“Não creio que eles [filipinos] realmente enfrentem qualquer dificuldade”

A Proclamação da Independência das Filipinas ocorreu a 12 de Junho de 1898 e a data foi ontem assinalada no Clube Militar, com um programa que incluiu a apresentação de danças tradicionais de várias regiões do arquipélago. À margem das festividades, a cônsul-geral das Filipinas – que diz não acreditar que a comunidade filipina em Macau enfrente qualquer dificuldade – reconheceu, ainda assim, que o elevado custo de vida é um dos desafios com que se batem os filipinos radicados no território.

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Texto de Sílvia Gonçalves

Fotografias de Eduardo Martins

A celebração do 119º aniversário da Proclamação da Independência da República das Filipinas decorreu ontem no Clube Militar, numa cerimónia conduzida pela cônsul-geral daquele país, Lilybeth R. Deapera, e que contou com a presença da secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan. À margem da recepção, a diplomata definiu a eliminação da pobreza e da dependência das drogas como o objectivo das políticas em curso nas Filipinas. Lilybeth Deapera, que disse não acreditar que a comunidade filipina no território enfrente realmente dificuldades, reconheceu, no entanto, que o elevado custo de vida é um dos desafios que os imigrantes filipinos enfrentam. A diplomata considerou ainda que os baixos salários ficam a dever-se às “forças do mercado” e ao que os empregadores estão dispostos a pagar. Deapera, que diz estar em contínuo diálogo com o Governo da RAEM, espera que o salário mínimo seja alargado a outros sectores de produtividade.

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“O tema da celebração deste ano é: ‘trabalhando juntos para alcançar o desenvolvimento económico’. É muito relevante porque a nova administração, que celebra agora o seu primeiro ano, um dos seus objectivos é o desenvolvimento económico para todos, para que os filipinos tenham uma vida melhor e para que aqueles que estão a trabalhar no estrangeiro possam voltar para casa e ter emprego nas Filipinas”, enquadrou a cônsul-geral. Para Lilybeth R. Deapera, todos os “programas e planos do Governo, é tudo para conseguir atingir este objectivo de desenvolvimento económico, eliminando a pobreza, eliminando as drogas e fazer do país um lugar pacífico”.

A diplomata deu conta do crescimento expressivo da comunidade filipina em Macau, que mais do que duplicou em menos de uma década: “A comunidade filipina em Macau está a crescer todos os anos, a crescer em número. São cerca de 25 mil filipinos actualmente, o que está longe de 2008, quando tínhamos só 11 mil”.

Questionada sobre as dificuldades que a comunidade enfrenta  em Macau, Deapera parece não reconhecer a existência de problemas de maior: “Eu não creio que eles realmente enfrentem qualquer dificuldade, eles continuam a sentir-se bem-vindos em Macau, é por isso que eles vêm. Bem, há o problema habitual do alto custo de vida, seria uma das coisas que é um desafio para eles, para alguns deles”, admite.

E os salários baixos generalizados não são também um desafio? “Temos estado constantemente em diálogo com as instituições do Governo em Macau. É sempre uma questão das forças do mercado, é uma questão do que os empregadores lhes podem dar, da compensação que lhes podem dar. O salário mínimo é só para empresas que têm pessoal de limpeza e seguranças. Foi-nos dito que é um primeiro passo, eles esperam que haja mais no futuro, para poderem identificar que sector, que indústria deve ter o salário mínimo”.

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Mas o que gostaria a diplomata de ver melhorado nas condições de vida dos cidadãos filipinos radicados na RAEM? “O Consulado-Geral está sempre aberto aos membros da comunidade filipina, as nossas portas estão sempre abertas ao diálogo. Desde Setembro do ano passado que o nosso horário de funcionamento é de domingo a quinta-feira, porque havia procura dos membros da comunidade, e Manila autorizou-nos a ter esse tipo de horário”, respondeu. Deapera salientou também a aposta daquela representação diplomática na formação profissional: “O nosso escritório de trabalho tem conduzido programas de formação de capacidades para os que trabalham cá, para que possam melhorar as suas capacidades e ter um melhor emprego. Também temos conduzido seminários sobre leis do trabalho, para que conheçam as suas responsabilidades e direitos enquanto trabalhadores estrangeiros”, adianta.

Por fim, a diplomata deu ainda conta da sua deslocação às Filipinas, no mês passado, com uma delegação de 43 empresários de Macau: “Visitamos também Cebu, além de reuniões em Manila com a Câmara do Comércio local. Espero que, com o que eles viram, percebam em que negócios podem entrar, porque tivemos um ‘business matching’ com alguns membros da Câmara do Comércio das Filipinas e a Câmara do Comércio de Cebu”, contou Lilybeth Deapera.

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