da China e os países de língua portuguesa, disse na sexta-feira à agência Lusa, na cidade da Praia, João Proença, da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

A escolha de Portugal como próximo anfitrião da iniciativa foi tomada durante uma reunião das agências de investimento dos países lusófonos e da China que antecipou o primeiro dia do Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que decorreu até ontem na cidade da Praia: “Uma das decisões da reunião foi realizar o próximo encontro em Portugal”, disse João Proença, adiantando que foi ainda decidido continuar o processo de constituição de uma federação de empresários em Macau.

O encontro, que ainda não tem data marcada, decorrerá no próximo ano e deverá realizar-se em Lisboa. João Proença adiantou que esta será a terceira vez que Portugal acolherá o encontro, que no ano passado se realizou na Guiné-Bissau com a participação de mais de três dezenas de empresas portuguesas.

Sem avançar dados sobre a representação portuguesa que marcou presença no encontro que se realizou até ontem em Cabo Verde, João Proença adiantou que “não é tão forte” como a que esteve na Guiné-Bissau, apontando como explicação o facto de entre 21 e 23 de Junho se realizar no Porto um outro encontro entre empresários portugueses e chineses: “Além disso, o Instituto de Promoção de Investimento de Macau (IPIM) vai organizar, segunda-feira, com o apoio da AICEP uma conferência para apresentar os projetos de Macau”, disse Proença. O responsável sublinhou a importância destes encontros para fomentar a cooperação bilateral entre a República Popular da China e o país anfitrião e a realização de negócios entre empresas.

O Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa arrancou na sexta-feira na cidade da Praia com a presença de mais de 400 participantes, entre empresários e representantes de organizações dos países lusófonos e da China.

Na sessão de abertura, o primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, passou em revista as potencialidades e as reformas previstas para tornar um país de 500 mil habitantes e um Produto Interno Bruto ‘per capita’ de 4 mil dólares atractivo para os investidores: “É um constrangimento ultrapassável se tivermos em conta que a livre circulação e a globalização ampliam o mercado e a dimensão mínima ótima de um pequeno país como Cabo Verde”, disse.

Correia e Silva sublinhou a importância do turismo, da localização, da diáspora e da inserção na Comunidade Económica de Países da África Ocidental (CEDEAO) na “amplificação do mercado interno”.

Assinalou, por outro lado, constrangimentos como o risco soberano elevado do país, os elevados custos de contexto bem como a “pequenez do mercado financeiro”: “É um constrangimento que iremos ultrapassar através da liberalização completa dos movimentos de capitais e da criação de um Fundo Soberano de Garantia de Investimentos Privados para permitir que as empresas tenham acesso ao mercado externo bancário e de capitais para financiarem investimentos de maior envergadura”, disse.

Por seu lado, o presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), Jackson Chang destacou os resultados alcançados desde a primeira edição do encontro de empresários, em 2005.

Segundo Jackson Chang, o encontro já reuniu mais de 4 mil homens de negócios, permitindo a realização de mais de 3 mil bolsas de contactos entre empresas dos sectores das infra-estruturas, serviços financeiros, imobiliário, produtos alimentares, agricultura, turismo, energia, comércio e protecção ambiental, além da celebração de 105 protocolos de cooperação.

A República Popular da China é um dos mais importantes parceiros dos países de língua portuguesa, tendo as trocas comerciais entre os dois blocos atingido os 100 mil milhões de dólares em 2016, segundo dados apresentados no encontro.

O investimento das empresas chinesas nos países lusófonos ascendia a 50 mil milhões de dólares (cerca de 40 mil milhões de euros), enquanto as empreitadas chinesas nesses países atingiam os 90 mil milhões de dólares (cerca de 80 milhões de euros).

 

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