Mesquita sem condições junta fiéis a uma semana do fim do Ramadão

A Associação Islâmica de Macau está disposta a fazer alterações no plano de construção da nova mesquita e do centro cultural para acelerar a aprovação de um projecto que voltou a suscitar oposição no Conselho do Planeamento Urbanístico. No mínimo “1500 a 2000 pessoas” devem comparecer na festa do fim do Ramadão – prevista para domingo, 25 de Junho – e a mesquita de Macau não tem capacidade, nem condições para acomodar os fiéis que ali se congregam, queixam-se crentes e responsáveis da associação. A comunidade conta com cerca de 10 mil muçulmanos, dos quais perto de seis mil são mulheres, indonésias e empregadas domésticas.

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Texto de Cláudia Aranda;

Fotgrafia de Eduardo Martins;

O jejum diário observado pelos muçulmanos neste mês do Ramadão foi ontem quebrado na Mesquita de Macau num ritual que juntou pelo menos 200 a 300 muçulmanas de nacionalidade indonésia, o vice-cônsul do Kuwait para Hong Kong e Macau, Adnan Alghunaim, o cônsul indonésio para os serviços consulares em Hong Kong e Macau, Rafail Walangitan, e representantes da Associação Islâmica de Macau e da União Islâmica de Hong Kong. O consulado do Kuwait patrocinou parte das refeições servidas na mesquita antes e depois do pôr-do-sol, ao passo que nove associações indonésias se organizaram para garantir o ritual da quebra de jejum às devotas.

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Ontem assinalou-se o último domingo antes da celebração do Eid-ul-Fitr, nome da festividade com que os muçulmanos de todo o mundo assinalam o fim do Ramadão, o período de 30 dias em que os devotos devem jejuar entre o nascer e o pôr-do-sol.

É ao domingo que durante o Ramadão grande parte da comunidade se junta na mesquita do Ramal dos Mouros, apesar de na tradição islâmica ser a sexta-feira o dia consagrado para a oração semanal. Segundo o cônsul Rafail Walangitan há cerca de 6500 indonésios a viver em Macau, cerca de seis mil dos quais são empregadas domésticas. São estas mulheres indonésias que constituem mais de metade dos cerca de 10 mil crentes que formam a comunidade islâmica em Macau. O domingo, quando lhes é concedida folga, é o único dia que têm para dedicar ao culto.

“Muçulmanos de Macau contam-se entre 150 a 200 indivíduos. Para além dos residentes, temos uma comunidade muito grande de indonésios, principalmente empregadas domésticas. Além disso, temos uma comunidade da Índia, Bangladesh, Paquistão”, explicou Ali Mahomed, porta-voz da Associação Islâmica de Macau, em declarações ao PONTO FINAL. Ali Mahomed é ele próprio pertencente a uma das famílias muçulmanas mais antigas de Macau, descendente de um imigrante muçulmano com origem na Índia, na época em que este país ainda era uma colónia britânica.

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A mesquita, entretanto, já não tem capacidade para acomodar as centenas de fiéis que ali se juntam. O espaço de culto reservado às mulheres limita-se a dois telheiros cobertos, enquanto aos homens está reservada a estrutura mais antiga, construída nos anos 1980s. É da falta de espaço para a oração que se queixa ao PONTO FINAL Widia Cahyani, empregada doméstica de nacionalidade indonésia, radicada em Macau desde 2006, representante da “Nahdhatul Ulama”, uma das nove organizações que ontem colaboraram para preparar as quase 300 refeições destinadas a quebrar o jejum dos devotos, pouco depois das sete da tarde.

 

Associação aberta a contra-proposta

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Ali Mahomed admite que “as instalações são totalmente desajustadas às necessidades”: “Temos um plano desde 1995 para construir uma nova mesquita e um centro islâmico para acolher as pessoas, mas este projecto tem sido bloqueado ano após ano. Tivemos uma reunião o mês passado e o Governo diz que tem que fazer mais averiguações. É muito frustrante”, afirmou Ali Mahomed, referindo-se ao projecto para a construção de uma torre habitacional de 127 metros de altura e de espaços comerciais no Ramal dos Mouros, parte do plano de construção de uma nova mesquita e de um centro islâmico. O projecto recebeu no ano passado o aval do Conselho do Planeamento Urbanístico. Na altura, entre os 26 membros presentes, 20 votaram a favor e seis contra o projecto da Associação Islâmica de Macau de construção de uma mesquita e de um centro cultural. No entanto, no final do mês passado, na quarta reunião plenária de 2017 do Conselho do Planeamento Urbanístico, a proposta de alargamento da via pública junto ao Ramal dos Mouros apresentada pela associação foi questionada e o projecto está novamente parado, a aguardar parecer técnico do Governo.

Na próxima semana, para a festa do fim do Ramadão prevê-se uma grande afluência à mesquita de Macau e, tal como em anos anteriores, uma boa parte dos crentes vão ter dificuldade em acomodarem-se no recinto, explica o representante da associação:  “Se o Eid calhar no domingo vamos ter aqui pelo menos 1500 a 2000 pessoas, porque todas as empregadas domésticas vão estar de folga e vão comparecer. Por isso, temos uma necessidade desesperada de uma nova mesquita e de um novo centro islâmico”, sublinhou Ali Mahomed.

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Com o propósito de fazer com que a construção receba luz verde, Ali Mahomed afirmou que a associação está disposta a ajustar o projecto: “Se nos apresentarem propostas nós vamos considerar, se acharmos que podemos cumprir com as exigências nós tentaremos acomodá-las”, disse, acrescentando que o problema agora é que o Governo não apresentou nenhuma contra-proposta que a associação pudesse ter em conta. “Fomos deixados em lado nenhum”, disse.

O fim do Ramadão está previsto para 25 ou 26 de Junho, conforme a fase da Lua, sendo que a data exacta só será anunciada um dia antes: “É muito provável que o Eid venha a calhar no domingo, mas não tenho toda a certeza. Mas o consulado da Indonésia já estabeleceu o Eid para o dia 25 de Junho”, adiantou o porta-voz da associação. Segundo Ali Mahomed, a Mesquita de Macau segue as indicações da entidade “The Incorporated Trustees of the Islamic Community Fund of Hong Kong”, cujos imãs, no dia 24 de Junho, deverão decidir a data exacta da celebração.

 

 

 

 

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